A leitura de modo geral, ela provoca inquietações, principalmente quando é generosa, quando nos permite ver a vida sob nova expectativa. A leitura é capaz de transformar a vida. Há quem escreva para passar o tempo, assim como há quem use esse artifício para resolver os seus conflitos internos. Claro, a leitura é resposta ( retorno), e existem aqueles que têm uma facilidade maior de absorver uma informação, assim como, também existem aqueles que não dispõem da mesma capacidade intelectual para compreender o que um autor escreve. Porém, os corajosos que escolhem a leitura como um processo que permite ter uma compreensão melhor da vida, são os verdadeiros responsáveis por proporcionar ao mundo, uma revolução literária, porque isso sim, faz com que toda forma de aprendizado, sobreviva a realidade.
Acho curioso o jeito de como algumas pessoas diante de determinadas provações reagem, e acabam respondendo de uma forma que denuncia os seus conflitos internos. Digamos que elas recebem uma cargade estímulos de modo, tão profundo que psicologicamente, dizem que está bem, mas é um ‘ bem ‘ que denuncia algo que não foi bem resolvido. Quer exemplo? A pessoa geralmente diz assim: ” Quem vive de passado é museu”. Perfeito. Isso estimula a arte de pensar, e graças aos Museus nós, temos histórias maravilhosas para poder contemplar, não só a História, como um todo e avaliar de forma preciosa todo um contexto de acontecimentos, de fatos e mudanças que permitem você fazer um contrassenso. Acredito que seria uma perda imensurável não termos histórias para contar a filhos e netos. Mas, voltando ao fato, a História em si, é uma narração que nunca termina porque há sempre o que acrescentar. portanto, contemplar a vida, melhor todo esse processo de aprendizagem, é o significado ímpar ao ser humano. Isso é um ganho, certamente.
Ao comparação de quem ‘vive de passado é museu, talvez venha acompanhada de um termo pejorativo só devido a colocação, porque como dito, Museu carrega valor, e se tem valor é porque é preciso.
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Há passado que ao ser lembrado, torna-se algo muito dolorido e ao mesmo tempo comprometedor, não no sentido de desqualificar. Mas, por conter ali, um sofrimento que nunca passa, nunca sara, e no primeiro estresse, ele trás a mente lembranças carregadas de tristeza, dor e sofrimento. É como ferida, algumas criam uma crosta, mas nunca cicatriza, e ao passar a mão no local, você sente a espessura, assim como o grau de sensibilidade existente naquele local. Então, para tocar a vida, a pessoa despreza de maneira inconsciente aquela marca, mas vez ou outra, sempre sente um incômodo. E a contrariedade no caso da comparação, dar-se quando ela diz ” não dói “, mesmo sabendo que no fundo, há um certo desconforto. Mas, para mostrar -se forte, ela age com violência consigo mesmo, na tentativa de passar por cima da história, e assim conseguir superar.
Imagine você olhar para uma estrada até aonde os olhos te permitem alcançar a paisagem, e você ter consciência do quanto já caminhou ali, tentando se descobrir, violando muitas vezes a própria lei da vida para avançar com passos largos…um pouco mais adiante. Muita gente se vê descrito nesse estrada, através do pensamento. O excesso de preocupação, a inquietação que surge quando estamos demasiadamente perturbados, ou seja, vivendo os desconfortos da vida. É comum agir dessa forma, sem querer esse comprometimento, mas a medida em que se diz essa frase com tanta ênfase, tem algo ali, que internamente está sendo negado.
A proteção a vida que o tempo nos concede, vez por outra, é essa a de termos a capacidade de fazer uma higiene mental. Eu sei que é difícil explicar certas coisas a nos mesmos, porque avançar na história, implica, recuar, modificar aquilo que é possível para que se consiga construir novos caminhos. Andar nessa estrada é isso, é construir o novo a partir do que se tem. Não esquecendo do principal, ‘sonhar’, mesmo quando se tem uma vida toda comprometida com as marcas do passado.
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Às vezes, o passado é um presente que nunca que nunca morre, nunca apaga. Mas, nos temos a obrigação de caminhar mesmo quando todas as forças são contrarias.
Marii.
Hoje, por acaso, li um texto do Paulo Coelho, onde pude contatar um pensamento tecido a partir dos horrores deixado pela Ditadura as suas vítimas. Aquilo foi decifrando em mim, uma espécie de autocrítica que permitiu-me por exemplo, olhar a vida por esse gesto diria não de questionar, mas de ter a capacidade de superar. Se tem algo que nos controla é o ( passado), e a possibilidade de olhar para o futuro nesse caso, mesmo diante de um sofrimento interminável, sim porque o histórico de negação é sofrimento de quem viveu as dores e os horrores, e mesmo assim, teve a coragem de se encontrar na vida novamente, ou seja, olhar para o passado, e ter a autodeterminação e o respeito para ‘escolher viver’. A palavra é essa: escolher viver, mesmo podendo “adoecer”a qualquer momento ( psicológico), e compreender que o passado, assim como os nossos torturadores, meu e seu, permanecem vivos. Mas, temos a escolha de não trazê-los ao presente porque o que importa é aquilo que pode ser vivido hoje de maneira consciente.
Há dias em que a tristeza chega sem avisar. E você nota que ela vai se transformando em dor de silêncio. De repente, se começa a mergulhar no profundo de si. A alma começa ‘arder’, mas não é o arder em brasas, algo comparado a fogo que consome, é uma dor que vai tornando-se protagonista por dentro, de modo a nos desestabilizar por completo (a). É um desencanto, uma melancolia que vai saindo aos poucos pelos poros, e vai se tornando numa sensação indescritível, melhor: ” Indizível “, como diria Vinicius de Moraes.
E, a nossa sensibilidade é tão provocada que a dor que sentimos, passa a causar a sensação desprezo em nós mesmos. Pouco a pouco, se começa a fase de isolamento, onde é uma espécie de cárcere da alma, e assim, inevitavelmente vamos sobrecarregando a nossa mente com pensamentos de abandono. Surge a carência afetiva que fere muito mais a memória do que uma dor física, ou seja, algo provocado intencionalmente, porque leva -nos a mergulhar na consciência que direciona sempre a pensamentos de morte, sim, a dor que sentimos é tão profunda, A ponto do ser humano curva-se a idéia de morte, porque não consegue deixá-lo raciocinar por conta dos transtornos, ou seja, a confusão psíquica a qual vive num determinado momento de crise. Simplesmente, perde -se a capacidade de pensar...de viver, aliás de acreditar que a vida possa ter, ainda algum valor.
Para pessoas assim, é como se elas ” olhassem para tudo e ficassem em parte”. Não conseguem juntar as peças desse processo contínuo da vida que acaba em se cuidar. Cuidar de si mesmo.
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Pessoas que costumam perder o encanto pela vida, elas deixam de enxergar a beleza, tornam -se ‘indiferentes ‘, não só ao mundo, mas as outras pessoas, principalmente, a elas mesmas. Não existe reciprocidade em suas atitudes, porque são pessoas muito marcadas pelas lutas, lutas internas. É como se não tivessem mais a capacidade de ‘ assistir o nascer do sol, elas preferem os ‘dias de chuva’. É o lugar aonde se escondem em suas dores, seus lamentos. O que fazer quando o ser humano chega a esse ponto? O Nietzsche tem uma forma de expressar uma visão pela vida de uma maneira que acho muito interessante, diz o seguinte:
” Ninguém pode construir para você a ponte sobre a qual precisas atravessar “.
É a vida nos convidando a termos a capacidade de retornar as rédeas, o controle de tudo novamente. Acredito que isso, acaba ficando muito claro na colocação do Nietzsche, não é? Vamos desfrutar da calmaria das tardes nostálgicas novamente? É tempo de se reconhecer, de deixar os pensamentos negativos de lado, e se refazer em meio aos problemas. É preciso dialogar consigo, um diálogo íntimo e procurar superar aquilo que dilacera por dentro. A primeira coisa é procurar ajuda, se você mesmo reconhece que não tem capacidade de sair sozinho (a), de situações assim, ou ser aquela pessoa mais drástica e falar com determinação ” Eu consigo “. O importante é se libertar de pensamentos que lhe impedem de expandir.
Va! Experimente sentir a suavidade da vida, sinta a brisa novamente bater de frente, leve igual ‘ vento de proa…’ Tenha coragem, tenha atitude.
“Às vezes na vida, a reposta que se precisa vem do caos, é através das nossas atitudes, que vencemos os nossos próprios limites. É no momento máximo de crise que se mergulha nas profundezas de si, e descobre a força que se tem “.
A ilusão da liberdade é o que estamos vivendo, melhor ‘vivenciando’, e essa liberdade se confunde com a manutenção do status quo.
O que estamos vivendo não são desvaneios, ou mesmo a leitura de algo superficial, onde se possa tomar um café da manhã, lendo um livro de nossa preferência. Não, estamos diante de uma situação concreta.
Muitos [ainda], discutem a questão da Pandemia do Coronavirus com críticas que denúncia um pensamento ingênuo diante da catástrofe que isso representa para a humanidade. Ora, muitas pessoas só estão considerando o primeiro plano, aquilo que é raso, onde é uma morte causada por uma ‘ gripezinha ‘. Na dúvida, fique em isolamento para não contribuir com esses números que tem tomado proporções gigantescas a cada hora/ mundo. A gripezinha mata numa velocidade assustadora.
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Sabe-se que o problema é maior do que parece, porque tem causado uma convulsão no planeta. A realidade da história a qual se vive, é a de que ‘estamos doentes’. Mas, é uma doença que se resume a saúde pública que deficitária’, a saúde nos falta de modo geral. Aqui, entra a questão da ganância humana e a falta de escrúpulos que levar sempre o homem a conhecer os seus próprios fracassos. O não respeito pela vida, tem mostrado que, ainda não aprendemos o suficiente com as nossas mazelas.
Eis o Coronavirus para nos ensinar novamente aquilo que devemos aprender. Não é atoa que a propagação desse vírus avança rapidamente, assim faz as suas vítimas. E mais, note que pode variar em faixa etária, tanto no que se refere às pessoas novas, como as pessoas de mais idade. Portanto, o Coronavirus anda longe de ser uma gripezinha seletiva, pelo contrário, é capaz de fazer qualquer um de vítima.
Quantas pessoas morrerão por conta não do Coronavirus? Pior, quantas mortes irá acontecer em consequência do corona? Quantas pessoas não terão acesso, ou direito a uma vaga no hospital porque já tem uma pessoa diagnosticada ocupando um leito por conta de tal problema? Calcula o peso da ignorância! Outra situação fatalista, vem acompanhado com o resultado da crise econômica, a ‘escassez’ de alimentos é uma realidade nao distante, Compreende para aonde caminhamos? É um destino irremediável, e por conta dos que hoje brigam para que as pessoas possa voltar ao trabalho, esses também ( não todos, mas muitas vitimas há de surgir, sentirão esse resultado, ou seja, não é bom para ninguém.
A ‘radicalização’ que é uma consequência de tudo isso, e pega impulso não só Coronavirus, mas do momento de crise que passa o país, certamente resultará no aumento do número de miseráveis. A inanição não é uma possibilidade tão longe assim, pelo contrário, o que haverá de morte de pessoas por conta dessa catástrofe é algo para ser pensado agora. O caos faz o momento oportuno para tecer críticas construtivas, e reforçar que é preciso ter consciência do dano que isso nos causará. Aliás o preço, pois não se trara só de perda material, não tem preço para definir o valor da vida. Portanto, mais do que nunca é preciso valorizar esse bem maior.
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Poupá-las é a atitude correta a ser feito. É claro que, o Coronavirus nos deixará uma lição, mas tomando como exemplos, outras situações que também dizimou vidas em números mais significativos, e aqui vale citar a Segunda Guerra Mundial, a gripe espanhola e outros, o Coronavirus não fica distante, é bom que estejamos atentos para na medida do possível nos resguardar desse perigo.
Faça por você e pelo outro, agora estamos no mesmo patamar de igualdade. Rico e pobre podem receber ao mesmo tempo uma coroa de flores .
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Colabore com o isolamento: é bom pra você, é bom pra todos! NÃO É UMA ILUSÃO DA REALIDADE, É UMA FATALIDADE.
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