” Cantigas de portugueses
São como barcos no mar –
Vão de uma alma para outra
Com risco de naufragar…”.
Fernando Pessoa, Quadras ao gosto popular. Lisboa, 1994
VEM comigo!
Marii Freire Pereira
Imagem: Pinderest
Santarém, 9 de abril de 2020

” Cantigas de portugueses
São como barcos no mar –
Vão de uma alma para outra
Com risco de naufragar…”.
Fernando Pessoa, Quadras ao gosto popular. Lisboa, 1994
VEM comigo!
Marii Freire Pereira
Imagem: Pinderest
Santarém, 9 de abril de 2020

Ninguém sonha duas vezes o mesmo sonho
Ninguém se banha duas vezes no mesmo rio
Nem ama duas vezes a mesma mulher
Deus de onde tudo deriva
E a circulação e o movimento infinito
Ainda não estamos habituado com o mundo
Nascer é muito cumprido.
Murilo Mendes.
Se quiser conhecer melhor a poesia de Murilo Mendes acessar este site:
http://www.revista.agulha. bom.br/Jorge.html
VEM comigo!
Marii Freire Pereira
Santarém, Pá 8 de abril de 2020
” Era um cavalo todo feito em lavas
recoberto de brasas e de espinhos.
Pelas tardes amenas ele vinha
e lia o mesmo livro que eu goleava.
Depois lambia a página, e apagava
a memória dos versos mais doloridos;
então a escuridão cobria o livro,
e o cavalo de fogo se encantava.
Bem se sabia que ele ainda ardia
na salsugem do livro subsistido
e transformando em vagas sublevadas.
Bem se sabia: o livro que ele lia
era a loucura do homem agoniado
em que o incubo cavalo se nutria.
Jorge de Lima
Imagem: Três anjos, de Jorge de Lima
Literatura brasileira: William Cereja e Thereza Cochar, 2013
VEM comigo!
Marii Freire Pereira
Santarém, Pá 8 de abril de 2020

” Amor é estado de graça
e com amor não se paga”.
Carlos Drummond de Andrade.
Literatura brasileira: William Cereja e Thereza Cochar, ano: 2013
VEM comigo!
Marii Freire Pereira
Imagem: Google
Santarém, Pá 8 de março de 2020

Às vezes, a vida nos permite apreciar o tempo presente, esse que se vive com tanta pressa, de um jeito delicado. Não digo, necessariamente, ‘ delicado’, referindo-me a carinho. Não, carinho se tem pelas coisas que nos cativa. A vida nem sempre nos cativa, pelo contrário, muitas vezes, nos arrasta , intimida diante do que precisamos decifrar para compreender o verdadeiro sentido de estarmos vivos.
O processo de construção continua daquilo somos, é doloroso. Todos dias temos que nascer de novo. Temos que nos despir de alma se quisermos de fato, agregar algum valor, ao invés de ficar parado no tempo, revivendo acontecimentos que nos impede de progredir.
A vida sempre nos pega pelo avesso, sempre nos ensina pelo lado mais dolorido. É impressionante como tudo aquilo se precisa aprender, ela é tão sincera, tão franca, tão cara limpa que nos encanta. Você já viu pessoas assim, tão inteiras, donas de si mesmas? São pessoas que foram sendo costuradas pelos seus avessos, ou seja, de ” dentro pra fora”. São pessoas que aprenderam com suas dores, e não usaram de subterfúgios para se esconder.
Quando essas pessoas vivem os seus dramas, elas escolhem calar, ainda que por dentro, o silêncio seja o seu grito mais forte. É maravilhoso encontrar um ser humano tão grande, tão completo. Gente que nos é um exemplo, de força e superação,porque nos ensina a querer percorrer os mesmos caminhos, para conseguir também alcançar tal fortaleza.
Quem aprende a se decifrar, consegue lidar melhor com os seus conflitos. Sabem se colocar no lugar do outro. Claro, que muitos, em meios aos questionamentos da vida são resilentes, não se dobram. Todavia, os que se deixam aprender, sempre tem o que agregar.
De alguma maneira, porque sabem que o valor de uma envergadura saudável, é capaz de muito na vida de uma pessoa. E por mais dolorido que seja, a vida delas foram sendo construídas dentro de uma calmaria, que não nasceu de maneira repentina. Não, tudo vem de um contexto, onde elas não puderam se esconder, como tanta outras fazem. Não se anularam diante de suas fragilidades, mas souberam fazer das lágrimas verdadeiras ‘ gotas de orvalho ‘ e assim, cativar dentro de si, a poesia que há nos dias, mesmos os mais tristes .
[…]
Aprenderam a considerar o valor de ser verdadeiros consigo mesmo, é uma dádiva. E embora, muitos não consiga entender, a vida precisa desse momento de calmaria. É quando se tem um pouco mais ‘de alma…’. A alma é necessária para se construir a calma. Tem gente que não. Dependo do que aconteça, vira carrasco de si. A irritabilidade, a arrogância faz com que se esquivem de coisas tão importantes para o ser humano, que é justamente esse aprender a se relacionar consigo.
É interessante mergulhar em nós mesmos, aprender a contemplar a beleza que há no silêncio. Não ser escravo das emoções, agir sem pensar. Isso é o que nos diferencia dos demais, é esse poder de negociar, ter flexibilidade para obter algo no momento certo, respeitando o movimento da vida. De fato, é o que nos torna pessoas melhores…
…eterno aprendizes!

” Deixa que o meu olhar desça
Ao fundo da tua alma,
Que olhando-te te conheça
E saiba o que há sob a calma
Do teu ser visto tão suave
Como o voar de uma ave.
…
Deixa que eu olhe os teus olhos
E fite os não ver
Mas só perceber
Uma alma à vista nascer
E eu ver-te os sentimentos
Nos meus atentos “
Fernando Pessoa.
VEM comigo!
Marii Freire Pereira
Santarém, Pá 8 de abril de 2020
” E o olhar estaria ansioso esperando
E a cabeça ao sabor da mágoa balançando
E o coração fugindo e o coração voltando
E os minutos passando e os minutos
[ passando…
Vinícius de Moraes ( Nova antologia poética. São Paulo: Companhia das letras, 2009)
VEM comigo!
Marii Freire Pereira
Santarém, Pá 8 de abril de 2020
Não quero nem devo lembrar aqui por que me encontrava naquela barca. Só sei que ao redor tudo era silêncio e treva. E me sentia bem naquela solidão. Na embarcação desconfortável, tosca, apenas quatro passageiros. Uma lanterna nos iluminava com sua luz vacilante: um velho, uma mulher com criança e eu. […]
Debrucei- me na grade de madeira carcomida.
Acendi um cigarro. Ali estávamos os quatro, silenciosos
com mortos num antigo barco de mortos deslizando
na escuridão. Contudo, estávamos vivos. E era Natal.
Lygia Fagundes Telles, ” Natal na barca”. In: Antes do baile verde. Rio de Janeiro, 1979.
VEM comigo!
Marii Freire Pereira
Imagem: Paulo Magalhães/ Getty
Santarém, Pá 7 de abril de 2020

” Trocando em miúdos, pode guardar
As sombras de tudo que chamam lar
As sombras de tudo que fomos nós “
Chico Buarque. In: Adélia Bezerra de Menezes Bolle, org. Chico Buarque de Holanda. São Paulo, abril, 1980.
VEM comigo!
Marii Freire Pereira
Santarém, Pá 7 de abril de 2020
” Não sei quantas almas tenho.
Cada momento mudei.
Continuamente me estranho.
Nunca me vi nem acabei.
De tanto ser, só tenho alma.
Quem tem alma, não tem calma…”
Fernando Pessoa, Novas Poesias Inéditas, Ática, 1973.
VEM comigo!
Marii Freire Pereira
Imagem pública
Santarém, Pá 7 de abril de 2020

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