” Por isso sou triste, orgulhoso: de ferro.”
Carlos Drummond de Andrade. Confidência do Itabirano. Texto Selecionados. Literatura Comentada.
Marii Freire Pereira
VEM comigo!
Imagem: WordPress
Santarém, Pá 11 de maio de 2020

” Por isso sou triste, orgulhoso: de ferro.”
Carlos Drummond de Andrade. Confidência do Itabirano. Texto Selecionados. Literatura Comentada.
Marii Freire Pereira
VEM comigo!
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Santarém, Pá 11 de maio de 2020

Há pessoas que cuidam muito bem dos outros, menos de si. Talvez, por não estarem preparadas, por não saber lidar com os seus limites ou ainda, não reconhecerem que elas mesmas precisam de um cuidado especial, ou seja, o cuidar primeiramente de si. É regra da vida. Eu só posso me doar a alguém se tenho condições para isto, porque do contrário, se faltar-me a estruturanecessária, o resto não funciona. Mas no autoabandono não, ao invés de se cuidar de mim, nego atenção.
O que justifica o autoabandono? O não reconhecimento do seu próprio valor? Será que essas pessoas foram a vida inteira tão machucadas que deixaram de sentir dor? São insensíveis para aquilo que lhes machuca? Todos nós, temos os nossos problemas, mas ser inumano consigo, é uma conduta não solidária. Não é natural dar-se esse tipo de tratamento, pelo contrário. Isso as transforma em carrasco de si mesmas. Ninguém é de ferro, todos nós, em algum momento da vida estaremos diante de situações que nos torna pequenos, tristes, irreconhecíveis talvez. Todavia, é preciso avaliar que nenhum tratamento desumano para consigo é normal. Na verdade, é uma atitude imatura. Se você for avaliar, é uma relação desigual, uma vez que, se é capaz de cuidar do outro, mas negligente ao que escandaliza dentro do seu interior. É a rejeição que tenho a mim mesmo, ou seja, ao juramento do calor que tenho.
O ser humano é muitas vezes, um conjunto de neurose, não porque ele escolhe, é porque é uma característica própria de cada um. Nós somos seres imperfeitos. E a liberdade que se tem em escolher o que entra ou sai da nossa vida, determina muita coisa. Determina inclusive, parte do que somos. É como diz o ditado popular ” errar é humano “. Errar nos deprime, certamente. Mas, o que há de melhor e mais bonito nisso tudo, digo nesse jogo de erros e acertos, é esse olhar especial que temos sobre nós mesmos. É na maioria das vezes, discordar de algo, mas pensar, analisar tudo aquilo que deu origem ao embaraço. Quem não errar? Todos erram basicamente na mesma proporção ou de repente, tem sempre uns indivíduos que se superam. Mas via de regra, a vida recomeça exatamente do ponto que pára. Por que desistir de si? Por que fingir que não dói? Há sempre um choro que se chora por dentro, um lamento que se deixa de fazer por achar que o outro não compreende. Tudo isso se manifesta dentro de nós, não como negar. Inumanos consigo? Por mais difícil que seja uma realidade, sempre é interessante contestar, porque aí sim, se pode trabalhar o que incomoda.
Existem um pensamento dito por Sócrates há mais de 2.500 anos que diz que o ser humano só consegue ser perfeitos quando ele agrega, quando junta força com os demais. Sócrates estava certo. Nós só acertamos quando somamos. Quando divide não. Quando divide só perdemos…sempre. Por isso, devemos aprender a lidar melhor com os nossos problemas, nossas dores, com os nossos conflitos pessoais, porque só assim se pode cuidar do outro e também de nós. Isso é fundamental para cada um.
Marii Freire Pereira
Imagem ” cheiro de lavanda
Santarém, Pá 11 de maio de 2020

Tenho apenas duas mãos
e o sentimento do mundo,
Mas estou cheio de escravos,
minhas lembranças escorrem
e o corpo transige
na confluência do amor.
Quando me levantar, o céu
estará morto e saqueado,
eu mesmo estarei morto,
morto meu desejo, morto
o pântano sem acordes.
Os camaradas não disseram
que havia uma guerra
e era necessário
trazer fogo e alimento.
Sinto-me disperso,
anterior à fronteiras,
humildemente vos peço
que me perdoeis.
Quando os corpos passarem,
eu ficarei sozinho
desfiando a recordação
do sineiro, da viúva e do microscopista
que habitavam a barraca
e não foram encontrados
ao amanhecer
esse amanhecer
mais noite que a noite.
Carlos Drummond de Andrade. Sentimento do Mundo. Literatura Comentada, 1940
Marii Freire Pereira
VEM comigo!
Santarém, Pá 11 de maio de 2020
“A felicidade parece para aqueles que choram
Para aqueles que se machucam.
Para aqueles que buscam e tentam sempre.
E para aqueles que reconhecem a importância das pessoas que passam por duas vidas “.
Clarice Lispector, Sonhe.
Escola educação
Marii Freire Pereira
VEM comigo!
Santarém, Pá 10 de maio de 2020
Todos nós sabemos que um dia vamos morrer, a morte é inevitável. Acredito que só nós, os humanos tenhamos essa concepção de modo muito claro. Os animais não. Eles não contemplam esse conceito de finitude. O homem sim, a morte simboliza notoriamente aquilo que é perecível. Nos somos frágeis, perecíveis.
A vida tem começo, meio e fim. Sucede que, nesse ” começo, meio e fim…” a gente vai ficando aos pouquinhos em cada parte, e o nosso destino, vai se completando.
[…]
Essa trilha, digo essa ” passagem” pela vida é finita. É como afirma uma Frase do Fernando Pessoa ” Em tudo quanto olhei fiquei em parte…”. De fato, se fica. Às vezes, no sentido, ou no pouco que se morre todos os dias, nas nossas insatisfações, nas perspetivas que contempla um desejo natimorto ou seja, que no fundo você sabe que ele nasce e morre nas mesma proporção. A vida é assim, se damos a ela um sentido, imediatamente, mostra-nos uma direção, mas muitas vezes, sem perspectiva.
O indivíduo consegue ser dono de si, mas não do tempo. Absolutamente tudo pode acontecer, assim como, nada. Podemos traçar planos, mas findá-los nem sempre. O tempo é fugaz. Ao contrário do que muitos pensam, ele não é um prêmio. Cada um tem um destino ( sorte), e talvez a nossa maior preocupação aqui, é sermos felizes
[…]
Felicidade é o prêmio, é o regalo da vida. A melhor sensação que temos, é a de passar por ela e conseguirmos ser felizes, porque do contrário, a vida nao valeu a pena.
Não podemos ser indiferentes a vida, temos que ser gratos e fazer por onde possamos alavancar a felicidade porque nesse caso, digo no ato de buscar a felicidade, também se busca o equilíbrio, a perfeição, e tudo aquilo nos ajuda compreender o conceito de uma vida bem vivida. A morte é inevitável, mas temos que ser capazes de viver e trabalhar para aquilo que ajuda construir a nossa felicidade
Marii Freire Pereira
Imagem: Google
Santarém, Pá 10 de maio de 2020

“Agora vamos correr o pomar antigo
Bicos aéreos de patos selvagens
Tetas verdes entre folhas
E uma passarinhada nos vaia
Num tamarindo
Que decola para o anil
Árvores sentadas
Quintadas vivas de laranjas maduras
Vespas”.
Oswald de Andrade. Bucólica
Imagem: Salvador Dalí, Google
Santarém, Pá 10 de maio de 2020

” Mas que na forma se disfarce o emprego
Do esforço; e a trama viva ser construa
De tal modo, que a imagem fique nua,
Rica mas sóbria, como um templo grego…”
Olavo Bilac. A um poeta ( In: Antonio Candido e José A. Castello. Presença da literatura brasileira _ Das origens do Romantismo. São Paulo: Difel, 1966
VEM comigo!
Marii Freire Pereira
Santarém, Pá 10 de maio de 2020
” O tempo pode saber que alguns erros caíram, e a raiz da vida ficou mais forte, e os náufragos não cortaram essa ligação subterrânea entre homens e coisas: que os objetos continuam, e a trepidação incessante não desfiguram o rosto dos homens; que somos todos irmãos…”
Carlos Drummond de Andrade, Os Últimos Dias. Textos Selecionados. Literatura Comentada. Nova Cultural.
Marii Freire Pereira
VEM comigo!
Imagem: Google
Santarém, Pá 10 de maio de 2020

Há tantas formas de definir a palavra mãe. Procriar, afeto sem limites, angústia, dor, sofrimento, assedio, abuso, maus tratos, frio, fome, delicadeza, negligência, ternura, e tantas outras contribuições que elenca e assegura de tal igualdade a mulher em nossa sociedade.
São títulos que, antecipadamente são concedidos a mulher- mãe. Não pense que ser mãe, é somente aquela imagem de uma bela mulher com uma criança sorrindo e jogando para o alto. Não, isso é marketing. É uma imagem que vende docilidade da maternidade. Todavia, vale fundamentar que mães são bravas e flexivas ao mesmo tempo. Muitas mulheres descobrem uma forma de exercer a legitimidade de mãe ali, no dia a dia. É uma criança que por alguma razão perdeu os seus pais e, portanto, precisa da criação urgente de novos vínculos afetivos, de alguém que chame de mãe, que tenha a referência de mãe. É uma avó, uma tia, uma irmã, cunhada, e esse número pode ir aumentando, dependendo da demanda. Você compreende o que estou tentando dizer? São filhos de uma relação de amor que chegam de todas as formas, desde aquela que você concebe ou acolhe. Filhos são filhos, antes de qualquer coisa, de amor. Crianças que chegam na vida das pessoas com a finalidade de construir uma nova realidade que até então, não existia. E se você notar, aquela relação entre a criança e a nova família, muitas vezes percebe que ela chegou para preencher um vazio, para produzir um equilíbrio emocional tão grande que a missão daquela mãe é criar e sacrificar a vida pela prole.
Às vezes, essas crianças chegam muita novamente de uma família, e é até possível criar desde cedo, uma relação de cuidado que parece que você sonhou, decidiu ou escolheu, que é justamente, criar um quartinho cor de rosa, ou azul. Comprar a primeira boneca, fraldas, bicos de mamadeira, ou para o meninos, os carrinhos, bolas, as roupinhas e tudo mais. Quer dizer, é um mundo que você constrói. Quase sempre constrói. Todavia, tem aquelas crianças que você simplesmente, não tem como preparar nada disso. Elas chegam de surpresa e você como mãe acolhe.
[…]
Chorar e não levar desaforo para casa é uma das coisas que se ensina. Claro, imagina ter uma parte dos seus direitos que lhes foram retirados e você não aprender lutar pelo resto, é covardia. Isso é coisa que só mãe guerreira ensina.
Mãe, mãe, mãe…” mamãe!” Que bom que esse instituto sagrado sempre ressuscita de qualquer lugar. E aqui vale a máxima ” O que Deus uniu, o homem não separa”. Acho que ela deveria caber exatamente aqui. Trocaram de lugar e o negócio dá trabalho até hoje. Estou brincando! Na verdade, isso é só para aliviar esse conceito de mãe, mulher que a sociedade as transforma em verdadeiras mártires.
Amigos, o conceito de mãe, digo de maternidade é enaltecido em nossa sociedade desde que, a filha é só um ser ainda muito pequeno, e vai se tecendo o mundo dessa criança até que ela chegue na fase adulta e assim, tenha condição de ter os seus próprios filhos. O desejo de ser mãe nos é alimentado desde…sempre. E não tem hora marcada para que isso aconteça. Se é mãe, muito nova ou com a idade já avançada. Tem mulheres que preferem construir uma carreira profissional primeiro para exercer a maternidade mais tarde. Para a maioria, os filhos simboliza uma realização plena.
Mãe é um ser que carrega consigo a esperança de sempre poder contemplar o filho ( a), numa condição melhor do que a sua. O conceito de mãe é construída dentro de uma série de exigência, mas nenhum é maior do que aquilo que ela possa ser, o direito e o dever de ser MÃE, ‘só mãe’. Isso é o que eternizar o conceito materno, é aquilo que não rompe essa imagem de sacralidade que temos a respeito de mãe.
FELIZ DIA DAS MÃES.
Marii Freire Pereira
Imagem: elo 7
Santarém, Pá 10 de maio de 2020

Porque Deus permite
Que as mães vão-se embora?
Mãe não tem limite
É tempo sem hora
Luz que não apaga
Quando sopra o vento
E chuva desaba
Veludo escondido
Na pele enrugada
Água pura, ar puro
Puro pensamento
Morrer acontece
Com o que é breve e passa
Sem deixar vestígio
Mãe, na sua graça
É eternidade
Por que Deus se lembra
_ Mistério profundo _
De tirá-la um dia?
Fosse eu rei do mundo
Baixa uma lei:
Mãe não morre nunca
Mãe ficará sempre
Junto de seu filho
E ele, velho embora
Será pequenino
Feito grão de milho
Carlos Drummond de Andrade, Para Sempre. In: Lição de coisas. 1962
https: // http://www.escritas.org
Marii Freire Pereira
VEM comigo!
Imagem : Cheiro de lavanda.
Santarém, Pá 9 de maio de 2020

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