” Cinco semanas de solidão, de trabalho sem gosto, longe da mãe e das irmãs, cinco semanas de silêncio…”
Machado de Assis.
Ao se falar de Pandemia, temos mais do que cinco semanas de tempo decorrido, desde que tudo isso começou. mas, aqui essa passagem de um dos trabalhos de Machado de Assis, foi usado só para enfatizar a realidade que todos vivemos. A proposta do texto é falar acerca dos problemas que essa nova realidade nos trouxe. É aprender dentre outros desafios, como encarar a solidão.
Hoje, a realidade que estamos vivenciando torna tudo mais difícil, inclusive fechar os olhos e pegar no sono. Há pessoas que entram em pânico por não saber como será o dia de amanhã, e tudo isso, dado por conta desse momento embaraçoso. Mas que requer muito de nós.
É comum que a maioria das pessoas estejam mais ásperas, ou vivendo num estado de tristeza profundo. Muitas com uma certa melancolia por causa do silêncio do seu próprio lar. Já outras, simplesmente deixaram de sair na rua. Em geral, acompanham o ritmo da vida através da janela de suas casas.
Sair da sala, ir até o quarto, ou mesmo a sacada para pegar um pouco de ventilação natural tem sido a rotina de muita gente. A maioria se recolheu. Embora, inquietas, estão guardadas em suas casas.
É uma nova realidade, certamente. Não importa se o isolamento social é para a benignidade de todos. A verdade é que isso, tem levado o sonho de muita gente embora. Toda aquela agitação que as pessoas gostavam ficou para trás. O que não significa que, não se consiga recuperar a beleza dos dias novamente. Vamos sim, de um jeito lento, mas vamos. Por enquanto, o melhor é nos resguardar. A alegria, assim como, o sabor dos sonhos, ainda poderão ser sentidos. Enquanto isso, como fica o amor? Como fica as relações entre os casais? Parar? Não há motivos para haver distanciamento, além do distanciamento social, claro _ há outras formas de oferecer companhia, oferecer carinho. Talvez aqui sim, se perceba o real valor das relações. Porque só fica próximo de nós, aqueles que gostam realmente.
Pandemia afasta as pessoas do trabalho, da faculdade, da igreja, mas relação não. Se a pessoa que você vivia pedido mais tempo para ficar juntos, agora que ela não está trabalhado como antes, diz não ter tempo, tome cuidado. Tem algo errado aí. Ele ou ela deve está fazendo a manutenção desse tempo para outra pessoa, porque cuidado e carinho em tempos de Pandemia faz bem.
Rua fora, ninguém pode está saindo, mas telefone é um recurso que atravessa qualquer obstáculo. Um ‘abraço de palavras’, cai muito bem. Há programas que vocês podem fazer juntos, como assistir filmes ao mesmo, cada um na sua casa, claro. Podem assistir e comentarem ao mesmo tempo. Agora, de fato, o que não falta é tempo, só não acontece se uma das partes não quiserem. E se considerar, essa regra serve para tudo. Serve para um filho ou filha conversar com os pais, ou vai dizer que celular só serve para você assistir aqueles filmes proibidos? Não. É óbvio que a comunicação sofre uma certa limitação. Mas, atente para a realidade dos nossos avós. Eles sobreviveram todas a sofisticação que temos hoje. O uso de aparelhos celulares, principalmente.
Eram pessoas que se correspondiam por cartas e levava meses, até anos para se verem e nem por isso…deixavam de se amar. Portanto, amor não acaba assim. O que termina, são as relações líquidas, elas sim, denunciam só o interesse repentino de uma pessoa pela outra, ou seja, enquanto duas estão juntas, uma satisfazendo a outra, tudo bem. Parou de dar prazer, vai procurar um outro alguém. Não deve ser assim, as pessoas devem ter mais respeito por si mesmas. Amar significa ultrapassar certos limites.
_ Ah! Sabes o que é curioso? Vovó ( a minha e a sua), não precisaram fazer uso dos horrores de desculpas que hoje os seus netos e bisnetos dizem não ser capazes…de fazer, que é se adaptar a essa nova realidade.
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Vovó foi feliz com os poucos recursos que tinha. Por obséquio!… feliz de um modo ‘ mui particular ‘. A realidade sim, é diferente. Muitas de nossas avós não passaram por uma pandemia. Todavia, não vieram num tempo de comunicação rápida, como a que temos hoje. É fato, que uma ligação, uma mensagem não é a mesma coisa que um contato físico. Mas, melhora muito o nosso humor porque demonstra que outro se importa. Na época delas, ( os retratos, as cartas), eram coisas que simbolizava carinho. Hoje, muita coisa mudou, mas você não precisa exagerar no comportamento para se fazer lembrança na memória de alguém. Quem ama, vai lembra de você de qualquer forma. É esse carinho que fica na memória, que fará de você, uma pessoa especial.
É difícil passar por um processo de transformação. Nos construir é sempre doloroso. Se costuma optar sempre ou quase sempre, por querer ficar na nossa segura, atrás das nossas portas fechadas.
É difícil, sinceramente é difícil. Sacrificar, consiste em primeiro abrir mão de um orgulho, de algo que conquistamos através de muito investimento, esforço mesmo. E geralmente, o preço de abrir mão, significa que você tem que contar cada centavo do seu trabalho, ou seja, sua cota de responsabilidade, as suas indecisões, medos, tentativas frustradas. Sim, porque primeiro, para se conquistar algo, se passa por tudo isso. A conquista é o privilégio de todo o seu esforço, é a recompensa final. Por isso, é que esse processo de transformação nos assusta.
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Assustados, somos tomados pelas incertezas, pelas tensões físicas e psicológicas que pouco a pouco vai dando aquela sensação de desânimo, coisas que nos amedronta. Com isso, o aborrecimento aparece, a falta de paciência e uma série de situações que servem para desestimular. De fato, todo processo que mexe com as nossas estruturas emocionais, principalmente essa, é um processo tenso. O ser humano, muitas vezes, tem vontade de desistir, por compreender que nem tudo vale o esforço.
Há quem prefira permanecer neutro diante das circunstâncias da vida, por medo de rolar morro abaixo, por medo de perder, de arriscar…simplesmente. A maioria das pessoas apegam-se a idéia de que, é melhor ter algo seguro, do que lutar por outro que talvez…não conquiste. Elas simplesmente escolhem o que entendem por melhor para si mesmas. Não acreditam ser capaz ir além. Mas são, são porque a expressão genuína da nossa força é aquilo que vem de dentro de nós, digo da nossa maneira de pensar. É a maneira de se posicionar diante das questões relevantes que, em parte determina quem somos na vida.
Nós somos grandes se pensarmos que somos capazes. Se a nossa vontade de vencer, for maior do que o medo que as preocupações nos despertam. É aquela coisa ” eu vou…quero, consigo”. Quando de fato, se deseja muito uma coisa, vamos atrás, caminhamos com as nossas próprias pernas. E olha que as adversidades por dentro ( psíquico), são maiores do que as físicas. Mas, é um dever que cabe a cada indivíduo. Não adianta falar, dizer ao outro como ele deve fazer, criar expectativas, abrir caminhos para facilitar os passos de quem quer que seja. Esse processo de transformação é de fato delicado.
Ninguém pode ajudar a borboleta sair do casulo, porque sim assim fizermos, podemos matá-la. A vida é assim para todos! É o processo natural. É esse romper da casca que revela a nossa beleza. Disfarce as emoções, as dores, mas nasça.
…de uma força graciosa, nasça! Eis, o fascínio da vida.
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