A suavidade de saber envelhecer

Eu poderia começar falando a respeito da velhice de diversas formas, como frases do tipo: ” Eu não estou ficando velha, estou ficando seletiva, ou estou ficando como vinho…”. Não, eu prefiro ser leal aquilo que vejo em mim. Estou envelhecendo, mas vejo essa parte da vida, com uma certa suavidade. Gosto e posso dizer que isso é algo que não me perturba, pelo contrário, esse estágio da vida é muito agradável. Primeiro que para gostar da velhice, temos que gostar de nós mesmos, e segundo porque essa parte, nos permite apreciar o tempo com mais carinho pela pessoa que estamos nos tornando.

” Eu não posso burlar o tempo…”.

Eu tenho um carinho enorme pelo passar dos dias em minha vida. Isso chama-se: despertar, e não se aprende da noite para o dia. É devagar que se chega ao ponto em que se deseja, ‘Gostar de si’. Eu não poderia chegar e dizer: eu não estou ficando velha, mas “seletiva”. Claro, posso fazer algumas considerações, mas seletiva, eu sempre fui, e não por vaidade, mas por necessidade de cuidar melhor de mim. Vinho? Bem, tenho a minha docilidade, assim como o lado azedo. Então, de fato, eu não posso burlar o tempo, estou envelhecendo, ponto. O vinho é por sua conta.

Nada melhor do que você olhar no espelho e ter a imagem verdadeira de quem é

Isso é primordial. E sabe por que? Porque ser aquilo que somos, sem influência do que as outras pessoas dizem, é ótimo. É sinal de maturidade.

Tempo como aliado

A única parceira, o único acordo que posso fazer com o tempo, é saber negociar as minhas dúvidas. Administrar a minha vida de modo que ao deitar a cabeça no travesseiro, tenha paz.

” Conhece-te a ti mesmo”.

Nietzsche, afirma que nós, enquanto pessoas, homens e mulheres, só poderemos compreender as coisas e o valor delas em nossas vidas quando tivermos o conhecimento necessário, quando de fato, se conhecer a sim mesmo, porque todas coisas nada mais são que as fronteiras, obstáculos ao homem, ou seja a mim e a você...são as ‘nossas dificuldades’. Portanto, temos o dever de melhorar a cada dia.

Todos os nossos vazios, todos os nossos defeitos, todos os nossos limites, na verdade, são via de acesso para que se possa chegar nessa etapa da vida com mais clareza. Aprendendo a gostar de nós, como se deve gostar, respeitar…

Imagine que a vida é uma curva, você conseguir ir além dela?

Bem, essa é colocação poética, vinda do nosso querido Fernando Pessoa. Alguém consegue ir além da curva? Quantos passos? Nessa estrada cabe tudo, melhor, comporta tudo. Somemos ai, as alegrias, dores, beleza, etc. E os poemas, quantos deles cabem? quantas cantigas de maldizer?…quantos caminhos são construídos no silêncio? Quantas reticências cabem nele? Entende porque devemos gostar da vida, melhor do fato de envelhecer?

Pare e pense, nos somos seres humanos vivos alimentados de desejos. Portanto, temos que aprender a negociar com o tempo. É só isso que realmente importa. O processo de envelhecer é natural. Temos que gostar de nós, da maneira que somos. Claro, há exceções dentro desse processo. Imagine, se você tem algo que fisicamente não gosta, se pode mudar, ótimo. Mas, falo do interior, daquilo que reveste essa couraça aqui fora, compreende aonde quero chegar? O resultado de tudo isso, melhor, a somatória, daquilo que falo, é essa imagem que reflete a minha pessoa, e a sua também. Aqui, chamo a atenção para o fato daquilo que somos internamente, é isso que vale a pena.

Ame-se, goste da pessoa que caminha com você em todas as direções…

Se abrace, mas se envolva de um jeito gostoso, e entenda: ‘não existe felicidade oposta’. Ame as suas rugas, a sua risada gostosa,o jeito de recepcionar a vida, porque de repente, ” tudo…passa”.

Ame-se.

Imagem: Marii Freire Pereira

Texto publicado por (VEM comigo!)

Marii Freire Pereira.

Santarém, 22de fevereiro de 2020

Publicado por VEM comigo!

Bacharela em direito, Pós- graduada em Direito Penal e Processo Penal.

2 comentários em “A suavidade de saber envelhecer

    1. Sim. Compreendo significado de tuas palavras. Ah, aqueles que não gostam dessa fase da vida. Eu acho que ela deve ser vista com uma certa suavidade.

      Um abraço fraternal!

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Comentários encerrados.

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