Gregório de Matos. Poemas escolhidos. Organização de José Miguel Wisnik. São Paulo: Cultrix: s.d p. 317)
Gregório de Matos. Literatura brasileira em diálogo com outras literaturas e outras linguagens. William Cereja e Thereza Cochar. 5 ed reform. São Paulo, 2013
Não existe justificativa para a violência contra a mulher. Normalmente, essa é uma a condição que buscar punir, limitar e condicionar a mulher em nossa sociedade. Isso tem a ver mais com a cultura e raiz da educação que é desigual no tocante às relações de gênero, e diz respeito a uma sociedade patriarcal, do que necessariamente, se procurar promover qualquer “desculpa” que possa tentar justificar essa brutalidade. De fato, não existe justificativa para o problema, existe a conscientização e denúncia.
Marii Freire/ Violência Contra a Mulher/ via Facebook
Você é a única pessoa responsável pelo seu próprio mérito.
Ainda que se fale em meritocracia, ou que se discuta tanto a respeito dos muitos abismos que temos em termos de mundo, de modo de vida, onde uns tem mais privilégios, e grande parte da população brasileira corra atrás daquilo que é considerado como “mínimo” que é o acesso à cuidados, bens, etc. É importante ressaltar que todas essas causas, abrem caminhos para que o indivíduo se torne em termos de condições, um ser pequeno, pequeno diante de concorrência massacrante. Mas também é preciso acreditar por exemplo, que não é porque o sujeito é pobre que ele não seja capaz de lutar por um futuro melhor. Pode. Muito daquilo que nos paralisa vem dessa forma pequena que de pensarmos. Às vezes, por você ser pobre e desejar alcançar algo grandioso, muitos fazem você desistir. Sim, algumas pessoas por não crer na sua capacidade, dizem que você não é capaz. Creio que o conceito de desigualdade já começa por essa forma de pensar, que é limitante. Isso também torna-se uma barreira que precisa ser rompida, porque quando sequer algo de verdade, a opinião dos outros é o que menos importa. Portanto, lute pelo o que acredita, procure buscar alternativas que cooperem não só para o seu bem-estar, mas para termos um país dito por tantos como ” mais justo”. Esse justo, dentre muitas formas, se constrói na crença de que somos capazes. A medida que se acredita, se começa esse processo de desconstrução dos abismos. “Eu posso” …” Você pode”, precisa acreditar e compreender, que as suas escolhas são importantes, bem como a própria ousadia. Esta deve ser mais ainda. Dentre tantos obstáculos, você precisa saber de algo: a trama de sua vida é de responsabilidade sua. Construa possibilidades que facilitem a vida se movimentar através de suas ações. Lembre-se: Você é a única pessoa responsável pelo seu próprio mérito.
Pense nisso!..
Marii Freire. Você é a única pessoa responsável pelo seu próprio mérito/ via Facebook
” Nós, brasileiros, nesse quadro, somos um povo em ser, impedido de sê-lo. Um povo mestiço na carne e no espírito, já aqui a mestiçagem jamais foi crime ou pecado. Nela fomos feitos e ainda continuamos nos fazendo. Essa massa de nativos oriundos da mestiçagem viveu por séculos sem consciência de si, afundada na ninguendade. Assim foi definir como uma nova identidade ético- nacional, a de brasileiros. Um povo, até hoje, em ser, na dura busca de seu destino. Olhando- os, ouvindo- os, é fácil perceber que são, de fato, uma nova romanidade, uma romanidade tardia mas melhor, porque lavada em sangue índio e sangue negro. “
Darcy Ribeiro. Confrontos/ AS DORES DE PARTO/ O POVO BRASILEIRO
Darcy Ribeiro/ O POVO BRASILEIRO/ A formação e o sentido do Brasil. 3 ed. São Paulo: Global, 2015
” A mulher que é vítima de violência doméstica, ao invés de ter o apoio da família, muitas vezes sofre retaliações ao externizar a violência que sofre dentro do lar. Essa mulher que deveria ser acolhida ” ouvida” e encorajada a não aceitar conviver de forma pacífica com agressões, simplesmente, passa a ” baixar a cabeça ” e se calar, porque se sente impotente, desamparada e também desorientada dentro da sua necessidade de vítima. Para deixar a situação ainda mais difícil, essa mulher tem que lidar não só com forças contrárias, mas lutar pelo instinto instinto de sobrevivência. Muitas não vivem [ sobrevivem ] dentro de seus próprios limites. Convencidas de que têm que suplicar diante de suas próprias necessidades, sem informação e apoio, elas se submetem aos desígnios daqueles que lhes agridem, ou seja, seus maridos, companheiros e namorados. Essa é, sem dúvida, uma forma cruel de violência velada.
Quando descobrem que estão totalmente destruídas, culpam-se por terem contribuído com um cenário de dor, e porque não dizer ” desaparecimento?” Sim, essas mulheres se anulam tanto, a ponto de acreditar que elas são responsáveis pelo que já foi mencionado aqui, ou seja, dor, sofrimento e instinto de sobrevivência. É triste constatar como a grande maioria, não consegue discernir nem o que vivem. Às vezes a violência é tanta que essas mulheres esquecem de quem são, ou de que existe uma vida que vai além do que estão vivendo. Só há a constatação do momento atual. E a gente sabe que não, porque existe uma vida após tudo àquilo. Então é necessário alertar essas mulheres para que elas possam despertar.
É sabido que, a mulher só não fala abertamente, acerca da violência que sofre por parte de seu parceiro, por medo de julgamentos, dentre outros motivos, é óbvio. Há tantas que dizem ” Eu fiz o que pude pela minha família ” sem entender que só o que ela fazia não era suficiente para manter a saúde da família, assim como da relação. A verdade é que a mulher ainda se vê como responsável pelo sucesso do casamento, do relacionamento, do namoro. Não que de fato, ela seja. Porém, há uma cobrança muito grande a respeito disso. “Ou ela tem que perdoar muito as falhas do parceiro”, isso inclui em ter que aprender a lidar muitas vezes com a falta de respeito, a violência propriamente dita, e muitas outros cobranças. Mas, o que ela não considera é que, todo esse resultado negativo vem de anos do que fora abdicado em prol de quem deveria amá-la e respeitá-la. Essa mulher muitas vezes, não entende que ela é uma vítima, portanto, não pode ter cobrança exacerbada nesse sentido. É preciso sim, se compreender mais, se acolher da forma correta para que através de tudo isso, ela possa encontrar forças para sair de um relacionamento ruim por exemplo.
É a mulher que, aos poucos vai mudando a sua história, a história de violência que às vezes vive. É só através dessa forma nova de pensar, que ela encontrará mecanismos que facilitem a construção de sua própria trajetória. E, dentre eles, vencer a violência é extremamente importante à ela. Pois, por ter vivido tantos anos calada, hoje a mulher pode reivindicar os seus direitos.
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