Joaquim Manuel de Macedo

” Recebi esse breve que já não devo conservar, porque eu amo outra que não sou vós, que é mais bela e mais cruel do que vós!..”

Joaquim Manuel de Macedo ( A Moreninha)

Literatura brasileira: William Cereja e Thereza Cochar. São Paulo, 2013

Marii Freire Pereira

https://pensamentos.me/ VEM comigo!

Imagem: arquivo pessoal

Santarém, Pá 6 de agosto de 2020

VEM comigo!

Em cada dia, existe uma relíquia breve; o resultado daquilo que ainda não fizemos. Mas acordamos cedo, com a vontade de que nossa ação derradeira tenha como resultado, o prazer de pensamentos bons, algo que dentro do nosso silêncio, traga paz e faça- nos acreditar que no dia seguinte, sejamos capazes de fazer melhor. Não é? A vida é uma conquista, ainda que no nosso modo rude e agressivo de discipliná- la, a gente só queira fazer um esforço humilde…para ter o privilégio de se reconciliar com o que a nossa consciência elogia.

Marii Freire.

https://pensamentos.me/ VEM comigo!

Imagem: Morgan Lafleur

Santarém, Pá 6 de agosto de 2020

Jorge de Lima

” ENTRE A RAIZ E A FLOR: O TEMPO”.

https://revistas.ufpr.br

Imagem: Pinterest. Sweet Angel

Marii Freire Pereira

VEM comigo!

Santarém, Pá 5 de agosto de 2020

Fernando Pessoa

Não sei quantas almas tenho.

Cada momento mudei.

Continuamente me estranho.

Nunca vi nem achei

De tanto ser, só tenho alma.

Quem tem alma não tem calma.

Quem vê é só o que vê,

Quem sente não é quem é

Atento ao que sou e vejo,

Torno- me eles e não eu.

Cada meu sonho ou desejo

É do que nasce é não morreu.

Sou da minha própria paisagem;

Assisto à minha passagem,

Diverso, Mobil é só.

Não sei sentir-se me onde estou.

Por isso, alheio, vou lendo

Como páginas, meu ser

O que segue não prevendo,

O que passou a esquecer.

Noto à margem do que li

O que julguei que senti,

Releio e digo: ” Fui eu?”

Deus sabe, porque o escreveu.

Fernando Pessoa. Não sei quantas almas tenho.

https://www.revistabula.com

Marii Freire Pereira

VEM comigo!

Imagem: Pinterest. Pablo Pazos

Santarém, Pá 5 de agosto de 2020

Rubem Braga

” Sentiu uma coisa boa dentro de si, uma certa de que nem tudo se perde na confusão da vida e que uma vaga mais imperecível ternura é prêmio dos que muito souberam amar.

Pensador.com

Marii Freire Pereira

VEM comigo!

Imagem: Pinterest. Web.nimes.com

Santarém, Pá 5 de agosto de 2020

Fernando Sabino

” Para mim, o ato de escrever é muito difícil e penoso, tenho sempre de corrigir e reescrever várias vezes. Basta dizer, como exemplo, que escrevi 1.100 páginas datilografadas para fazer um romance, no qual aprovetei pouco mais de 300

Fernando Sabino. O duro ofício de escrever.

https://www.pensador.com

Marii Freire Pereira

VEM comigo!

Imagem: Pinterest. Wallpad

Santarém, Pá 5 de agosto de 2020

O que é seu chega espontaneamente

Às vezes, chega de um jeito desconhecido, outros vem em forma de gentileza, em meio às decepções, angústias, traumas. Mas chega, e chega com um objetivo: o de mudar as nossas vidas.

Diariamente vivemos inúmeras experiências, algumas com mais dificuldades e que nos faz enfrentar os desafios, já tem aquelas que nos fazem beber da própria felicidade. É como se a vida nos desse uma espécie de recompensa por termos sido dignos diante de nossos fracassos. Então, você descobre que em meio a desordem ( caos), as coisas surgem em forma de paz…de calmaria para para dizer que de um jeito despercebido, elas nos pertencem.

Apesar das inúmeras formas de sofrimento humano, ninguém ricou ou pobre, homem ou menino, perde a esperança. Não importa se é por acidente de percurso, ou porque de fato, havia algo bom destinado a nós. O que importa é que as coisas boas, sempre chegam em nossas vidas trazendo um pouco de alegria, aconchego e calor.

Tudo que chega, chega por alguma razão, chega porque assume um formato que é só nosso. Da mesma forma, diz-se que o que parte para longe, vai em busca de outro de outra brisa.

[…]

Marii Freire Pereira

Imagem: Pinterest. Thay

Santarém, Pá 5 de agosto de 2020

Virginia Woolf

” Mergulhado por muito tempo em profundos pensamentos como os do valor da obscuridade e a delícia de não ter nome, mas de ser como a onda que retoma ao profundo corpo do mar.

Virginia Woolf ( p.257) – notaterapia.com.br

Marii Freire Pereira

VEM comigo!

Imagem: Pinterest. Huffpost

Santarém, Pá 5 de agosto de 2020

Os lusíadas

Vê, enfim, que ninguém ama o que deve,

Senão o que somente mal deseja;

Não quer que tanto tempo se releve

O castigo, que duro e justo seja.

Seus ministros ajunta, por que leve

Exércitos conformes à peleja

Que espera ter com a mal regida gente,

Que lhe não for agora obediente

Luís de Camões – Canto IX

https://oslusiadas.org

Marii Freire Pereira

VEM comigo!

Imagem: Pinterest. DNA – BELLA

Santarém, Pá 4 de agosto de 2020

Carlos Drummond de Andrade

Esse retrato de família

está um tanto empoeirado.

Já não se vê no rosto do pai

quanto dinheiro ele ganhou.

Nas mãos dos tios não se percebem

as viagens que ambos fizeram.

A avó ficou lisa, amarela,

sem memória da monarquia.

Os meninos, como estão mudados.

O rosto de Pedro é tranquilo,

usou os melhores sonhos.

E João não é mais mentiroso.

O jardim tornou-se fantástico.

As flores que são placas cinzentas.

E a areia, sob pés extintos,

é um oceano de névoa.

No semicírculo das cadeiras

nota-se certo movimento

Às crianças trocam de lugar,

mas sem barulho: é um retrato.

Vinte anos é um grande tempo.

Modela qualquer imagem.

Se uma figura vai murchando,

outra, sorriso, se propõe.

Esses estranhos assentados,

Meus parentes? Não acredito.

São visitas se divertindo

numa sala que se abre pouco.

Ficaram traços da família

perdidos no jeito dos corpos.

Bastante para sugerir

que um corpo é cheio de surpresas.

A moldura deste retrato

em vão prende suas personagens.

Estão ali voluntariamente,

saberiam _ se preciso _ voar.

Poderiam sutilizar-se

no claro- escuro do salão,

ir morar no fundo dos móveis

ou no bolso de velhos coletes.

A casa tem muitas gavetas

e papéis, escadas compridas.

Quem sabe a malícia das coisas,

quando a matéria se aborrece?

O retrato não me responde,

ele me fita e se contempla

nos meus olhos empoeirados.

E no cristal se multiplicam

os parentes mortos e vivos.

Já não distingo os que se foram

dos que restaram. Percebo apenas

a estranha idéia de família

viajando através da carne.