Vinícius de Moraes ( Nova antologia poética. São Paulo: Companhia das Letras, 2009. p.16 )
Vinícius de Moraes. Literatura brasileira em diálogo com outras literaturas e outras linguagens. William Cereja e Thereza Cochar. Atual Editora. 5 ed reform. São Paulo, 2013
” O negro não pode ser excluído de tais transformações dos padrões de relações raciais, com os quais uma parte da população negra sempre esteve em tensão consciente, embora não tenha conseguido derrotar a assimetria nas relações raciais, as inquietudes raciais e as desigualdades raciais que tentou destruir. No entanto, sempre houve uma constante: em um extremo, o ativismo dos que contestaram abertamente; de outro, o ressentimento engolido com ódio ou com humildade, mas que se traduzia sob a forma da acomodação.”
Florestan Fernandes. O Protesto Negro.
Florestan Fernandes, Significado do Protesto Negro. 1ed. São Paulo. Expressão Popular condição editora da Fundação Perseu Abramo, 2017
Para ir mais longe, você precisa deixar o medo. Saber pra onde vai e porque quer ir. É preciso pensar antes. Se arriscar é despedir-se do passado, encarar os desafios, mirar para frente e saber o que grita dentro de você, ou seja, o que “te leva para aquela direção”. Por isso, ergue a cabeça, se esforce mais um pouco, e sinta a paz que chega em forma de pretexto para enfeitar o seu coração. Sorria!.. você sabe que:
Para chegar do outro lado
É preciso ter coragem
Ouvir o coração
A razão
Opinar!..
Às vezes…cantando
Às vezes ouvindo o que os outros tem a dizer.
Se aquietando..murmurando…
Em todo tempo, o tempo todo…a vida se movimentar.
Mas a decisão, a reflexão que sempre terá um peso maior, é sua.
Vale mais ter mil sonhos e realizar ” um” do que viver a sombra dos 999.
O primeiro troco da vida, sempre te será a repetição. Você será testado (a) novamente. Aprendeu a lição? Agarra as oportunidades. Suspira!.. Entenda que, mesmo você sabendo que as nuvens são tão altas, ao ponto de não tocá- las com as pontas dos dedos, é a grandeza de suas sombras que proporciona leveza suave… para o vento passar.
“Enxerga o que te abraça além da noite..”
– Abre bem os olhos e procura a flor do dia. É ela que se abre sem sacrifício, e te mostra que diante de uma fagulha de Esperança, não pode haver recuo.
Normalmente se costuma dizer que ” O que Deus uniu, o homem não separa” separa. Separa porque tudo ao redor da relação é cercado de silêncio e mentiras – o que é comum- em todo término de relacionamento amoroso. Mesmo diante de situações onde há consenso entre as duas partes, ainda assim haverá uma sensibilidade maior, por parte de um dos parceiro que se sinta prejudicando de alguma forma. A quebra do vínculo afetivo, geralmente é dramática. Dessa forma, para quem foi omisso ou mesmo negligente, existe sempre um impacto forte, porque gera um sentimento de culpa, constrangimento e outras situações que fragiliza geralmente, aquele que fica digerindo os excessos.
Claro que situações dramáticas são observadas em qualquer tentava de resgatar a memória do que foi vivido outrora. A separação é uma decisão dolorida. E, o pior é que não se encontra muita compreensão nessas horas. A mulher torna-se estigmatizada, não só pela sociedade, mas por quem lhe deveria dar apoio: integrantes da família. A família que é a parte acolhedora, também é aquela que repudia muitas a decisão de uma mulher quando ela resolve se separar.
Bem, eu Marii Freire Pereira, obviamente, estou usado esse espaço para falar da minha vida pessoal por uma necessidade que ocorreu por conta da minha separação. Eu levei um mês para escrever a respeito do ocorrido, porque havia a necessidade de expor essa parte da minha vida. Eu sou uma mulher de 43, inteligente, segura, mãe de duas filhas, e que escrevo nesse blog há dois anos. Portanto, tudo o que estou escrevendo nesse espaço, estou fazendo de forma consciente. Todos me viram durante anos com uma aliança no dedo, e hoje eu não a carrego mais. O motivo? O término do meu casamento. É sobre isso que quero falar.
É natural que muita gente diante de uma situação assim, não queira se expor, se cale ou não der satisfação alguma. Mas, eu praticamente, tenho uma vida pública. Eu escrevo, faço vídeos sobre violência contra a mulher, falo para elas não deixarem de lutar por seus direitos. E o meu silêncio não cabe diante dessa situação. Entendo que é comum, por parte da mulher, às vezes calar por vergonha, medo de se expor e ter que “passar pela régua moral” do julgamento da sociedade. Eu não posso alimentar esse pensamento sob qualquer alegação que possa caber nesse sentido. A mulher muitas vezes, por ser considerada como a parte frágil da relação, ela ” se encolhe no seu mundo particular ” e acaba internalizando muita coisa, o que não pode. Eu sempre incentivo falar. Creio que é necessário sim, ter essa compreensão, e saber interpretar as suas demandas emocionais, suas dores, lamentações e, conseguir externar isso, sem exageros ou culpa de nada. Calar-se é privilégiar o ex-companheiro de se submeter também a julgamentos. Ora, num término de relação, há responsabilidades entre ambas as partes. Uma relação não acaba no momento em que duas pessoas se sentam frente à frente e conversam. Não, isso começa pequeno e chega ao ponto de não haver conserto. Primeiro, precisamos compreender wue “relação nenhuma tem a obrigação de virar um conto de fadas “. Por isso, existe a necessidade de romper o silêncio. Este, certamente, é em prol do que precisa ser exposto de forma clara.
” Relacionamento é construído a dois, mas ele termina sempre de forma unilateral. “
Eu vivi um relacionamento de trinta anos, com o meu ex-esposo, Cléverson dos Santos Pereira. Destes trinta anos, vinte e dois foram de casada. Tivemos duas filhas lindas, momentos bons, como todo casal. Mas, depois de alguns anos, surgiram os problemas e nos três últimos anos próximo a esse término, as divergências se tornaram muito maior a ponto de exigir mais da minha parte por ter que cuidar sozinha das minhas filhas, já que ele trabalhava em outra cidade próxima a que residiamos; vindo para casa de trinta em trinta dias. Eu fiquei sobrecarregada pela sucessividade das funções que dava conta sozinha. Diante dessa realidade, eu disse que já não queria mais aquela relação. Afinal, eu estava dando o máximo de mim de forma integral a tudo. O conceito de maternidade e paternidade diante das responsabilidades que eu administrava, ao meu entender, era o mesmo, ou seja, eu era ” pai e mãe ” das nossas filhas. A proteção maior, assim como a segurança quem dava a crianças, era eu. O amparo legal era ele. Mas a força bruta se destinava a minha pessoa. Além do desgaste da relação que é natural com o passar dos anos, eu tinha questões que me angustiavam muito. Eu não conseguia alavancar na vida profissional porque a prioridade era elas, e a maternidade é algo que nos exige muito. Por outro lado, ele parecia compreender que expandir também era uma necessidade minha.
Obstaculizar esse direito pra mim, era só ajudá-lo a crescer. Mas o fato de não consegui progredir era algo acarretava dano emocional a minha pessoal. O pedido de separação foi, certamente, só uma maneira de formalizar o que era gritante na relação. Todavia, nós nunca tínhamos nos sentados para conversado sobre o término, nem o que seria feito daquele momento em diante. Nos quinze anos da minha filha mais velha, foi que houve essa conversa ocorreu. Eu, não sabia, mas ele já havia estabelecido uma nova relação com outra pessoa sem me comunicar. Eu fui “descortinando” essa história sozinha. Após eu pedir a separação, uns dois ou três meses antes dessa conversa, eu disse para que ele seguir a sua vida, porque eu estava vendo que ele já tinha colocado isso em prática. No dia da nossa primeira conversa, eu fiquei emocionante abalada, porque toda separação exige muito de nós. Eu pensei nas minhas filhas, e no quanto isso iria mexer na estrutura psicológica delas também, e pedi a ele um tempo para organizar a mente, e por as coisas em ordem. Da mesma forma, fizemos um trato onde, onde eu continuaria com a aliança no dedo. E, a partir daquele momento, disse que se ele fosse assumir publicamente outra relação, me comunicasse, pois eu tiraria a aliança. Prontamente ele aceitou, e retornou a cidade onde trabalha. Até então, eu não havia comunicado a ninguém da minha família sobre o ocorrido. Todavia, no dia trinta de maio, ele me disse que estava namorando alguém, eu não sabia que ele tinha refeito a vida de uma maneira tão célere. Um mês antes, quando tivemos pela primeira a conversa sobre o término, ele disse que tinha protelado a separação, ou seja, adiado. Eu passei um mês [ ainda], com a aliança no dedo cumprindo o trato feito de maneira [consciente] por ambas as partes. A partir do momento que fui comunicada que ele estava namorando alguém, eu “o parabenizei, desejei felicidades” e cumprir o que havia combinado, ou seja, “tirei imediatamente a aliança do dedo”, coloquei-a sobre a mesa e comuniquei a minha família que havia chegado ao fim a nossa relação. Pedi para que ele comunicar às nossas filhas de imediato, como cumpri a minha parte no acordo. Certamente, eu não iria assumir essa responsabilidade sozinha. Ele exitou no primeiro momento, afirmando que não iria fazer aquilo, porque não queria macular a própria imagem diante delas. Foi quando eu disse que ele iria fazer sim. Como houvesse resistência novamente da parte dele, eu mostrei as conversas à elas, o que foi doloroso. Mas, ele tinha que assumir a sua responsabilidade de pai e homem naquele momento. Eu tive um temperamento explosivo, mas uma conduta correta diante das minhas filhas, assim como de minha família. Eu não podia levar adiante uma farsa para protegê-lo. Havia um acordo, onde eu cumpri até o fim. Me calar seria consentir, anular a mim mesma, diante daquela situação. Como quem descumpriu o trato foi ele, que tivesse coragem para responder por suas escolhas.
Como mulher, não vou deixar de falar o que aconteceu, é minha vida. Até outro dia, eu estava casada. Hoje, publicamente, as pessoas sabem que estou separada. Tenho duas filhas lindas. Como mãe e mulher, eu vou procurar ser a melhor amiga delas, ajudá-las no que for preciso. A separação é um grande aprendizado, certamente. O que se sabe é que, cedo ou tarde, ela ocorre na vida dos casais. E, o que é engraçado é que o dito que diz que ” O deus, une, o não homem separa”, separa. É preciso ter consciência do término. Quando um casamento chega ao fim, se percebe que o que foi solenizado pela religião, se desfaz. O casamento não é algo que nos ” amarra ” ao outro de forma definitiva. Agora é preciso ter consciência e responsabilidade sobre ” as feridas abertas” – e o que isso pode causar no outro. O interesse de sair ileso, não deve beneficiar só uma parte, e tendo filhos, há uma necessidade maior de avaliar previamente toda essa questão, porque ela atinge a todos.
Quanto ao sonho do amor eterno, se os casais não tiverem cuidado, tudo pode virar um jogo de manipulação, onde existe a disputa entre a guarda dos filhos. Em geral, estes, ficam sob a guarda materna. Cabendo ao pai a obrigação de pagar alimentos, assim como direito as visitas. O pai delas tem total liberdade de visitá-las e ficar com elas quando quiser. Creio que os filhos nunca podem ser reféns de nossa vontade. A maior preocupação é sempre com os sentimentos e as necessidades deles ( delas) , no caso.
Quanto a pessoa da Marii, ela segue firme e forte. Claro, continuarei ajudando outras mulheres – O meu trabalho é voltado à violência contraa mulher. O que se sabe por exemplo, é que em muitas situações que envolvem separação, essas mulheres não têm tempo para “se refazer”, porque de maneira trágica, encontram nas mãos de seus companheiros, “um triste fim”. Nem sempre uma mulher tem o direito de ficar em paz com os filhos. Geralmente, ela é morta, ou se torna refém do controle do ex-marido ou companheiro. O que não é o meus caso. Todavia, a minha voz será sempre por justiça. [ ainda] que no meio de tantas.
É preciso nos manter sadias, assim como ter equilíbrio emocional, autoconhecimento e amor próprio para cuidar de nós, e daqueles que amamos- filhos. ” Filho é um rebento que se procura sacralizar “, independente de qualquer situação que ocorra em nossas vidas. E como afeto não tem limites, “amemos aqueles que são frutos nossos.”
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