Carlos Drummond de Andrade. Ouro Preto livre do tempo. ( Rio de Janeiro: Record, 1984) – Literatura brasileira: William Cereja e Thereza Cochar. São Paulo, 2013
A maior volta que damos é por dentro. São os caminhos afetivos que nos interessa. Afinal, somos constituídos de carne, suor e sonhos. Estes, entranhados de dor!…
Atravessamos muros de dor, às vezes sem um único grito.
Dor seca,
Com passos de miséria
Suportamos o estupor
A alma fadigada,
As feridas,
A ignorância
O peso imenso
Daquilo que aos poucos, nos mata todos os dias.
É a vida cansando de nos ensinar
Aquilo que já deveríamos nascer sabendo.
No fundo, acho que sabemos.
Não fugimos,
Ainda que por vezes, a vida mostre o quão pesada é a realidade,
Cabe a nós, conciliar razão e emoção
Como “resposta para o equilíbrio que precisamos.”
Nada é doce, a não ser o gozo do por do sol.
Tímido e sutil.
Mas, com a temperatura ideal para transformar esse espaço num paraíso.
Tem como falar de Amor e não tocar no nome de Ricardo Neftalí Reys Basoalto ou simplesmente: Pablo Neruda? Certamente, não. Esse escritor Chileno é maravilhoso. Sorte nossa, porque temos uma gama de grandes autores brasileiros, e a graça de ter nomes importantes de outras literaturas que agrega valor ao nosso conhecimento. Falar de sentimento é uma coisa incrível, e o amor é uma universal. Assim como nos sugere a nossa literatura, as outras literaturas tem grandes nomes que contribuíram com textos belíssimos. No caso de Neruda, existem poemas publicados em periódicos literários desde 1920. Veja que interessante, aos 13 anos, Neruda já contribuía como poeta jovem.
O pseudônimo de ” Pablo Neruda “, surgiu em homenagem ao poeta tchecoslovaco Jan Neruda. Dentro de suas atividades no Chile, ele estudou francês e pedagogia. Foi diplomata para o governo chileno. Em 1930 casou -se com Maria Hagenaar, mas separou-se anos mais tarde. Neruda publicou vários trabalhos, participou de manifestações politicas, teve alguns problemas por conta disso e, acabou vivendo clandestinamente em seu próprio país. Após esse episódio, ele publicou o livro Canto geral. Em 1945, conheceu Matilde. O escritor teve inúmeras publicações ao longo de sua carreira, inclusive poemas dedicados a Matilde.
Em 1971, Neruda recebeu “honraria máxima para um escritor, o Prêmio Nobel de Literatura “, devido a sua poesia.
Neruda morreu no Chile em 1973. Porém, o seu legado permanece agraciando o coração de todos nós.
” Quero saber se você vem comigo
a não andar e não falar,
quero saber se ao fim alcançaremos
a incomunicação; por fim
ir com alguém a ver o ar puro,
a luz listrada do mar de cada dia
ou um objeto terrestre
e não ter nada que trocar
por fim, não introduzir mercadorias
como o faziam os colonizadores
trocando baralhinhos por silêncio.
Pago eu aqui por teu silêncio.
De acordo, eu te dou o meu
com um condição: não nos compreender. “
Pablo Neruda. [Quero Saber…], Últimos Poemas. Edição bilíngue. L& PMclassicosmodernos. Tradução: Luiz de Miranda. Portanto Alegre, 2018
” Era uma expressão fria, pausada, inflexível, que jaspeava sua beleza, dando-lhe quase a gelidez da estátua. Mas, no lampejo de seus grandes olhos pardos brilhavam as irradiadiações da inteligência.”
José de Alencar. Senhora.
Literatura brasileira. William Cereja e Thereza Cochar. Atual editora. São Paulo, 2013
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