Carlos Drummond de Andrade. Literatura brasileira em diálogo com outra literaturas e outras linguagens. William Cereja e Thereza Cochar. 5 ed. Atual. São Paulo, 2013
” A solução melhor é não enlouquecer mais do que já enlouquecemos, não tanto por virtude, mas por cálculo. Controlar essa loucura razoável: se formos razoavelmente loucos não precisaremos desses sanatórios porque é sábio que os saudáveis não entendem muito de loucura. O jeito é se virar em casa mesmo, sem testemunhas estranhas. Sem despesas.
Às vezes, tudo o que a vida quer é leveza. Leveza da alma, leveza no sorriso, no abraço para preparar o momento seguinte. – O importante é saber que não vamos transformar o mundo com as nossas construções, nossos pensamentos e atitudes. Veja, vamos sim, ser um fragmento daquilo que a longo prazo, vai moldando as coisas materiais, não o mundo. Por isso, procure não sempre, mas vez ou outra, ser mais leve. O único que veio para consertar o mundo foi Jesus Cristo, e não conseguiu, você acha mesmo que terá essa capacidade? Esperança de que ele melhore, sempre se tem, mas, você não será a resposta para isso. Portanto, não se cobre tanto, não se doe tanto também. Antes, procure viver em harmonia com você mesmo (a). “Não podemos trazer o pai de volta pra casa”, podemos no mínimo, buscar sabedoria em seu legado. No mais, o amor divino é o tônico que têm multiplicado a felicidade das pessoas, e para isso é necessário se revestir de bons sentimentos, porque do contrário, se adoece e morre cedo.
O mundo é um leprosário! O que não falta é pessoas doentes, muitas cheias de infecções tanto cutâneas, como internas, misturadas a todo tipo de sujeira, não a sujeira local, aonde vivem, mas do lixo que as outras deixam nelas. As pessoas que administram esse país, principalmente. Eles são doentes, a história é doente. A doença instantânea é letal que conheço é a ganância. A cegueira dos que estão vivendo numa situação desproporcional é algo que atinge a memória. Quem vive lá em cima, omite o valor e o direito dos que acreditam viver bem em suas misérias. Muita afeição, também não é bom, porque uma hora a memória falha, e aí nos perdemos nesse leprosário. Por isso, se preocupe em viver, mas viver com qualidade no pouco que se tem, porque a única coisa no mundo que causa choque, é descobrir que somos contrariados, enganados de toda sorte. Portanto, seja inteiro com você, com o que você acredita. Se não tem estômago e nem caráter para participar das coisas que transformam a vida nos outros em sofrimento, então em volta desse leprosário, tente transmitir carinho, amor e respeito a quem, às vezes só precisa que você olhe nos olhos e diga : ” eu acredito em você “. Isso menina, vá…você consegue!”. Lindo isso, não? Algumas pessoas quando nos veem falando dessa forma acha que somos tolos. Mas, elas acreditam que podem mudar o mundo (…)
Despreocupe-se nem eu, nem você, juntos vamos conseguir isso. Mas podemos melhorar muita coisa. A primeira, começa por nós. A segunda, por aqueles que de alguma form, conseguimos acrescentar. Como disse o grande Guimarães Rosa: ” A vida requer coragem “. Mas, uma coisa eu acrescento: ” Às vezes, a vida precisa de leveza “, pois do contrário, tanta coragem, quando não bem administrada, transforma-se na força que nos sufoca. Precisamos sim, ter atenção diante dos detalhes, porque são deles que a vida consegue ser construída.
“O verdadeiro amor oculto está dentro do eu, dentro de nós, dentro dessa condição íntima, onde cada um é o senhor do essencial, ou seja, a pureza. Somente ela – constrói caminhos largos para seguirmos despreocupados dentro de nossas próprias construções. “
“Quisera ver-lhe a miséria digna. Contudo, não pode deixar de comparar outra vez o homem de agora com o de outrora, entristece-me e encarar o abismo que separa as esperanças de um tempo da realidade de outro tempo…”
Machado de Assis. Memórias Póstumas de Brás Cubas. Barueri. Pé da letra. São, 2020
A vida é um acontecimento maravilhoso. Claro, com os seus percalços, mas não deixa de ser algo fantástico. Veja, até para amar o próximo, primeiro, nós precisam os nos amar, porque toda e qualquer forma de amor, é necessário vir pela compreensão. Quando você conhece alguém, você ama logo de cara? Não. Não se trata de amor platônico. Primeiro, você vai enxergando valor, no que essa pessoa faz. As atitudes, os gestos, a maneira dela agir é que faz com você acrescente, como disse ‘valor ‘ as ações delas. Se forem atos sensatos e puros, você se deixa envolver pelo sentimento da entrega. Agora, se observar uma certa ‘ malandragem ‘, ou seja, ações injustas, já fica em estado de alerta. E se isso acontece com frequência, você vai se tornando uma pessoa fria, não porque você é dessa forma, mas porque muitas vezes, você passa anos e anos, tentando fazer com o outro mude. Mas, as respostas dessa ” mudanca”, vêm não devido ao outro, e sim de você. Afinal, a fadiga , o desprestígio, o abandono, a não consideração, ou mesmo o compromisso de não agir de forma sensata [também] ,faz com que a gente desista de lutar. A mudança dói, porque gera confusão entre os sentimentos. Porém, em muitos casos, ela é a única alternativa que nos resta. Veja, não se deixa de amar quando se desiste. Nós, apenas usamos a linha da sensatez. A medida que queremos que as coisas aconteça de forma verdadeira, é que passa a entender que aquilo que causa desconforto e insegura, só é benefício para o outro. Isso significa o que? Que alguém está sendo prejudicado na história. Portanto, é interessante ser sensato com as coisas que também sejam boas pra mim. É importante que haja equilíbrio entre os dois lados. E quanto ao amor ao próximo? Como amar um desconhecido? Bem, como disse é preciso enxergar valor na outra pessoa. Se você tem contato, bem, caso contrário, como amar? O posicionamento dela em relação a diversos assuntos, faz você ter uma idéia de quem ela é, ou possa ser. A gente, cria a idéia de amor baseada no respeito, ou seja, eu respeito o que conheço, assim como, aquilo que não conheço também. O bom de ser uma pessoa sensata é que você nunca opta pelo desprestígio, antes analisa a situação, ou no caso, os fatos, antes de se posicionar. A idéia é ser justo, e não ter razão. E aqui, a coisa que acho mais interessante que é ‘não errar com você, nem com o outro’. Mas, estabelecer uma forma de visão, onde eu posso amar você, como amo a mim mesmo ( o), sem desqualificar ou acrescentar algum adjetivo. O amor ao próximo pra mim, Marii é tomar a decisão de ” manter-se do lado dele, baseado na razão ” de que não querer prejuducá-lo. O desprotegido é sempre a pessoa que precisa de cuidado – ” complemento”. Neste caso, se eu tomo decisões baseadas na razão, naquilo que compreendo como justo, intimamente. Dessa forma, não nos ferimos, nem interferimos no direito do outro. Esse detalhe é o que pouca gente tem se dado conta.
Marii Freire Pereira https://pensamentos.me/ VEM comigo! Imagem:ArtPropelled Santarém, Pá 18 de Abril de 2021
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