Desistir é coisa de quem não sabe se decifrar

A maior dificuldade do ser humano é saber lidar com aquilo que lhe desafia, o que o deixa irritadiço, o que causa angústia e a sensação de impotência. A impressão que temos na hora da autoavaliação é que somos nossos maiores inimigos. Por que digo isso? Porque diante de uma ‘ mesa-redonda’, digo ao expor as nossas misérias, as nossas fragilidades diante de nós mesmo, a gente se acovarda. E mais, querendo ou não, acabamos mudando até de planos, menos de consciência.

Às vezes, a nossa ansiedade para conquistar algo é tão profunda que ao tropeçar, uma, duas, três vezes, desistimos. Não é assombroso? Mas é isso o que acontece. Grande parte das pessoas, não sabem lidar com as perdas. Elas, se abandonam ou abandonam os seus objetivos, porque não conseguem enfrentar as dificuldades.

Perder nem sempre é fácil, mas o segredo de ser merecedor de algo, ou mesmo, de subir ao pódio, é exatamente este, ou seja, suportar as contrariedades, porque são elas que nos norteiam, principalmente Quando estamos sozinhos. Geralmente, choramos, dizemos que há um medo que não nos deixa ir adiante, e tudo vai acontecendo assim, causando uma inquietação dentro de nós. Simplesmente, não conseguimos refletir. O raciocínio fica comprometido por conta de pensamento embaraçosos.

É um momento em que, geralmente se fica tenso (a), se sentido injustiçado (a) detesta barulho, quer ficar quieto (a), são coisas comuns. O medo é a resposta negativa do nosso comportamento ‘ retraído ‘. O medo nos paralisa, impede de andar. Todavia, existe uma forma de reagimos a ele, que avaliando o que precisa ser mudado. Em geral, uma atitude sábia é aquela que procurar novas respostas. Claro, que no meio dessa confusão, nesse “emaranhado de pensamentos”, a autocrítica é inevitável. Mas, não a que nos deixa pra baixo, Mas aquela que me direciona ao criativo. Na verdade, todos nós, temos problemas, alguns msis, outros menos. O que determina o sucesso é a forma de lidar com as dificuldades.

Uma pessoa que não sabe se decifrar, ela sempre terá muitas dificuldades. Mas, a partir do momento em que desenvolver o hábito de ter uma atitude mais generosa consigo mesmo, tendo paciência, o que é fundamental, mudando as estratégias, a forma de pensar, tudo isso é muito bom. Primeiro, porque se aprende a enfrentar os problemas de um jeito saudável. E segundo, porque você tem o controle diante de qualquer gesto de mudança. Você não irá sofrer como antes.

Um dos maiores problemas em nossas vida é ter atitudes ingênuas, ou acreditar que tudo nos virá fácil, e que não precisamos nos esforçar. Claro, muitas pessoas têm sorte. Eu costumo dizer que tem sorte porque não precisam se esforça tanto para conquistar os seus objetivos. E acredito que o gosto da conquista, ele só é maior, ou seja, é valoroso, quando há essa exigência, porque quando se tem a capacidade de meditar, reagir e tolerar, é que se conquista o equilíbrio. Isso vale até quando alguém ‘se sai’ melhor do que nós. Se sou capaz de suportar o sucesso do outro, mesmo quando ele conquista o que eu gostaria, é bom. Bom porque também se ganha…em experiência, porque pode até parecer estranho, mas saber reagir diante dessas situações, nos faz mais sábios, coerentes, capazes de assumir o controle de tudo diante da vida.

Nós seres humanos, estamos sempre nos superando. As perdas são boas, porque nos faz despertar para uma realidade nunca imaginável. Às vezes, o chão nos ensina uma lição que nunca aprenderíamos se estivéssemos por cima, digo vivendo dentro de uma situação de vantagem. É importante que se aprenda desde cedo, o valor de não desistir daquilo que queremos, e que só se chega a algum lugar através d e uma atitude de teimosia, não de repetir os mesmos erros, mas de sermos criativos, resilientes…só assim..somos capazes.

Marii Freire Pereira

Imagem: Canstockphoto.com.br

Santarém, Pá 23 de junho de 2020

Alberto Caeiro

” Amar é a eterna inocência,

É a única inocência não pensar…”

Alberto Caeiro. ( heterônimo de Fernando Pessoa). Obra poética. Rio de Janeiro: Aguilar, 1960. p. 139

VEM comigo!

Marii Freire Pereira

Criação: Marii Freire

Imagem: Singingboat.tumblr.com

Santarém, Pá 23 de junho de 2020

Casimiro de Abreu

Eu tenho uns amores – quem é que os não

[ tinha

Nos tempos antigos? – Amar não faz mal;

As almas que sentem paixão como a minha,

Que digam, que falem em regra geral.

_ A flor dos meus sonhos é moça bonita

Qual flor entre’aberta do dia ao raiar;

Mas onde ela mora, que casa ela habita,

Não quero, não posso, não devo contar!

………………………………………………………….

Oh! ontem no baile com ela valsando

Senti as delícias dos anjos do céu!

Na dança ligeira qual silfo voando

Caiu-lhe do rosto seu cândido véu!

_ Que noite e que baile! _ Seu hábito

[ virgem

Queimava- me assustava faces no louco valsar,

As falas sentidas, que os olhos falavam,

Não quero, não posso, não devo contar!

Depois indolente firmou-se em meu braço,

Fugimos das salas, do mundo talvez!

Inda era mais bela rendida ao cansaço,

Morrendo de amores em tal languidez!

_ Que noite e que festa! e que lânguido rosto

Banhado ao reflexo do branco luar!

A neve do colo e das ondas dos seios

Não quero, não posso, não devo contar!

………………………………………………………….

_ Agora eu vos juro… Palavra!! – não minto!

Ouvi a Formosa também suspirar;

Os doces suspiros, que os ecos ouviram,

Não quero, não posso, não devo contar!

Então nesse instante nas águas do rio

Passava uma barca, e bom remador

Cantava na flauta: – ” Mas noites d’estio

O céu tem estrelas, o amor tem amor!”

E a voz maviosa do bom gondoeiro

Repete cantando: – ” viver é amar!”

Se os peitos respondem à voz do barqueiro…

Não quero, não posso, não devo contar!

Trememos de medo…a boca emudece

Mas sentem- se os pulsos do meu coração!

Seu seio nevado de amor se intumesce

E os lábios se tocam no ardor da paixão!

_ Depois…Mas já vejo que vós, meus

[ senhores,

Com fina malícia quereis me enganar;

Aqui faço ponto; – segredos de amores

Não quero, não posso, não devo contar!

Casimiro de Abreu. Segredos ( poesia completas de Casimiro de Abreu. Rio de Janeiro: Ediouro, s.d.p 61- 3.)

Literatura brasileira: William Cereja e Thereza Cochar. Atual. 2013

VEM comigo!

Marii Freire Pereira

Imagem: Madonna della salute: Joseph Mallord Willian Turner. Venice. 1835. Metropolitan Museum of Art.New York .

Santarém, Pá 23 de junho de 2020

U2- Miss Sarajevo

” Dici che il fiume

Trova la via al mare

E come il fiume

Giungerai a me

Oltre i confini

E le terre assetate

Deci che come fiume

Como fiume

L’amore giungerà

L’amore

E non so più pregare

E nell’amore non so più sperare

E quell’amore non so più aspettare

Os there a time for tying ribbons

A time for Christmas trees

Is there a time for tying tables

And the is set to freeze.”

Composição: Brian Eno/ U2

https:// m.letras.mus.br

VEM comigo!

Marii Freire Pereira

Imagem: Google. ULTRAVIOLET

Santarém, Pá 22 de junho de 2020

José Saramago

” A vida é breve, mas cabe nela muito mais do que somos capazes de viver…”

https://www.mensagens 10.com.br

Marii Freire Pereira

VEM comigo!

Imagem: Via Facebook

Santarém, Pá 22 de junho de 2020

Machado de Assis

” Ficando só, refleti algum tempo, e tive uma fantasia. Já conheceis as minhas fantasias. Contei-vos a da visita imperial; disse-vos a desta casa do Engenho Novo, reproduzindo a de Mata-cavalos…A imaginação foi a companheira de toda a minha existência, viva, rápida, inquieta, alguma vez tímida e amiga de empacar, as mais delas capaz de engolir campanhas e campanhas, correndo. Creio haver lido em Tácito que as águas iberas concebiam pelo vento; se não foi nele, foi noutro autor antigo, que entendeu guardar essa crendice nos seus livros. Neste particular, a minha imaginação era uma grande égua ibera; a menor brisa lhe dava um porto, que saía logo cavalo de Alexandre, mas deixemos de metáforas atrevidas e impróprias dos meus quinze anos. Digamos o caso simplesmente. A fantasia daquela hora foi confessar a minha mãe os meus amores para lhe dizer que não tinha vocação eclesiástica. A conversa sobre vocação tornava-me agora toda inteira, e, ao passo que me assustava, abria-me uma porta de saída. ” Sim, é isto, pensei; vou dizer a mamãe que não tenho vocação, e confesso o nosso namoro; se ela duvidar, conto-lhe o que se passou outro dia, o penteado e o resto…”

( Dom Casmurro, em Machado de Assis, Obra completa em quatro volumes. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2008. p.975)

Vem comigo!

Marii Freire Pereira

Imagem: Arquivo pessoal

Santarém, Pá 22 de junho de 2020

Fechada e não viúva

Por vezes na vida, nos ocorre pensamentos tomados de lembranças, algumas boas, outras meio desajeitadas e aquelas permeadas de angústias infinitas. Nós pobres mortais, diante daquilo tudo, digo daquela enxurrada de informações, vamos fazendo uma espécie de varredura, procurando o que há de valioso no meio de toda aquela desorganização mental que nos ocorre. E com isso, se consegue tocar no que desperta prazer, fascínio. Mas, antes de se chegar, às vezes, choramos com exclamações lamentosas do que nos foi decompondo por dentro, digo: as nossas paredes, estruturas de modo geral. Acho interessante trabalhar essa idéia do ser humano, como casa. Por que falo isso? Porque nos somos assim, paredes por dentro e por fora. E se notar, às vezes, por fora existe uma beleza que encanta, mas dentro ruína!..

É natural que diante de algumas insatisfações, se sinta a necessidade de modificar alguma coisa. Algum conceito, uma nova postura. Mas nem sempre isso é fácil. Todavia, ninguém chega a lugar nenhum, sem que antes der o primeiro passo.

_ É!.. não se pode chegar ao tesouro, sem antes, soubermos lidar com as dificuldades que nos levaram até ele. Infelizmente. Diria que ” destino aventuroso” o nosso. Mas, como estava falando, para viver é preciso correr riscos. De repente, se soluça, mormura-se ali, dentro de toda uma particularidade que nos “aperta e encolhe ao mesmo tempo”. Mediante isso, vamos nos fechando, enxugando os olhos, perdendo o resto do reboco que nos resta.

[…]

No meio dessa comoção profunda, pouco a pouco, vamos nos retirando daquele imóvel ” entulhado” de coisas descartadas. Pedaços de memórias perdidas, coisas que já não fazem nenhum sentido.

_ Adeus!

Lentamente damos as costas. Pronto, somos retirantes (…), Partimos rumo ao novo. ” Fechada sim, viúva não “. O abandono é em relação a cabeça, melhor: é o abandono do pensamento velho para alcançar o novo. Por isso, quando tiver que mexer com as suas estruturas, entenda uma coisa: vai chacoalhar tudo, mas no final, toda transformação nos é benéfica. E se por acaso, tiver precisando mexer com as suas estruturas, tenha coragem, o momento é este. Não adianta ficarmos em areias movediças, pois diante da nossa fragilidade, não há como se sustenta. Melhor mesmo é ter coragem e ousadia para seguir em frente.

O amanhã, é sempre um novo dia! Há tanta coisa boa nos esperando lá fora. Der um passo. Vá sem medo!..

[…]

Marii Freire Pereira

Imagem: Pinterest. Jay Wendding Lady

Santarém, Pá 22 de junho de 2020

Rachel de Queiroz

” _ Tem gente pra tudo, neste mundo! Uma moça branca, tão bem pronta, chorar mode retirante…”

(O quinze. Rio de Janeiro: J. Olympio, 1984. P. 81-4)

Literatura brasileira: William Cereja e Thereza Cochar. Atual, 2013

VEM comigo!

Marii Freire Pereira

Imagem: Pinterest. Antônio Lidio Gomes

Santarém, Pá 22 de junho de 2020

Ney Matogrosso

“Eu hoje tive um pesadelo e levantei atento, a tempo

Eu acordei com medo e procurei no escuro

Alguém com o seu carinho e lembrei de um tempo

Porque o passado me traz uma lembrança

Do tempo que eu era criança

E o medo era motivo de choro

Desculpa pra um abraçou consolo

Hoje eu acordei com medo, mas não chorei

Nem reclamei abrigo

Do escuro eu via um infinito sem presente

Passado ou futuro

Senti um abraço forte, já não era medo

Era uma coisa sua que ficou em mim, que não tem

fim

De repente a gente vê que perdeu

Ou está perdendo alguma coisa

Morna e ingênua

Que vai ficando no caminho

Que é escuro e frio, mas também bonito

Porque é iluminado

Pela beleza do que aconteceu

Há minutos atrás “.

Ney Matogrosso. Poema

Compositores: Roberto Frejat e Agenor Neto/ Cazuza.

Fonte: LiricFind.

VEM comigo!

Marii Freire Pereira

Imagem: Pinterest. lulacerda.ig.com.br

Santarém, Pá 21 de junho de 2020

Machado de Assis

Magistral!..

Hoje é aniversário dele: Joaquim Maria Machado de Assis. Um nome que ficou eternizado na história da literatura brasileira. Um homem que faz você procurar no dicionário as acepções adjetivas de ” oblíquo” e ” dissimulado” para caracterizar a menina dos ” olhos de ressaca “, Capitu.

Capitu é um nome que ficou na memória de todos nós. Mas, Machado de Assis, acabou destacando-se muito por mais por suas obras do que isso. Todavia, Dom Casmurro, é uma de nossas primeiro lembranças, ao se falar de Machado.

Bem, cada um com seu gosto. Eu aproveito esse momento para ressaltar uma colocação do Carlos Heitor Cony que disse uma vez: ” Capitu foi uma mulher extraordinária. Sem ela, a humanidade seria mais chata do que é “. Perfeito!!

Mas vamos um texto de de Dom Casmurro:

Uma noite dessas, vindo da cidade para o Engenho Novo, encontrei no trem da Central

um rapaz aqui do bairro, que eu conheço de visita é de chapéu. Cumprimentou-me,

sentou -se ao pé de mim, falou da lua e dos ministros, e acabou recitando-me versos.

A viagem era curta, e os versos pode ser que não fossem inteiramente maus. Sucedeu, porém, que, como eu estava cansado, fechei os olhos três ou quatro vezes; tanto bastou

para que ele interpretasse a leitura e metesse os versos no bolso.

[…] No dia seguinte entrou a dizer de mim nomes feios, e acabou alcunhando-me Dom Casmurro. Os vizinhos, que não gostam dos meus hábitos reclusos e calados, deram curso à alcunha, que afinal pegou.

[…] Não consultes dicionários. Casmurro não está aqui no sentido que eles lhe dão, mas no que lhe pôs o vulgo de homem calado e metido consigo. Dom veio por ironia, para atribuir-me fumos de fidalgo. Tudo por estar cochilando! Também não achei melhor título

para a minha narração; se não tiver outro daqui até ao fim do livro, vai este mesmo”.

Marii Freire Pereira

Imagem: Arquivo pessoal

Criação: Marii Freire Pereira.

VEM comigo!

Machado de Assis. Dom Casmurro. 3 ed. Ciranda Cultural, 2019

Santarém, Pá 21 de junho de 2020