Carlos Drummond de Andrade

Na curva perigosa dos cinqüenta

derrapei neste amor. Que dor! que pétala

sensível e secreta me atormenta

e me provoca à síntese da flor

Que não se sabe como é feita: amor,

Na quinta-feira essência da palavra, e mudo

de natural silêncio já não cabe

em tanto gesto de colher e amar

a nuvem que de ambígua se dilui

nesse objeto mais vago do quenuvem

e mais defeso,corpo! corpo, corpo,

verdade tão final, sede tão vária,

e esse cavalo solto pela cama,

a passear o peito de quem ama.

Carlos Drummond de Andrade, O quarto em Desordem. ( Textos selecionados)

Literatura Comentada.

Marii Freire Pereira

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Imagem: Google

Santarém, Pá 5 de abril de 2020

Dom Quixote

” Natural condição de mulheres:

desdenha a quem lhes quer, e

amar a quem as aborrece “.

Dom Quixote.

“Dom Quixote” desenhado por Robert Smirke 1818.

http://www.tate.org.uk

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Marii Freire Pereira

Santarém, Pá 4 de abril de 2020

William Shakespeare

” Há quem diga que todas as noites são de sonhos

Mas há também quem diga que nem todas, só as de verão

Mas no fundo isso não tem importância

O que interessa mesmo não são as noites em si,

São os sonhos…”

William Shakespeare, O Menestrel.

Google.

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Santarém, Pá 4 de abril de 2020

Atemporais

Há mais de quatrocentos anos, Shakespeare e Cervantes nos deixou. Porém, suas obras são um clássico da Literatura Mundial. Claro, cada um com sua marca. Shakespeare era dramaturgo e poeta, Cervantes romancista por excelência. A verdade é que, os dois são considerados gênios da literatura, porque dentre outras coisa, essa parte da literatura é provocativa, Portanto, guarda os verdadeiros ensinamentos que aguçar o leitor a querer a ter a curiosidade de mergulhar nesse universo tão encantador que a literatura ofere. São chamados de gênios porque conseguiram atravessar um século e sobreviver a concorrência do mercado. Aliás, o mercado sempre está lançando um produto, seja, livro, seja filme que geralmente, tempo um tempo determinado, assim como, também um público alvo que, consegue ter contato com esse material durante um período. Todavia, esses produtos, acabam ficando um pouco esquecido. Mas, os grandes gênios não, estes, são para a eternidade.

Marii Freire Pereira

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Imagem: Google

Santarém, Pá 4 de abril de 2020

Solidão

Cada vez mais, é comum observar como as pessoas estão distantes uma das outras. Claro, é algo inclusive, baste comum dentro desse conceito de sociedade moderna, cada um vivendo a sua própria vida. A correria, a falta de afinidade entre as pessoas, o amor, a verdade, tudo isso contribuindo para esse campo da solidão.

A impressão que se tem, é a de que o ser humano vive mais dentro de si, mas é um modo de viver ” amordaçado “, asfixiado dentro dos próprios limites, sem conseguir dividir seus dramas pessoais, seus momentos de desespero com o outro, porque o que se nota hoje nas pessoas, é uma superficialidade muito grande. Elas estão completamente indiferentes, é como se o tempo todo, fizessem uso de uma maquiagem que limita o acesso que era para ser natural entre elas, e não provocar o contrário que é o desamor, a concorrência entre si, fazendo que haja um certo desconforto, porque não dizer, um estranhamento entre elas próprias? A impressão que temos é que se caminha a concorrência, onde a gana as transformam mais do que vencedores, em pessoas fracassadas. Portanto, abandonam aquilo que elas têm de mais bonito que é a humanidade, a empatia, o amor ao próximo. E a questão da própria proteção porque, nso se vê troca. Elas se autoabandonam. Muitas, inclusive diante de situações assim, buscando meios alternativos para se livrar da solidão. Pouco a pouco afundam-se no álcool, drogas, e não suportam a realidade e acabam entrando em depressão.

Algumas pessoas por se sentirem sozinhas praticam métodos autopunitivos, porque se sentem derrotadas, ou seja, não conseguem reagir diante de tanta negatividade. Reclamam da vida, mas descontam os seus problemas em si. É um estado de estresse, aliado ao desespero que faz com elas, sintam prazer dentro dos seus impulsos, bebem, fumam e no final, praticam injustiça com elas próprias. É como se vivessem um momento em que elas não se entendem, ou seja, não conseguem se decifrar.

É muito triste quando a solidão leva o ser humano a praticar coisas que o destrói, que faz com se perca o controle da vida. E depois essa pessoa, tenha que reconhecer que é vítima de suas imperfeições, ou mazelas, como queira.

Alguns entendem que precisam mudar e mudam. E quando não tem ninguém confiável para dividir os problemas, buscam ajuda profissional, não só para se livrar dos vícios, mas também da própria solidão. Já outros, depois de um certo grau de amadurecimento, consegue ter o controle sobre si mesmo, descobrem maneiras diferentes de buscar prazer e, assim, depois de umas belas cutucadas da vida, acabam se transformando em pessoas melhores. E como já escrevi outras vezes, a respeito de solidão, existe sempre o lado bom é o lado ruim dela. Agora, é necessário saber dosar para ter equilíbrio.

Há quem goste de solidão e há quem encontre nela os seus fantasmas. Mas, é importante compreender que ninguém precisa de ninguém para ser feliz. Claro, podemos ter com quem dividir os problemas, mas no final, quem os resolve é você, é ou não é? O amigo só podem acrescentar alguma opinião, mas quem decide, quem constrói os alicerces necessários para alcançar o que quer, é você. Então, seja forte diante de suas crises. Mude o que tiver de mudar, mude de lugar, se preciso. Só não corte as suas asas.

[…]

A maior que liberdade que o ser humano conquista é quando, ele passamos a acreditar capazes, quando dentre outras coisas, compreende que precisa ser justo consigo mesmo. Isso é um ganho. Você pode…

Boa sorte!

Marii Freire Pereira

Imagem pública

Santarém, Pá 4 de abril de 2020

Carlos Drummond de Andrade.

Em verdade temos medo.

Nascemos escuro.

As existencias são poucas:

Carteiro, ditador,soldado.

Nosso destino, incompleto.

E fomos educados para o medo.

Cheiramos flores de medo.

Vestimos panos de medo.

De medo, vermelhos rios

vadeamos.

Somos apenas uns homens

e a natureza traiu- nos.

Há as árvores, as fábricas,

doenças galopante, fomes.

Refugiamo-nos no amor,

este célebre sentimento,

e o amor falou:chovia,

cantava, fazia frio em São Paulo.

Fazia frio em São Paulo…

Nevava.

O medo, com sua capa,

nos dissimula e nos berça.

Fiquei com medo de ti,

meu companheiro moreno.

De nós, de vós; e de tudo.

Estou com medo da hora.

Assim nos criam burgueses.

Nosso caminho: traçado.

Por que morrer em conjunto ?

E se todos nós vivêssemos?

Vem, harmonia do medo,

Vem, o terror das estradas,

susto na noite, receio

De águas poluídas. Muletas

do homem só. Ajudai-nos,

lentos poderes do láudano.

Até a canção medrosa

se parte, se transe e fala-se.

Faremos casas de medo,

dutos tijolos de medo,

medrosos caules, repuxados,

ruas só de medo e calma.

E com asas de prudência,

com resplendores covardes,

atingindo o cimo

de nossa cauta subida.

O medo, com sua física,

tanto produz: carcereiros,

edificios, escritores,

este poema; outras vidas.

Tenhamos o maior pavor.

Os mais velhos compreendem.

O medo cristalizou-os.

Estátuas sabias, adeus.

Adeus: vamos para a frente,

recuando de olhos acesos.

Nossos filhos tão felizes…

Fiés herdeiros do medo,

eles povoam a cidade.

Depois da cidade, o mundo.

Depois do mundo, as estrelas,

dançando o baile do medo.

Carlos Drummond de Andrade- O medo

Carlos Drummond de Andrade ( A Rosa Do povo, 1945)

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Marii Freire Pereira

Santarém, Pá 4 de abril de 2020

O MUNDO É UM MOINHO

” Ainda é cedo, amor

Mal começaste a conhecer a vida

Já anucias a hora da partida

Sem saber mesmo o rumo que irás tomar

Presta atenção, querida

Embora eu saiba que estás resolvida

Em cada esquina cai um pouco a tua vida

Em pouco tempo não serás mais o que és

Ouça-me bem, amor

Presta atenção, o mundo é um moinho

Vai triturar teus sonhos, tão mesquinhos

Vai reduzir as ilusões a pó…”

Cartola.

https://m.letras.mus.br

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Marii Freire Pereira

Santarém, Pá 4 de abril de 2020

Ricardo Reis ( heterônimo de Fernando Pessoa)

Quando há alguma coisa de belo a dizer em vida, esculpe-se; quando há alguma coisa de belo a fazer em alma, faz-se versos. A prosa é para a correspondência quer a correspondência particular, quer a correspondência geral, chamada literatura. A poesia não é literatura: é Arte.

Ricardo Reis, Fernando Pessoa

Revista Prosa e Verso e Arte.

Imagem: via Facebook

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Marii Freire Pereira

Santarém, Pá 3 de abril de 2020

Felicidade

” A felicidade é como a pluma

Que o vento vai levando pelo

ar

Voa tão leve

Mas tem a vida breve

Precisa que haja vento sem

parar

A felicidade de pobre parece

A grande ilusão do Carnaval

A gente trabalha o ano inteiro

Por um momento de sonho

Pra fazer a fantasia

De rei ou pirata ou jardineiro

E tudo se acabar na quarta-feira…”

Tom Jobim e Vinicius de Moraes

https://m.letras.mus.br

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Marii Freire Pereira

Santarém, Pá 3 de abril de 2020

Manuel Bandeira

” Vou-me embora pra Pasárgada

Lá sou amigo do rei

Lá tenho a mulher que eu quero

Na cama que escolherei

Vou-me embora para Pasárgada…”

Manuel Bandeira ( Estrela da vida inteira)

William Cereja e Thereza Cochar, ano: 2013

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Marii Freire Pereira

Santarém, Pá 3 de abril de 2020