Tomás António Gonzaga

” Já, já me vai, Marília branquejando

loiro cabelo, que circula a testa;

este mesmo, que alvejar, vai caindo,

e pouco já me resta.

As faces vão perdendo as vivas cores,

e vão-se sobre os ossos enrugando,

vai fugindo a vive a dos meus olhos;

tudo se vai mudando.

Se quero levanta- me, as costas vergam;

As forças dos meus membros já se gastam;

vou a dar pela casa uns curtos passos,

pesam-me os pés e arrastam.

Se algum dia me vires desta sorte,

vê que assim me não pôs a mão dos anos:

os trabalhos, Marília, os sentimentos

fazem os mesmos danos.

Mal te vir, me dará em poucos dias

a minha mocidade o doce gosto;

verás brunir-se a pele, o corpo encher-se

voltar a cor ao rosto…”

Tomás António Gonzaga. Lira IV

Escritas.org

Marii Freire Pereira

VEM comigo!

Imagem: Pinterest. Flickr- 0050.NEF, Reinaldo B. Ferreira. Museu de arte do Rio de Janeiro.

Santarém, Pá 10 de Julho de 2020

Publicado por VEM comigo!

Bacharel em direito, cursando Pós-graduação em Direito Penal e Processo Penal.

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