A linguagem do Modernismo

O avesso às regras ” pouseram as palavras em liberdade “. Melhor, todos as formas de manifestação artísticas puderam ser vistas no início do século XX. A arte de modo geral, sofreu uma ruptura com os padrões vigentes da época.

Eis, o barco (1915), de Anita Malfatti. Os poetas modernistas eram contrários as regras. É por isso que, o ” avesso” neste caso, faz sentido. Eles queriam “liberdade” ao invés de se prender em formas fixas. O desejo era voltado ao novo. ou seja, aquilo que os permitissem ultrapassar os seus próprios limites.

Comentário: VEM comigo!

Marii Freire Pereira

Imagem: Museu da Arte Moderna do Rio de Janeiro, RJ

Literatura brasileira: William Cereja e Thereza Cochar, 2013

Santarém, 27 de março de 2020

Pablo Neruda

Onde está o menino que fui?

Está dentro de mim ou se foi?

Sabe que jamais o quis

e que tão pouco me queria?

Por que andamos tanto tempo

crescendo para nos separarmos?

Por que não morremos os dois?

quando minha infância morreu?

E se minha alma se foi

Por que me segue o esqueleto?

Pablo Neruda ( Onde está o menino que fui)

Imagem: Isidoro Ferrer

https: // http://www.luso- poemas.net

Publicado por: VEM comigo!

Marii Freire Pereira

Santarém, Pá 27 de março de 2020

Chico Buarque

” Tem dias que a gente se sente

Como quem partiu ou morreu

A gente se estancou de repente

Ou foi o mundo então que cresceu

A gente quer ter voz ativa

No nosso restinho mandar

Mas eis que chega a roda viva

E carrega o destinho pra lá

Roda mundo, roda- gigante

Roda moinho, roda pião

O tempo rodou num instante

Nas voltas do meu coração

A gente vai contra a corrente

Até não poder resistir

Na volta do barco é que se sente

O quanto deixou de cumprir…”

Fonte: LyricFind

Compositores: Hollanda Chico

https:// m.letras.mus.br

Publicado por: VEM comigo!

Marii Freire Pereira

Santarém, Pá 27 de março de 2020

Filiação

” Todos os homens:

Vinde a mim,

orfãos da poesia,

Choremos sobre

O mundo mutilado”.

Murilo Mendes ( O Estado de São Paulo,17/12/2000)

VEM comigo!

Marii Freire Pereira

Santarém, Pá 27 de março de 2020

Murilo Mendes

Murilo Mendes ( 1901-1975), nasceu em Juiz de fora, Minas Gerais. Ele com o Jorge Lima fizeram parte do grupo de artistas e intelectuais da poesia da década de 1930.

Foram influenciados pelas as idéias do filósofo católico Jacques Maritain e por toda série de escritores católicos europeus. Defendia-se a renovação do catolicismo e a crianção de uma arte cristã combativa.

Dos que faziam parte desse grupo católico, interessava a à literatura Murilo Mendes e Jorge de Lima. Esses de fato, foram vistos como representantes da poesia religiosa, ao qual eram, melhor faziam parte da geração de 30.

Todavia, o Murilo Mendes era visto no Brasil, como um escritor difícil. Difícil, porém com um trabalho surpreendente. Tinha uma linguagem fragmentada, as imagens insólitas, a visão messiânica do mundo.

Partindo de que o mundo era o próprio caos, a poesia de Murilo buscava o tempo inteiro ‘desconstruir -se para se reconstruir’, subverter a ordem das coisas instituídas e assim, organizar de acordo com leis próprias.

Obras

Murilo lançou-se na literatura como um autor modernista, publicou algumas de suas produções na revista paulistana da década de1920. A primeira obra foi, Poemas que só veio ao público em 1930. Porém, Murilo teve outras experiências mais profundas como o contato com o Marxismo, um exemplo? ” Bamba- meu porta , além de outros trabalhos. Visionário, Murilo observava as sugestões surrealistas

Em 1935, tendo se convertido ao catolicismo, escreveu junto com Jorge Lima a obra Tempo e eternidade. Podia nota em seu trabalho a preocupação como social, o sobrenatural,, a religiosidade, o erotismo r outros. Já por volta de 1940, publicou Contemplação a Ouro Preto. Em 1950 ele já vivia na Europa e no Brasil se iniciava o Concretismo

A inquietude de Murilo diante da poesia, abriu muitos caminhos a mudança.

Comentário: VEM comigo!

Marii Freire Pereira

Imagem: Retrato de Murilo Mendes ( 1931), de Alberto da Veiga Guignard.

Santarém, Pá 27 de março de 2020

Mãos dadas

Não serei poeta de um mundo caduco.

Também não cantarei o futuro.

Estou preso à vida e olho meus companheiros.

Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças.

Entre eles, considero a enorme realidade.

O presente é tão grande, não nos afastemos.

Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas.

Não serei o cantor de uma mulher, de uma história.

Não direi os suspiros ao anoitecer,A paisagem vista da janela,

Não distribuirei entorpecentes ou cartas de suicida,

Não fugirei para as ilhas nem serei raptado por serafins.

O tempo é a minha matéria, o tempo presente, os homens presentes,

a vida presente.

Carlos Drummond de Andrade.

Literatura brasileira (William Cereja e Thereza Cochar, 2013)

VEM comigo!

Marii Freire Pereira

Santarém, Pá 27 de março de 2020

Silêncio interior

O silêncio interior é aquilo que surge a partir do abandono, da recusa de querer buscar subterfúgios no mundo real, esse em que vivemos, aonde tudo para aparecer precisar chamar a atenção de alguma forma. São as nuances! De moto geral, elas existem para ser provocativas. Claro, a idéia é ” prender-nos” de alguma forma. Às vezes, ficamos tão fascinados com as cores, com os formatos que parecemos crianças em parques de diversão. Você nota que a criança naturalmente, ela é dada a tudo que é colorido. Assim, nos como “crianças crescidas” que somos, também nos perdemos de vez em quando. Imagino que o problema maior, não seja nos perder, e sim, ter a capacidade de voltar.

[…]

Viver é isso, um singelo convite a distração. Mas, o problema é essa forma de “caminhar “. Nós caminhamos muito para fora. É tudo feito com muita pressa. Há situações que por causa do encanto que ela provoca, mexendo com as nossas emoções, costumamos dá passos largos, na ânsia de nos apressar e aproveitar o melhor da festa. E olha, que há quem aproveite de verdade esses momentos, quem saiba usufruir com destrezatodas as pequenas oportunidades que a vida nos apresenta vez por outra. O problema é quando se percebe que há uma censura, e quando a vida perde o sentido, melhor, alegria fica escondida pelos cantos. Sabe pó? É pó que se acumula no interior da casa? Assim ficamos nós, com uma tristeza a qual, não sabemos definir. O que fazer em momentos assim?

Há quem passe longos períodos buscando compreender a razão de se perder dentro desse grande labirinto que somos nós. Gente que briga no raso de si, só porque não consegue negociar o mínimo possível, não sabe ceder, e prefere travar uma luta com o seu interior do que ser ponder diante de coisas simples.

É o ser humano vivendo a dinâmica da vida de modo desajustado. Lembra da comparação que fiz logo no inicio do texto, onde, de uma maneira metafórica, cheguei a comparar a vida ao parque de diversão? Muito bem, depois de muito ter andado e claro, se divertido, é hora de voltar a vida normal. É tempo de volta para casa, é tempo de voltar para si novamente

[…]

É tempo de abandonar todas as coisas que outrora prenderam a sua atenção. É o momento de cuidar do interior. É nele que terás que caminhar tudo novamente. Vai aprender a andar na trilha que o conduzirá ao encontro mais importante da sua vida, ” você com você mesmo”, vai reavaliar o que tem importância para permanecer, para compor a bagagem ou não.

[…]

O peso de tudo aquilo que carregamos conta muito para sabermos ligar com os obstáculos que vierem pela frente, portanto, tenha atenção redobrada, e fique atento porque o que pesa para dentro , também pesa para fora! É bom estarmos preparados para saber lidar com os desafios.

Aprenda a lidar melhor com os seus próprios limites e, saiba que a vida é sim, esse grande parque de diversão, mas brinque com cautela, tomando como exemplo toda a experiências de menino (a), que há aí dentro de você. Saiba que quando a diversão acaba, é o momento de cair em si! Portanto, cuide melhor de você. Aprenda que a melhor diversão acontece dentro de nós. O barulho só faz sentido para quem o sente, ou seja, você.

Marii Freire Pereira ( VEM comigo!)

Imagem pública

Santarém, Pá 26 de março de 2020

Pablo Neruda

” A palavra é uma asa do silêncio “.

Pablo Neruda. Presente de um poeta, 2003

Literatura brasileira: William Cereja e Thereza Cochar, ano: 2013

Marii Freire Pereira ( VEM comigo!)

Santarém, Pá 26 de março de 2020

Superação

Se supere’. Isso é uma meta que estabelecemos conosco, e temos desafio diário que é, conseguir dispor-nos algumas horas por dia para obter as respostas que precisamos, ou seja, passar pela experiência da superação.

Você não consegue nada da noite para o dia. É ilusório pensar que para alcançar o conhecimento, o ‘conhecimento verdadeiro’, e que nos permite ir além, você terá que fazer pouco esforço, ou pensar que tecer opiniões baseadas em ” achismo”, por ler notícias vinculadas ao Facebook, ou meios de comunicação alternativos, lhe fará a pessoa mais inteligente possível. Não, sinto muito em lhe dizer, você está criando uma situação tempestuosa, não é por aí.

[…]

A raiz do conhecimento é profunda, e dar-se através de muito sacrifício. O conhecimento ele confronta a realidade. Na verdade, ele vem para superar tudo aquilo que por natureza nos é, uma contradição. Portanto, enga-se quem pensar que o conhecimento primário já é o fator principal para lhe fazer alcançar o respeito de quem por exemplo, dedicou uma vida inteira ao estudo. Perdoem-me pela colocação grosseira, mas é preciso sentar a bunda numa cadeira e fazer o trabalho que pouco comprometem-se: estudar.

[…]

A pessoa que é considerada ‘ inteligente ‘ , primeiro, o que é ser inteligente? É uma pessoa que tem um vasto conhecimento acadêmico, fala duas ou três línguas, é possuidora de uma sensibilidade especial, porque é preciso se solidarizar de modo verdadeiro com pessoas ou situações. O diálogo também é outro fator importante, porque, quem não tem conhecimento não consegue produzir nada. A linha de conhecimento é vasta, portanto é possível afirmar que existem diversas maneiras de se buscar o conhecimento.

Vale dizer, que o conhecimento mesmo, vem dos livros. Claro, a era digital é importante, mas diria que ela, apesar de trazer muita facilitação, também produz muito lixo. Quer um exemplo de conhecimento verdadeiro? A literatura. Apesar de muitas pessoas não gostarem, nela é que há a provocação da vida. Toda a questão da complexidade, e a possibilidade de vermos diferentes realidade encontra-se nos textos literários. Isso é válido tanto para a Literatura Portuguesa, bem como, a Literatura Brasileira.

Parece estranho falar isso, mas é verdade. Tem-se autores maravilhosos, que vai de Miguel de Cervantes, a Machado de Assis. Nós, estamos falando da genialidade Portuguesa e Brasileira. Esses são só alguns nomes que estou citando, mas sabemos que temos outros grandes nomes, bastar pesquisar, ter a curiosidade de encontrar o trabalho não só desses, mas de vários escritores.

Todavia, o que quero dizer ‘contraponto’ a quem diz ” eu sou inteligente “, não é desmerecendo os hipertextos de quem ler ou ouve um vídeo na internet, aproveita isso para expressar ‘arrogância’ de forma plena. Não, a exemplo da genialidade citada, note que pessoas com um nível elevado de inteligência, não fazem teatro com a finalidade de se conclamar

[…]

Quem dedica ou dedicou, uma vida inteira com interesses voltados a estudos, às vezes torna-se negligente as próprias vestes, e por que? Porque ela está tão concentrada naquilo que faz, que começa a enxergar a realidade de uma maneira mais leve. Não que largue da aparência de uma vez, é que isso passa a fazer parte de um segundo plano. O que realmente importa é a realidade que lhe confronta o tempo todo.

Essa é a reflexão de quem, de fato, encontrou nos livros, o motivo maior para continuar acreditando na vida e continuar questionado as suas contradições.

[…]

Um abraço fraternal!

Marii Freire Pereira

VEM comigo!

Imagem: Google.com

Santarém, Pá 26 de março de 2020

Poema de sete faces

Quando nasci, um anjo torto

desses que vivem na sombra

disse: Vai, Carlos! Ser guache na vida

As casas espiam os homens

que correm atrás de mulheres.

A tarde talvez fosse azul,

não houvesse tantos desejos.

O bonde passa cheio de pernas:

pernas brancas pretas amarelas.

para que tanta perna, meu Deus,

[ pergunta meu coração.

Porém meus olhos

não perguntam nada.

O homem atrás do bigode

é sério, simples e forte.

Quase não conversa.

Tem poucos, raros amigos

O homem atrás dos óculos e do bigode.

Meu Deus, por que me abandonaste

se sabias que eu não era Deus

Se sabias eu e eu era um fraco.

Mundo mundo vasto mundo

se eu me chamasse Raimundo

seria uma rima, não seria uma solução.

Mundo mundo vasto mundo

mais vasto é meu coração.

Eu não devia te dizer

mas essa lua

mas esse conhaque

botam a gente comovido como o diabo.

– Carlos Drummond de Andrade

Literatura brasileira: William Cereja e Thereza Cochar. Ano: 2013

VEM comigo!

Marii Freire Pereira

Santarém, Pá 26 de março de 2020