Mãos dadas

Não serei poeta de um mundo caduco.

Também não cantarei o futuro.

Estou preso à vida e olho meus companheiros.

Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças.

Entre eles, considero a enorme realidade.

O presente é tão grande, não nos afastemos.

Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas.

Não serei o cantor de uma mulher, de uma história.

Não direi os suspiros ao anoitecer,A paisagem vista da janela,

Não distribuirei entorpecentes ou cartas de suicida,

Não fugirei para as ilhas nem serei raptado por serafins.

O tempo é a minha matéria, o tempo presente, os homens presentes,

a vida presente.

Carlos Drummond de Andrade.

Literatura brasileira (William Cereja e Thereza Cochar, 2013)

VEM comigo!

Marii Freire Pereira

Santarém, Pá 27 de março de 2020

Silêncio interior

O silêncio interior é aquilo que surge a partir do abandono, da recusa de querer buscar subterfúgios no mundo real, esse em que vivemos, aonde tudo para aparecer precisar chamar a atenção de alguma forma. São as nuances! De moto geral, elas existem para ser provocativas. Claro, a idéia é ” prender-nos” de alguma forma. Às vezes, ficamos tão fascinados com as cores, com os formatos que parecemos crianças em parques de diversão. Você nota que a criança naturalmente, ela é dada a tudo que é colorido. Assim, nos como “crianças crescidas” que somos, também nos perdemos de vez em quando. Imagino que o problema maior, não seja nos perder, e sim, ter a capacidade de voltar.

[…]

Viver é isso, um singelo convite a distração. Mas, o problema é essa forma de “caminhar “. Nós caminhamos muito para fora. É tudo feito com muita pressa. Há situações que por causa do encanto que ela provoca, mexendo com as nossas emoções, costumamos dá passos largos, na ânsia de nos apressar e aproveitar o melhor da festa. E olha, que há quem aproveite de verdade esses momentos, quem saiba usufruir com destrezatodas as pequenas oportunidades que a vida nos apresenta vez por outra. O problema é quando se percebe que há uma censura, e quando a vida perde o sentido, melhor, alegria fica escondida pelos cantos. Sabe pó? É pó que se acumula no interior da casa? Assim ficamos nós, com uma tristeza a qual, não sabemos definir. O que fazer em momentos assim?

Há quem passe longos períodos buscando compreender a razão de se perder dentro desse grande labirinto que somos nós. Gente que briga no raso de si, só porque não consegue negociar o mínimo possível, não sabe ceder, e prefere travar uma luta com o seu interior do que ser ponder diante de coisas simples.

É o ser humano vivendo a dinâmica da vida de modo desajustado. Lembra da comparação que fiz logo no inicio do texto, onde, de uma maneira metafórica, cheguei a comparar a vida ao parque de diversão? Muito bem, depois de muito ter andado e claro, se divertido, é hora de voltar a vida normal. É tempo de volta para casa, é tempo de voltar para si novamente

[…]

É tempo de abandonar todas as coisas que outrora prenderam a sua atenção. É o momento de cuidar do interior. É nele que terás que caminhar tudo novamente. Vai aprender a andar na trilha que o conduzirá ao encontro mais importante da sua vida, ” você com você mesmo”, vai reavaliar o que tem importância para permanecer, para compor a bagagem ou não.

[…]

O peso de tudo aquilo que carregamos conta muito para sabermos ligar com os obstáculos que vierem pela frente, portanto, tenha atenção redobrada, e fique atento porque o que pesa para dentro , também pesa para fora! É bom estarmos preparados para saber lidar com os desafios.

Aprenda a lidar melhor com os seus próprios limites e, saiba que a vida é sim, esse grande parque de diversão, mas brinque com cautela, tomando como exemplo toda a experiências de menino (a), que há aí dentro de você. Saiba que quando a diversão acaba, é o momento de cair em si! Portanto, cuide melhor de você. Aprenda que a melhor diversão acontece dentro de nós. O barulho só faz sentido para quem o sente, ou seja, você.

Marii Freire Pereira ( VEM comigo!)

Imagem pública

Santarém, Pá 26 de março de 2020

Pablo Neruda

” A palavra é uma asa do silêncio “.

Pablo Neruda. Presente de um poeta, 2003

Literatura brasileira: William Cereja e Thereza Cochar, ano: 2013

Marii Freire Pereira ( VEM comigo!)

Santarém, Pá 26 de março de 2020

Superação

Se supere’. Isso é uma meta que estabelecemos conosco, e temos desafio diário que é, conseguir dispor-nos algumas horas por dia para obter as respostas que precisamos, ou seja, passar pela experiência da superação.

Você não consegue nada da noite para o dia. É ilusório pensar que para alcançar o conhecimento, o ‘conhecimento verdadeiro’, e que nos permite ir além, você terá que fazer pouco esforço, ou pensar que tecer opiniões baseadas em ” achismo”, por ler notícias vinculadas ao Facebook, ou meios de comunicação alternativos, lhe fará a pessoa mais inteligente possível. Não, sinto muito em lhe dizer, você está criando uma situação tempestuosa, não é por aí.

[…]

A raiz do conhecimento é profunda, e dar-se através de muito sacrifício. O conhecimento ele confronta a realidade. Na verdade, ele vem para superar tudo aquilo que por natureza nos é, uma contradição. Portanto, enga-se quem pensar que o conhecimento primário já é o fator principal para lhe fazer alcançar o respeito de quem por exemplo, dedicou uma vida inteira ao estudo. Perdoem-me pela colocação grosseira, mas é preciso sentar a bunda numa cadeira e fazer o trabalho que pouco comprometem-se: estudar.

[…]

A pessoa que é considerada ‘ inteligente ‘ , primeiro, o que é ser inteligente? É uma pessoa que tem um vasto conhecimento acadêmico, fala duas ou três línguas, é possuidora de uma sensibilidade especial, porque é preciso se solidarizar de modo verdadeiro com pessoas ou situações. O diálogo também é outro fator importante, porque, quem não tem conhecimento não consegue produzir nada. A linha de conhecimento é vasta, portanto é possível afirmar que existem diversas maneiras de se buscar o conhecimento.

Vale dizer, que o conhecimento mesmo, vem dos livros. Claro, a era digital é importante, mas diria que ela, apesar de trazer muita facilitação, também produz muito lixo. Quer um exemplo de conhecimento verdadeiro? A literatura. Apesar de muitas pessoas não gostarem, nela é que há a provocação da vida. Toda a questão da complexidade, e a possibilidade de vermos diferentes realidade encontra-se nos textos literários. Isso é válido tanto para a Literatura Portuguesa, bem como, a Literatura Brasileira.

Parece estranho falar isso, mas é verdade. Tem-se autores maravilhosos, que vai de Miguel de Cervantes, a Machado de Assis. Nós, estamos falando da genialidade Portuguesa e Brasileira. Esses são só alguns nomes que estou citando, mas sabemos que temos outros grandes nomes, bastar pesquisar, ter a curiosidade de encontrar o trabalho não só desses, mas de vários escritores.

Todavia, o que quero dizer ‘contraponto’ a quem diz ” eu sou inteligente “, não é desmerecendo os hipertextos de quem ler ou ouve um vídeo na internet, aproveita isso para expressar ‘arrogância’ de forma plena. Não, a exemplo da genialidade citada, note que pessoas com um nível elevado de inteligência, não fazem teatro com a finalidade de se conclamar

[…]

Quem dedica ou dedicou, uma vida inteira com interesses voltados a estudos, às vezes torna-se negligente as próprias vestes, e por que? Porque ela está tão concentrada naquilo que faz, que começa a enxergar a realidade de uma maneira mais leve. Não que largue da aparência de uma vez, é que isso passa a fazer parte de um segundo plano. O que realmente importa é a realidade que lhe confronta o tempo todo.

Essa é a reflexão de quem, de fato, encontrou nos livros, o motivo maior para continuar acreditando na vida e continuar questionado as suas contradições.

[…]

Um abraço fraternal!

Marii Freire Pereira

VEM comigo!

Imagem: Google.com

Santarém, Pá 26 de março de 2020

Poema de sete faces

Quando nasci, um anjo torto

desses que vivem na sombra

disse: Vai, Carlos! Ser guache na vida

As casas espiam os homens

que correm atrás de mulheres.

A tarde talvez fosse azul,

não houvesse tantos desejos.

O bonde passa cheio de pernas:

pernas brancas pretas amarelas.

para que tanta perna, meu Deus,

[ pergunta meu coração.

Porém meus olhos

não perguntam nada.

O homem atrás do bigode

é sério, simples e forte.

Quase não conversa.

Tem poucos, raros amigos

O homem atrás dos óculos e do bigode.

Meu Deus, por que me abandonaste

se sabias que eu não era Deus

Se sabias eu e eu era um fraco.

Mundo mundo vasto mundo

se eu me chamasse Raimundo

seria uma rima, não seria uma solução.

Mundo mundo vasto mundo

mais vasto é meu coração.

Eu não devia te dizer

mas essa lua

mas esse conhaque

botam a gente comovido como o diabo.

– Carlos Drummond de Andrade

Literatura brasileira: William Cereja e Thereza Cochar. Ano: 2013

VEM comigo!

Marii Freire Pereira

Santarém, Pá 26 de março de 2020

José Saramago

” Arranca metade do meu corpo, do meu coração, dos meus sonhos.

Tira um pedaço de mim, qualquer coisa que me desfaça.

Me recria, porque eu não suporto mais pertencer a tudo, mas não caber em lugar algum.”

José Saramago

Publicado por: VEM comigo!

Marii Freire Pereira

Imagem: Lisboa/ via Facebook

Santarém, 26 de março de 2020

Livro do Desassossego (Fernando Pessoa)

” O resto é a vida que nos deixa, a chama que morre no nosso olhar, a púrpura gasta antes de a vestirmos, a lua que revela o nosso abandono, as estrelas que estendem o seu silêncio sobre a nossa hora de desengano. Assídua a mágoa estéril e amiga que aperta o peito com amor“.

Meu destino é decadência ( Fernando Pessoa) – Livro do Desassossego

https://citações. in

VEM comigo!

Marii Freire Pereira

Santarém, Pá 25 de março de 2020

Chico Buarque

” É sempre bom lembrar

Que um copo vazio

Está cheio de ar…”.

Chico Buarque

Compositor : Gilberto Gil

Fonte: LyricFind

VEM comigo!

Marii Freire Pereira

Santarém, 25 de março de 2020

Esperança

Qual é a definição da palavra esperança conforme a sua concepção de vida? Principalmente agora, que temos que despertar a vocação de humanizar-se mais ainda, diante da realidade que estamos vivendo?

Imagino que alguns diante desse momento, que é especial e evidente, dado por essa instabilidade a qual estamos vivenciando, estejam atônitos por sentir tanto desprezo pela falta de compreensão e delicadeza por posicionamentos no mínimo lamentável. É bom que se diga que, de algumas pessoas, esperamos mais flexibilidade perante a sua conduta, postura porque o situação atual pede ponderação. E para que isto aconteça, é preciso identificar quais são as partes frágeis da história. Na minha opinião, eu não gostaria que aprendessemos através dos erros.

O que parece indiscutível nesse momento, é que não se pode criar mais embaraços, ou seja, forçar uma situação de forma desumanizadora, o que seria cruel com uma parcela da população. Levar muitos ao sacrifício para que alguns possam viver bem no conforto de seus lares. Voltar ao trabalho, procurar ter uma vida normal (…), Pode ser prematura a minha observação, mas aqui não cabe a questão de fazer acepção de pessoas, ou seja, expor-las ao risco, soa como no mínimo uma atitude irresponsável. Nesse momento, a consciência é coletiva, portanto cabe procurar sairmos ilesos, aliás, não diria ilesos, porque as sequelas existem, elas estão aí, para mostrar-nos o caminho mais doloroso para alguns que infelizmente, não tiveram a mesma sorte que eu e você tivemos.

Sabemos que o diálogo mais do que nunca se faz necessario nesse momento em nossa sociedade, pois só é através dele que ganhamos significado como homens que caminham rumo ao que é certo, ou seja, visto como ‘correto’. Quanto mais houver compreensão por parte das pessoas, mais ganharemos. E a palavra agora é União, só ganharemos se tivermos unidos. Só, nunca se ganha.

[…]

Ter consciência agora, diante da Pandemia do Coronavirus, faz com que a palavra esperança, ganhe um significado maior. É como se sujeitando-nos a um processo contínuo de cuidado, pudéssemos, pensar melhor, tomar a realidade para a qual precisamos enfrentar. Ingênuo é depositar a nossa percepção em si mesmo e sair fazendo o que pensamos ser o correto. Se assim fosse, arrumaríamos problemas não só para nós mesmos, mas também para os outros.

É preciso lembrar que não somos seres imortais, pelo contrário, vamos morrer, mas de preferência por velhice, não por descuido. Temos uma trilha finita, e o resultado final de tudo, digo, só é possível analisar se vai ser um final bem-sucedido ou não, se formos capazes de respritar algumas regras.

Vamos pensar, lutar e perceber que há um significado maior para a nossa existência, respeitando não só os nossos, mais também o direito dos outros, ou seja, de todos.

Marii Freire Pereira

VEM comigo!

Santarém, Pá 25 de março de 2020

Eu sou Trezentos…

” Eu sou Trezentos, sou Trezentos- e-cinquenta,

As sensações renascem de si mesmas sem repouso

Abraço no meu leito as milhores palavras,

E os suspiros que dou são violinos alheios;

Eu piso na terra como quem descobre a furto

Nas esquinas, nos táxis, nas camarinhas seus próprios beijos!

Eu sou trezentos, eu sou trezentos-e-cinquenta …”

Mário de Andrade

Literatura Comentada, Nova Cultura- 1990, São Paulo.

VEM comigo!

Marii Freire Pereira

Santarém, Pá 25 de março de 2020