Tentando dar a alguém o que vivi e não sei a quem, mas não quero ficar com o que vivi. Não sei o que fazer do que vivi, tenho medo dessa desorganização profunda. Não confio no que me aconteceu.
Aconteceu-me alguma coisa que eu, pelo fato de não a saber como viver, vivi uma outra? A isso quereria chamar desorganização, e teria a segurança de me aventurar, porque saberia depois para onde voltar: para a organização anterior. A isso prefiro chamar desorganização pois não quero me confirmar no que vivi na afirmação de mim eu perderia o mudo como eu o tinha, e sei que não tenho capacidade para outro.”
Clarice Lispector. A paixão segundo G.H. para amar Clarice: como descobrir e apreciar os aspectos mais inovadores de sua obra/ Emília Amaral. 1ed. Faro Editorial. Barueri. São Paulo, 2017
A violência contra a mulher é um problema secular, difícil de ser provada, porque é uma violência que em geral não têm testemunhas. A violência doméstica principalmente, é uma violência que ocorre intra-muros, ou seja, dentro lar. Então, pode -se dizer que esse tipo de situação acaba sendo mais difícil ser comprovada.
Se costuma dizer que entre briga de marido e mulher, a gente mete a colher, sim. O que não é normal é aceitar a violência ou fingir que ela não existe. Todavia, como é um acontecimento difícil de ser comprovado, porque você não têm a liberdade de adentrar no lar das pessoas. Então, quem tem acesso a tudo isso, são os filhos. São eles que vêem as formas de abusos, os machucados da mãe, etc. geralmente, as únicas testemunhas.
É natural ocorrer situações, onde os familiares, ou amigos percebam sinais de violência. As vezes é um roxo disfarçado, um olhar de tristeza profunda, a agressividade também pode ser notória entre o casal. Mas, parte da mulher dizer aonde dói. O que se sabe é que, o lar seria esse lugar capaz de oferecer segurança. No entanto, é justamente ele que mostra o quanto estamos insegurança.
Bem, faz parte pensar que a construção de lar, vai ser o local de conforto. Nós mulheres, somos ensinadas a pensar dessa maneira. Mas, vamos combinar que essa idéia de construção de lar, de relacionamento perfeito, acaba se tornando uma construção, onde a gente sabe que os acordos são quebrados. Isso quando tem acordo. As vezes, é natural que só um ” tenha vez e voz” na relação. Neste caso, ocorre um desequilíbrio, porque o homem vai querer ditar as regras de modo, que essa mulher vai ser trata sempre como o ser inferior.
A violência se instala em todos os lugares. Ela não escolhe classe social. Um detalhe importante em relação a violência é que não se descobre ela tarde. Geralmente, o homem já mostra nas primeiras discussões, através dos argumentos, a forma de como aquela mulher será tratada.
O bom ficar atenta, pois haverá palavras colocadas de um jeito que cause ofensa, ou seja, machuque principalmente o psicológico dessa mulher. Coisas como, algo ríspido, que ofenda as qualidades, seja no sentido psicológico como mencionei, ou parta ali para o lado físico: Falo em bater mesmo. Tem homem que deforma o rosto da companheira. Isso é perigoso, porque para matá-la falta pouco.
A mulher por sua vez, quase sempre vai levando na brincadeira, porque entende que aquele homem que ela ama, não iria machucá-la. Mas, como vimos, machuca! E não é nenhuma, nem duas vezes não. Só que a maioria, leva como as nossas mães levaram, ou seja, nos dizendo ” calma, é um momento de raiva”. Você responde: é. Não é. Não é normal se acostumar com a dor. A mulher que faz isso, ela se anula diante dos filhos e da família.
Todas, eu disse ” todas” independente da idade, da cor, sofrem violência. Vale ter isso na mente, observe bem como o seu namorado, te trata, porque no casamento os problemas se tornam maiores. A postura de um homem diz muito sobre quem ele é, digo ” como costuma agir”.
Se no namoro, o homem costuma agredir, no casamento, ele bate, e dependendo da oportunidade, mata. Portanto, se preocupe com a qualidade da sua relação, imagine como ela poderia ser dentro de cinco há dez anos. Acredito que esses são questionamentos necessários para você conseguir de antemão, enxergar os erros digo ” antes ” que estes, venham acontecer.
Quando digo que a violência atinge todas as classes, estou afirmando que ela acontece com as mulheres ricas, lindas, com as menos lindas. As negras, as mulheres do campo, médicas, advogadas, a empresária de sucesso – todas- independentemente do status. Qualquer mulher pode ser vítima da violência.
Agora, não é preciso se acostumar com a violência. Em toda relação é preciso haver limites. Se você observar que não há respeito, respeite-se. Saia enquanto é tempo. Enquanto tem vida!..
Se por acaso, vier sentir-se pressionada, se for humilhada, se apanhar …tenha coragem para sair o quanto antes. Não romantize dor com amor. Embora haja rima no fim dessas palavras. Entenda que amor não dói. E se doer é porque tem algo de errado. Diga ‘não’ a violência. O seu não é não, e ponto.
Comove-me muito, o ato de algumas pessoas diante de suas dores, suas causas indizíveis…umidecer os olhos…
Eu entendo que o ser humano deveria ser capaz de refletir sobre o seu caos, antes mesmo de voltar a face ao desperdício da entrega, sem que antes, se aprenda a lutar pela vida.
Mas como adolescentes assustados
Fugimos…Todavia, os problemas voltam
E eles sempre chegam mais fortes…
Eu sou solidária com a coragem de quem decide não se tornar um vulto apenas de si mesmo
É preciso ter consciência de que todo caminhos tem uma curva, que todo barco, tem o seu porto.
Mas, sabemos que nesses lugares, mora a solidão. E nenhuma estrada faz sentido se paramos diante dela. Como também…
Não há beleza que resista ao carrossel do tempo, que fique desbotada, diante do ato de cuidar. Toda inclinação do sentimento humano volta-se ao cuidado. Isso acontece desde a hora em que nascemos, depois, ele edifica as relações de modo geral, pode-se assim dizer, e por último, o cuidado é compreendido como a construção principal da condição humana, porque ele revoluciona a nossa maneira de ser e de agir. Se eu me amo, eu me cuido. Se amo o outro, também tenho essa capacidade de cuidar. Portanto, “o Amor é aquilo que vai, além dos sentimentos, na verdade, amor é cuidado” que se reproduz e aperfeiçoa a cada vão momento.
Quem ama cuida. O recuo primeiro e derradeiro do amor é o cuidado, porque como sentimento, ele não sobreviveria nas superfícies das relações […]. O amor cresce pela sua própria força. Ninguém amar por olhar, por achar alguém bonito. Não, se ama por gestos. É o quanto eu dou, que faz a outra pessoa, perceber o valor que la tem pra mim. O amor é um gesto repetitivo e pensado. É exatamente como fazem as mães.
[…]
As pessoas amam pela linha da afetividade. Engana-se quem pensa que é pelo sexo. O sexo pode ter todo um significado no que diz respeito ao instinto procriador. Mas, é na busca pelo cuidado, que ele tenta delinear os seus traços, os seus gestos.
Quem ama cuida, e quando não demonstramos esse sentimento através de gestos, costumamos falar um sonoro ” EU TE AMO”. Ainda que pareça exagerado, o amor é ‘ forte em si mesmo’ , como diz Carlos Drummond de Andrade em: As sem razões de amar.
Amor é grandeza….infinita e espaçosa que a vida nos deu em forma de pureza.
A mulher não só no Brasil, mas também como em outros países, ela sofreu muito preconceito e discriminação, na verdade, ainda sofre. Vencer as barreiras culturais não é fácil, pelo contrário é desafiador, bem mais do que nos sugerem as próprias leis. Todavia, é preciso avançarmos, e fazer das nossas dificuldades o motivo maior de lutar por nossos direitos.
Curiosamente, quando se fala no direto da Mulher, sabe-se que estes, ocorrem em face da desigualdade do poder. A Constituição Federal em seu artigo 5°, certifica que homens e mulheres são iguais em as suas obrigações. Todavia, este assunto é motivo para muitos questionamentos, digo os aspectos da diferença entre o que diz o texto constitucional e o que afirma a realidade. Sabemos que entre uma coisa e outra, há uma lacuna que precisa ser preenchida dia após dia, com a presença desses direitos. Não basta falar, é preciso estreita e essas diferenças.
Dentro dessa corrida por direitos, um dos instrumentos da emancipação feminina foi a educação. Sem dúvida, este foi um elemento que ampliou os nossos horizontes. Todavia, faltava mais. A mulher quer conquistar cada vez mais o seu espaço na sociedade. Na verdade, ela precisa tentar compensar o passando de negação de direitos.
Conquistas femininas
Como disse: primeiro a educação, depois a igualdade jurídica, e consequentemente, foram vindo outras conquistas que nos possibilitaram gozar de direitos, antes nunca vividos.
Voto
– A conquista pelo voto foi algo que veio se tornar concreta somente com o governo de Getúlio Vargas em 1932. Antes, como não tinha uma lei específica que atendesse o direito da mulher, a primeira votação que tivemos, acabou não sendo válida, ou seja, éramos desfavorecidas como cidadãs. Só com o Vargas é que o voto passou a ser obrigatório a todos.
Divórcio
– Lei n° 6515/77, foi uma grande revolução na época. A mulher não era mais obrigada a manter um casamento infeliz. De lá pra cá, pode-se dizer que todo o processo do divórcio, tornou-se muito mais ágil, o que facilitou muito a vida de quem deseja se separar.
Essas conquistaram causaram uma grande colisão com a questão cultural da época, por exemplo, mas foram necessárias para garantir o direito de nós mulheres. Na verdade, foi a partir disso que conseguirmos alcançar também a nossa independência, seja ela no sentido de conseguir entrar no mercado de trabalho ou mesmo, na vida pessoal, digo, no ‘direito de recomeçar a vida’, após uma separação. Hoje, ainda há muito para lutar. Obedecer algumas leis, é também um desafio. Respeitar os lugares que foram estabelecidos para nós, é Outro motivo para dizer: queremos mais”. Além é claro de ter que vencer muitos outros obstáculos. Vencer a violência, é sem dúvida um desafio. Mas, precisamos continuar lutando por respeito e igualdade de direitos
Não há cansaço capaz de vencer aquilo que decidimos manter vivo dentro de nós ” os sonhos”. Invente a desculpa que quiser, mas nem uma pedra no seu caminho é grande o suficiente, a ponto de você não ter a capacidade de deviar-se dela, e conseguir se manter firme nos seus propósitos.
Felicidade é uma condição íntima do ser humano. Diante da vida, a busca pelo imaginável, faz o coração bater incansavelmente. Acredite, não há impossível, onde há esforço. “vence aquele que não desiste”.
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