Carlos Drummond de Andrade

” Tudo foi prêmio do tempo

e no tempo se converte.

Pressinto que ele ainda flui.

Como sangue; talvez água

de rio sem correnteza.

Como planta que se alonga

enquanto estamos dormindo.

Vinte anos ou pouco mais,

tudo estará terminado.

O tempo flui sem dor.

O rosto no travesseiro,

fecho os olhos, para ensaio.

Carlos Drummond de Andrade. Desfile. A Rosa Do Povo. Círculo do Livro. São Paulo, 1945

VEM comigo!

Marii Freire Pereira

Santarém, Pá 14 de maio de 2020

Elza Soares

” Que pena

O amor é tão sublime

Mas o medo nos deprime

Bloqueando as emoções

( E vamos nós)

E vamos nós

Seguindo a nossa trajetória

Pra combater o mal

Que afetou nossa memória

E chorou sonhos de amor

E agora é se apegar ao Criador

Pra aliviar o peito sofredor

Cantando o hino de amor.”

Elza Soares, Amor Sublime

https://m.letras.mus.br

Marii Freire Pereira

VEM comigo!

Imagem: Google

Santarém, Pá 13 de maio de 2020

Gregório de Matos

” Mas vejo, que por bela, e por galharda,

Posto que sois Anjos nunca dão pesares,

Sois Anjo, que me tenta, e não me guarda.”

Gregório de Matos. Poemas escolhidos de José Miguel Wisnik.

Literatura brasileira: William Cereja e Thereza Cochar, 2013

Marii Freire Pereira

VEM comigo!

Santarém, Pá 13 de maio de 2020

Pandemia: como fica o amor?

” Cinco semanas de solidão, de trabalho sem gosto, longe da mãe e das irmãs, cinco semanas de silêncio…”

Machado de Assis.

Ao se falar de Pandemia, temos mais do que cinco semanas de tempo decorrido, desde que tudo isso começou. mas, aqui essa passagem de um dos trabalhos de Machado de Assis, foi usado só para enfatizar a realidade que todos vivemos. A proposta do texto é falar acerca dos problemas que essa nova realidade nos trouxe. É aprender dentre outros desafios, como encarar a solidão.

Hoje, a realidade que estamos vivenciando torna tudo mais difícil, inclusive fechar os olhos e pegar no sono. Há pessoas que entram em pânico por não saber como será o dia de amanhã, e tudo isso, dado por conta desse momento embaraçoso. Mas que requer muito de nós.

É comum que a maioria das pessoas estejam mais ásperas, ou vivendo num estado de tristeza profundo. Muitas com uma certa melancolia por causa do silêncio do seu próprio lar. Já outras, simplesmente deixaram de sair na rua. Em geral, acompanham o ritmo da vida através da janela de suas casas.

Sair da sala, ir até o quarto, ou mesmo a sacada para pegar um pouco de ventilação natural tem sido a rotina de muita gente. A maioria se recolheu. Embora, inquietas, estão guardadas em suas casas.

É uma nova realidade, certamente. Não importa se o isolamento social é para a benignidade de todos. A verdade é que isso, tem levado o sonho de muita gente embora. Toda aquela agitação que as pessoas gostavam ficou para trás. O que não significa que, não se consiga recuperar a beleza dos dias novamente. Vamos sim, de um jeito lento, mas vamos. Por enquanto, o melhor é nos resguardar. A alegria, assim como, o sabor dos sonhos, ainda poderão ser sentidos. Enquanto isso, como fica o amor? Como fica as relações entre os casais? Parar? Não há motivos para haver distanciamento, além do distanciamento social, claro _ há outras formas de oferecer companhia, oferecer carinho. Talvez aqui sim, se perceba o real valor das relações. Porque só fica próximo de nós, aqueles que gostam realmente.

Pandemia afasta as pessoas do trabalho, da faculdade, da igreja, mas relação não. Se a pessoa que você vivia pedido mais tempo para ficar juntos, agora que ela não está trabalhado como antes, diz não ter tempo, tome cuidado. Tem algo errado aí. Ele ou ela deve está fazendo a manutenção desse tempo para outra pessoa, porque cuidado e carinho em tempos de Pandemia faz bem.

Rua fora, ninguém pode está saindo, mas telefone é um recurso que atravessa qualquer obstáculo. Um ‘abraço de palavras’, cai muito bem. Há programas que vocês podem fazer juntos, como assistir filmes ao mesmo, cada um na sua casa, claro. Podem assistir e comentarem ao mesmo tempo. Agora, de fato, o que não falta é tempo, só não acontece se uma das partes não quiserem. E se considerar, essa regra serve para tudo. Serve para um filho ou filha conversar com os pais, ou vai dizer que celular só serve para você assistir aqueles filmes proibidos? Não. É óbvio que a comunicação sofre uma certa limitação. Mas, atente para a realidade dos nossos avós. Eles sobreviveram todas a sofisticação que temos hoje. O uso de aparelhos celulares, principalmente.

Eram pessoas que se correspondiam por cartas e levava meses, até anos para se verem e nem por isso…deixavam de se amar. Portanto, amor não acaba assim. O que termina, são as relações líquidas, elas sim, denunciam só o interesse repentino de uma pessoa pela outra, ou seja, enquanto duas estão juntas, uma satisfazendo a outra, tudo bem. Parou de dar prazer, vai procurar um outro alguém. Não deve ser assim, as pessoas devem ter mais respeito por si mesmas. Amar significa ultrapassar certos limites.

_ Ah! Sabes o que é curioso? Vovó ( a minha e a sua), não precisaram fazer uso dos horrores de desculpas que hoje os seus netos e bisnetos dizem não ser capazes…de fazer, que é se adaptar a essa nova realidade.

[…]

Vovó foi feliz com os poucos recursos que tinha. Por obséquio!… feliz de um modo ‘ mui particular ‘. A realidade sim, é diferente. Muitas de nossas avós não passaram por uma pandemia. Todavia, não vieram num tempo de comunicação rápida, como a que temos hoje. É fato, que uma ligação, uma mensagem não é a mesma coisa que um contato físico. Mas, melhora muito o nosso humor porque demonstra que outro se importa. Na época delas, ( os retratos, as cartas), eram coisas que simbolizava carinho. Hoje, muita coisa mudou, mas você não precisa exagerar no comportamento para se fazer lembrança na memória de alguém. Quem ama, vai lembra de você de qualquer forma. É esse carinho que fica na memória, que fará de você, uma pessoa especial.

Já ligou para alguém que você ama o hoje?

Marii Freire Pereira

Imagem: Pinderest

Santarém, Pá 13 de maio de 2020

” Que é a saudade senão uma ironia do tempo?”

Machado de Assis. Várias Histórias. Editora Ática, São Paulo, 1997
VEM comigo!
Marii Freire Pereira.

Santarém, Pá 13 de maio de 2020

Machado de Assis

Teus olhos são meus livros

Que livro há aí melhor,

Em que melhor se leia.

A página do amor?

Flores me são teus lábios.

Que há mais bela flor,

Em que melhor se beba

O bálsamo do amor?

Machado de Assis. Livros e flores.

https://escritas.org

Marii Freire Pereira

VEM comigo!

Santarém, Pá 13 maio de 2020

Metamorfose

É difícil passar por um processo de transformação. Nos construir é sempre doloroso. Se costuma optar sempre ou quase sempre, por querer ficar na nossa segura, atrás das nossas portas fechadas.

É difícil, sinceramente é difícil. Sacrificar, consiste em primeiro abrir mão de um orgulho, de algo que conquistamos através de muito investimento, esforço mesmo. E geralmente, o preço de abrir mão, significa que você tem que contar cada centavo do seu trabalho, ou seja, sua cota de responsabilidade, as suas indecisões, medos, tentativas frustradas. Sim, porque primeiro, para se conquistar algo, se passa por tudo isso. A conquista é o privilégio de todo o seu esforço, é a recompensa final. Por isso, é que esse processo de transformação nos assusta.

[…]

Assustados, somos tomados pelas incertezas, pelas tensões físicas e psicológicas que pouco a pouco vai dando aquela sensação de desânimo, coisas que nos amedronta. Com isso, o aborrecimento aparece, a falta de paciência e uma série de situações que servem para desestimular. De fato, todo processo que mexe com as nossas estruturas emocionais, principalmente essa, é um processo tenso. O ser humano, muitas vezes, tem vontade de desistir, por compreender que nem tudo vale o esforço.

Há quem prefira permanecer neutro diante das circunstâncias da vida, por medo de rolar morro abaixo, por medo de perder, de arriscar…simplesmente. A maioria das pessoas apegam-se a idéia de que, é melhor ter algo seguro, do que lutar por outro que talvez…não conquiste. Elas simplesmente escolhem o que entendem por melhor para si mesmas. Não acreditam ser capaz ir além. Mas são, são porque a expressão genuína da nossa força é aquilo que vem de dentro de nós, digo da nossa maneira de pensar. É a maneira de se posicionar diante das questões relevantes que, em parte determina quem somos na vida.

Nós somos grandes se pensarmos que somos capazes. Se a nossa vontade de vencer, for maior do que o medo que as preocupações nos despertam. É aquela coisa ” eu vou…quero, consigo”. Quando de fato, se deseja muito uma coisa, vamos atrás, caminhamos com as nossas próprias pernas. E olha que as adversidades por dentro ( psíquico), são maiores do que as físicas. Mas, é um dever que cabe a cada indivíduo. Não adianta falar, dizer ao outro como ele deve fazer, criar expectativas, abrir caminhos para facilitar os passos de quem quer que seja. Esse processo de transformação é de fato delicado.

Ninguém pode ajudar a borboleta sair do casulo, porque sim assim fizermos, podemos matá-la. A vida é assim para todos! É o processo natural. É esse romper da casca que revela a nossa beleza. Disfarce as emoções, as dores, mas nasça.

…de uma força graciosa, nasça! Eis, o fascínio da vida.

Marii Freire Pereira

VEM comigo!

Imagem: Instagram

Santarém, Pá 13 de maio de 2020

Carlos Drummond de Andrade

Vamos, não chores…

A infância está perdida.

A mocidade está perdida.

Mas a vida não se perdeu.

O primeiro amor passou.

O segundo amor passou.

O terceiro amor passou.

Mas o coração continua.

Perdeste o melhor amigo.

Não tentaste qualquer viagem.

Não possuis casa, navio, terra.

Mas tens um cão.

Algumas palavras duras,

em voz mansa, te golpearam.

Nunca, nunca cicatrizaram.

Mas, e o humor?

A injustiça não se resolve.

À sombra do mundo errado

murmuraste um protesto tímido.

Mas virão outros.

Tudo somado, devias

precipitar-te, de vez, nas águas.

Estás nu na areia, no vento…

Dorme, meu filho

Carlos Drummond de Andrade. Consolo na praia. A Rosa Do Povo. Círculo do Livro. São Paulo, 1945.

Marii Freire Pereira

VEM comigo!

Santarém, Pá 13 de maio de 2020

Cecília Meireles

” A vida só é possível se reinventada…”

Cecília Meireles. Reinvenção.

Culturagenial.com

Marii Freire Pereira

Imagem: pública

Santarém, Pá 12 de maio de 2020

Tom Jobim

Entra meu amor

Bom você voltar

De onde vem você cansado assim

Leio tanta dor no seu triste olhar

Nesse olhar que outrora se acendia só pra mim

Fala meu amor

Cala meu amor

É melhor você nada dizer

Vem aos braços meus

Que os braços meus

Vão finalmente lhe fazer chorar

Tom Jobim, Cala Meu Amor

Compositores: Antonio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes.

Marii Freire Pereira

VEM comigo!

Imagem: Clóvis Ferreira/ Estadão

Santarém, Pá 12 de maio de 2020