Mario de Andrade

“A cabeça desliza com doçura,

E nas pálpebras entrevistadas

Vaga uma complacência extraordinária.

É pleno dia. O ar cheira passarinho.

O lábio se dissolve em açúcares breves,

O zumbido da mosca, embalança do sol.

…Assurbanipal…

A alma, à vontade,

Se esgueira entre as bulhas gratuitas,

Deixa a felicidade ronronar.

Vamos, irmão pequeno, entre as palavras e deuses,

Exercer a preguiça, com vagar.

Quando morrer eu quero ficar,

Não contém aos meus inimigos,

Sepultados em minha cidade,

Saudade.

Meus pés enterrem na rua Aurora,

No Paissandu deixem meu sexo

Na Lopes Chaves a cabeça

Esqueçam.

No Pátio do Colégio afundem

O meu coração paulistano:

Um coração vivo e um defunto

Bem juntos…”

Mário de Andrade. IX . Esse poema sem título pertence à Livraria Paulistana, publicado após a morte do pieta, em 1946.

Literatura Comentada, São Paulo, 1990

VEM comigo!

Marii Freire Pereira

Santarém, Pá 22 de abril de 2020

Publicado por VEM comigo!

Bacharel em direito, cursando Pós-graduação em Direito Penal e Processo Penal.

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