O tempo é um juiz sábio, não pelo claustro de seu silêncio que vive a sentenciar conforme a sua cabeça “. Mas, um senhor que sabe perder aos poucos ‘ resumir os seus capítulos ‘, para encontrar o inelegível e torná-lo conhecido a uma nova ordem.
” […] todas as histórias passam por ele. Todos os lenços, lágrimas, dores. Nunca vi um retrato da memória feito a óleo que não tivesse a sua necessidade estapada, com idéias que clamam por alforria.
O tempo tem uma ligação estreita com o coberto e aquilo que precisa se descobrir. Nele há um propósito amigo. O que é um amigo? O amigo de verdade não é aquele que faz você ‘ aflorar’, ou seja, vir de dentro pra fora? Assim também é o tempo. Ele revela o melhor e o pior do que somos. Só ele consegue nos atualizar, oferecer reflexões riquíssimas sobre o que precisamos olhar com olhos de descoberta mesmo, sabe? Ah, o tempo corrói ilusões. Desconsidera o perecível…
O tempo torna conhecido os nossos caminhos. Revela o inconfessável. Respeita o formoso. Abraça o incompleto. Coloca a verdades diante da mesa, desde cedo.
Ele entranha nas nossas profundas camadas, reconhece o que é fiel, o que é verdadeiro, e depois de muito tempo, veja que ironia, descobrimos ‘ moídos’, que somos perecível a ele.
Às vezes corremos tanto atrás da sorte e nem nos tamos conta que ‘sorte e tempo’ têm uma relação estreita. Um desgasta e o outro é tão preciso porque vai sendo tecido na essência do observamos, cuidamos, contemplamos, amortecemos, dimuimos até ficar num tamanho proporcional para ser acomodado com conforto dentro de nós.
Como não amar o tempo? Os ganhos? A história? Um senhor tão forte que vive acima das ambições estéreis.
Falar de vida, falar de sentimentos, poesia nem sempre é uma tarefa tão fácil. Às vezes o que você falar toca o coração das pessoas de uma forma diferente.
O ser humano é diferente. Desde as características, aos sentimentos, os valores. As influências que recebem, as referências e tudo mais que acrescentar no estilo, no jeito de ser de cada pessoa. Esses ingredientes diferentes que temos, é o que faz com que cada um seja inconfundível. Talvez, por isso a dificuldade de agradar a todos.
Cada ser humano tem um jeito de ser, pensar e expressar o que sente, e da maneira como sente. Eu, como disse, trabalho muito com sentimentos. Na verdade, escrevo sobre eles. É uma coisa que sai da gente. Os sentimentos eles não ficam presos, não costumam guerrear dentro de nós. Se agitam – claro. Têm a sua própria força. Todavia, parte deles não permanecem. Se assim for, viram remorso, raiva, saudades, mágoas ou mistérios até capaz de interromper vida.
Quem escreve sempre busca ser verdadeiro, revolucionário até. A literatura é carregada de exemplos. De romances que falam sobre paixões amorasa à comportamentos. Se você avaliar, são informações que ao longo dos anos, vão nos ajudando a melhorar. Cada um trata de um assunto a sua maneira.
Quem escreve carrega uma marca pessoal, porque assimila a característica a respeito daquilo que escreve. A poesia é algo muito significativo para nós, prá mim, pelo menos. Ela é esse “mare “, que se abre diante do íntimo, essa coisa do interior, que é tão bonito no ser humano.
As respostas que não temos na sua concretude, por exemplo- a poesia nos oferece esse balsamo, essa força “refúgio”. Como escreveu o Murilo Mendes em um de seus trabalhos: ” A poesia ressuscita- nos”. Sem ela, obviamente não suportariamos a realidade.
[…] qualquer escolha que se faça na vida, é preciso acreditar no ” prematuro “, no que trazemos a existência antes mesmo de um fato ser real. Se imagina, sonha, busca…realizar, viver o que a imaginação cria. Evidente que não se pode confundir ” devaneios com o real. Mas, não é porque uma idéia não amadureceu, que não se continue verdadeiramente tentando convencer- nos que não somos capazes…de conquistar o que desejamos. Claro, somos. Todos somos…”dependendo “, do quanto se deseja, é possível alcançar.
” O amor não é senão o desejo; e assim, o desejo é o princípio original de que todas as nossas paixões decorrem, como riachos da sua origem; por isso, sempre que o desejo de um objeto se acende nos nossos corações, pomo-nos a persegui-li e a procurá- lo e somos levados a mulher desordens.”
” A alma da gente, como sabes, é uma casa assim disposta, não raro com janelas para todos os lados, muita luz e ar puro. Também as há fechadas e escuras, sem janelas ou com poucas e gradeadas, a semelhança de conventos e prisões. Outrossim, capelas e bazares, simples alpedres ou poços suntuosos. “
Machado de Assis, em “Dom Casmurro “. Capítulo LVI.
Você precisa fazer login para comentar.