Pablo Neruda

[…]

Porque é obrigatório

obedecer ao inverno,

deixar crescer o vento

também dentro de ti,

até que cai a neve,

unem-se o hoje e o dia,

o vento e o passado,

cai o frio,

ao fim estamos sozinhos,

por fim nos calaremos.

Obrigado.

Pablo Neruda. Últimos Poemas ( O Mar e os sinos) Tradução de Luiz de Miranda. Coleção L&PMCLASSICOSMODERNOS. Porto Alegre, RS 2018

Marii Freire Pereira

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Imagem ( Arquivo pessoal)

Santarém, Pá 22 de março de 2021

Renasce no mar

Renasce no mar

Ao alcance dos olhos

A doce esperança da arte de ser feliz

Imagens sublimes

Confundem-se com a realidade

Num ato de resistência.

Quem insiste sempre alcança

Desde menina ouço falar

Que ser resistente

É a nossa principal arma

Para apontar diante das colisões da vida.

Não é falácia

É apenas uma forma de você corromper o sentido das coisas

Que vivem imensamente estáticas no caminho

A luta

O duelo

É sempre um encontro com hora marcada

Por isso

Seja guerreira

Lute contra os golpes da vida!

Uma vez vencedora

A felicidade se faz pluma dentro de você.

Os nossos maiores porões

São palavras acumuladas!

Elas se fazem objeto

Na cela que não os outros

Mas nós mesmos nos jogamos.

Por mais que o tempo encaminhe

As enfermidades, as palavras, as vírgulas

De horas que nos prendem entre paredes frias

Abandone a pausa muda da dor

Abre a boca e solte a sua voz

Você não precisa de lágrimas

Nem de rimas

Vamos!

Sem retrocessos internos

A vida só tem sentido

Quando há uma urgência de olhá-la de frente.

Termine a guerra dentro de você.

Atravesse o infinito de uma ponta a outra

Esculte o seu coração

E caminhe sempre

Em direção ao que suspira

Tente olhar a vida com suavidade

Se olhe com ternura

Sonhe

Se recomponha

Sinta as suas esperanças

Se renovarem

Como brisa que nasce do mar.

Marii Freire Pereira

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Santarém, Pá 22 de março de 2021

Paz infinita

Quando

Todo barulho vira silêncio

É o momento de ficar em paz consigo mesma

De sentir a voz do infinito

Tocar levemente o seu rosto

É o vento

Carregado com o cheiro da maré

Fazendo as letras do tempo

Compor uma sinfonia particular do universo.

O tempo

Diz tanta coisa boa

Tanta palavra que a gente não conhece o significado

Mas que nos acolhe

E faz darmos risadas por dentro

Sabe do que mais?

O tempo aconselha

Contempla a decadência dos nossos labirintos

E num assobio

Como o vento

Penetra nas nossas fronteiras escuras

Ele não sossega

Enquanto não encontra o que busca

A paz.

Sim!

Invisível aos olhos

Mas por dentro

Delícia de tentação

Eu não conheço ser humano

Que se sinta tão suave

Quanto aquele

Que sinta paz

Paz infinita!

A Paz é tudo aquilo

Que nos abraça

Que mostrar que lá fora

Pode existir uma bagunça furiosa

Mas por dentro

Há uma leveza

Que sorrir com olhos de candura.

Marii Freire Pereira

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Santarém, Pá 21 de março de 2021

“Você está ficando louca”

Ser mulher não é fácil. Mais ainda, ser mulher numa sociedade, onde você compreende que tem tanta desigualdade, e pelo fato de ser mulher, você tem que lutar por seus direitos, ao mesmo tempo que, tem que aprender a enfrentar as adversidades. Estas, na sua maioria, resultantes de um passando de negação. Além do mais, temos que ter coragem para, talvez ‘diminuir as barreiras’ que certifica parte de nossa dessas diferenças, e de toda omissão de direitos que tivemos. Historicamente, temos que enfrentar esse dilema, e assim conseguir escolher os nossos próprios caminhos. Ora, escolher os nossos caminhos é sem dúvida é um ato ‘ desafiador ‘ e, especialmente quando se nota que a herança relacionada a questões de luta é grande. Por isso, mais do que nunca, devemos combater a violência, o preconceito, o desprestígio explícito – que ainda temos em relação a algumas questões.

Ora, refletir sobre a história que precisamos nos moldar é uma tarefa árdua, pois para que isso aconteça, precisamos vencer as barreiras culturais que são mais significativas do que a própria lei. A nossa lição foi amarga, mas, precisamos redigir uma nova história. Esta, vinda a partir de uma revolução dramática. Mas, para que dessa vez, consigamos vencer os desafios necessário, e nos colocar não só na linha de frente, mas, sim, conseguir sair do limbo forjado ao qual fomos induzidas a ‘sujeição de escravas’. ‘O patriarcado foi sim, um sistema de poder parecido com o escravismo’.

Esses são os fatos claros de nossa história. Hoje lutamos para nos desagarrar definitivamente da idéia de – incapacidade ao qual fomos colocadas. Nós todas, sempre fomos capazes, apenas nos tiraram todas as possibilidades […]. Podem, sim até ter colocado ‘limites em nossos passos, em nossos sonhos’, como reflete uma realidade triste, com mortes, violência, e uma série de situações. Mas provamos que somos capazes em tudo, mesmo na condição que fomos mantidas.

” Você está ficando louca ”

Essa é a segunda abolição que precisamos vencer. A mulher não é louca ( quando fala a verdade), ao contrário, ela apenas se coloca diante dos ditames de sua consciência e cobra de maneira responsável para ser respeitada na mesma posição de igualdade até no relacionamento. Essa tem sido a nossa luta maior. A mulher não deseja converter a realidade secular de uma hora pra outra, mas, para se firmar, ela deixa de ser vítima, e procura vencer o preconceito que tentam reduzir as suas qualidades.

[…]

Uma coisa importante nisso tudo? A dor nos ensinou a sair de um estado de ‘miséria’, assim também a ter condições para não ignorar aquilo que precisa ser dito. Hoje, mesmo em meio a tantos obstáculos, desejamos ter direitos iguais. Para isto, estes, precisam sair do papel […] e se tornar realidade, porque do contrário, ficaremos reproduzindo os nossos velhos dilemas.

Violência contra a mulher é: ” toda ação ou conduta que resulte em dano físico, psicológico e sexual, no âmbito particular ou público “.

Marii Freire Pereira

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Fonte: m.brasilescola.com.br

Imagem ( Autoral)

Santarém, Pá 20 de março de 2021

Florestan Fernandes

“Uma sociedade na qual o capitalismo monopolista absorve maiores parcelas da mão -de -obra e descerra vários canais de ascensão social para o negro desdobra alternativas de acomodação racial que não existiam no passado recente. De outro lado, os germes de uma burguesia negra floresceram, mais no plano de classe média. Mas existiam alguns negros milionários. Como nos Estados Unidos, mas na forma história diversa, há no topo paralelismo em desnível entre raça e classe, que faz com que o negro surja entre os de cima em nichos próprios e mais ou menos fechados, na rabeira dos ” brancos ricos”.

Florestan Fernandes. O protesto Negro. 1ed. São Paulo: Expressão popular co-edição Editora da Fundação Perseu Abramo, 2017

Marii Freire Pereira

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Imagem: Pinterest. Nova Escola

Santarém, Pá 20 de março de 2021

Álvaro de Campos

O que há em mim é sobretudo cansaço _ Não disto nem daquilo,

Nem sequer de tudo ou de nada:

Cansaço assim mesmo, ele mesmo, cansaço

A subtileza das sensações inúteis,

As paixões violentas por causa nenhuma,

Os amores intensos por suposto em alguém,

Essas coisas todas –

Essas e o que falta nelas eternamente -;

Tudo isso faz um cansaço,

Este cansaço,

Cansaço.

Há sem dúvida quem ame o infinito,

Há sem dúvida quem deseje o impossível,

Há sem dúvida quem não queira nada –

Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:

Porque eu amo infinitamente o infinito,

Porque eu desejo impossivelmente o impossível,

Porque quero tudo, ou um pouco mais, se puder

ser,

Ou até se não puder ser…

E o resultado?

Para eles a vida vivida ou sonhada,

Para eles o sonho sonhado ou vivido,

Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto…

Para mim só um grande, um profundo,

E, ah com que felicidade infecundo, cansaço,

Um supremíssimo cansaço,

Íssimo, íssimo, íssimo,

Cansaço…

Álvaro de Campos. O que há em mim é sobretudo cansaço.

Álvaro de Campos ( heterônimo) de Fernando Pessoa. Lisbos: Ática, 1994.

( Arquivopessoa.net_ textos)

Marii Freire Pereira

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Imagem: cientounlibros.com

Santarém, Pá 20 de março de 2021

Sonhos

Graças aos sonhos

Nos mantemos vivos

Salvo a existência destes

Atravessamos sem medo

Os atalhos da vida

Por vezes

Afundamos em meio a tantos sentimentos ilusórios

No eco da dor

No sussurro que vira grito.

Mas sem estes

Somos expulsos da nudez de nossa inocência.

Os sonhos são vozes que falam

Que faz com todas as explicações façam sentido.

O sonho é euforia que virá pluma no coração.

Sinto

Vejo

Construo coisas desarrumadas

Escova os dentes

E eles continuam pulsando insistentemente

Neste calado coração.

Marii Freire Pereira

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Imagem: Pinterest. Portugal/ hardsandness

Santarém, Pá 19 de março de 2021