Carlos Drummond de Andrade

Na curva perigosa dos cinqüenta

derrapei neste amor. Que dor! que pétala

sensível e secreta me atormenta

e me provoca à síntese da flor

Que não se sabe como é feita: amor,

Na quinta-feira essência da palavra, e mudo

de natural silêncio já não cabe

em tanto gesto de colher e amar

a nuvem que de ambígua se dilui

nesse objeto mais vago do quenuvem

e mais defeso,corpo! corpo, corpo,

verdade tão final, sede tão vária,

e esse cavalo solto pela cama,

a passear o peito de quem ama.

Carlos Drummond de Andrade, O quarto em Desordem. ( Textos selecionados)

Literatura Comentada.

Marii Freire Pereira

VEM comigo!

Imagem: Google

Santarém, Pá 5 de abril de 2020

Publicado por VEM comigo!

Bacharel em direito, cursando Pós-graduação em Direito Penal e Processo Penal.

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