Carlos Drummond de Andrade

Porque Deus permite

Que as mães vão-se embora?

Mãe não tem limite

É tempo sem hora

Luz que não apaga

Quando sopra o vento

E chuva desaba

Veludo escondido

Na pele enrugada

Água pura, ar puro

Puro pensamento

Morrer acontece

Com o que é breve e passa

Sem deixar vestígio

Mãe, na sua graça

É eternidade

Por que Deus se lembra

_ Mistério profundo _

De tirá-la um dia?

Fosse eu rei do mundo

Baixa uma lei:

Mãe não morre nunca

Mãe ficará sempre

Junto de seu filho

E ele, velho embora

Será pequenino

Feito grão de milho

Carlos Drummond de Andrade, Para Sempre. In: Lição de coisas. 1962

https: // http://www.escritas.org

Marii Freire Pereira

VEM comigo!

Imagem : Cheiro de lavanda.

Santarém, Pá 9 de maio de 2020

Publicado por VEM comigo!

Bacharel em direito, cursando Pós-graduação em Direito Penal e Processo Penal.

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