” O leitor que mais admiro é aquele que não chegou até a presente linha. Neste momento já interrompeu a leitura e está continuando a viajar por conta própria. “
Qual é a posição daqueles que batem? Para eles, a violência física educa uma criança? Bater nunca educou ninguém. No máximo, a criança que apanhou, aprendeu que o limite para qualquer coisa na vida é o medo. A estratégia usada para ensinar isso foi a dor, não a razão. Bater de fato, não esclarece as nossas dúvidas. Na verdade, esse método não nos ensina de maneira coerente a forma que devemos agir, principalmente diante daquilo que não sabemos como lidar. A dor neste caso, provoca a rejeição, porém, não nos mostra a melhora. Tem crianças com comportamentos hiperativos, onde os pais não conseguindo identificar tal detalhe, também não sabe compreender a posição da criança diante de uma situação. Esses pais, não sabem lidar com seus filhos. Batem para corrigir. Pega pela mão e explicar o porquê de uma criança não concretizar uma ação, a maioria não faz. É natural que primeiro, essa criança seja punida, geralmente pelo castigo físico ( surra) e depois o aviso : ‘ se fizer de novo, apanha!”. É errado corrigir a criança? Não, mas corrigir através de outros métodos. Ora, imagine, como fica uma família por exemplo, onde os pais não compreendem a forma de agir do filho? Sim, porque tem alguns que usam métodos cruéis de correção, coisas como fio elétrico, pedaços de pau, borrachas. E aí a criança fica cheia de hematomas pelo corpo? Se educa alguém assim? O antídoto contra essa não interpretação de diálogo entre pais e filhos funciona? E aí você me responde, funciona. Sem dúvida, eu também acredito que funciona. Você tem um adulto com um objeto nas mãos, uma criança em situação de desvantagem. Claro que funciona. Covardia! A medida que a criança cresce, ela vai usar outros métodos para educar os seus filhos ou vai reproduzir o que aprendeu na infância? Pense nisso e me responda?
” As pessoas que me lerem terão, pois, a bondade de traduzir isto em línguagem literária, se quiserem. Se não quiserem, pouco se perde. Não pretendo bancar o escritor. É tarde para mudar de profissão. ⁴
Graciliano Ramos. Para amar Graciliano. Como descobrir e apreciar os aspectos mais inovadores de sua obra/ Ivan Marques. 1 ed. Faro Editorial. Barueri, 2017
Hoje, 25 de novembro é uma data que simboliza o combate constante da violência contra mulher. A questão atrelada ao combate à violência é muito cobrada pela sociedade, porque se precisa de respostas que sejam no mínimo, eficazes para inibir essa experiência dolorosa que a maioria de nós mulheres, vivemos diariamente.
É importante ressaltar que a situação de fato, é polêmica e ao tratar dessa triste realidade, observamos como são complexos os caminhos para erradicar esse mal tão presente na vida das mulheres.
Segundo dados da ONU, houve um aumento da violência, em especial aos casos relacionados ao feminicidio nos últimos meses. Pelo que consta, os casos teriam ganhado números gigantescos por conta principalmente, da pandemia do coronavirus. O mapa que mostra essa violência, chama a atenção da sociedade para aqueles casos, onde a mulher estaria numa situação de vulnerabilidade com a permanecia do mulher em casa.
Para se chegar a essa conclusão, o marido passaria mais tempo em casa, e por conta de divergências, ele aproveitaria para agredir a mulher. Esse é um ‘ dos’ elementos. Mas, pelo o que se viu, o quadro da violência ele não se deu só pela questão do isolamento ( período em que as famílias ficaram confinadas). Algumas dificuldades já eram vistas muito antes de toda essa questão ganhar consistência.
Só para você ter uma idéia, a violência, ela escolhe muitos caminhos para chegar até a mulher, o que faz por exemplo, com que esta, viva em constante estado de vulnerabilidade, e não falo só do Brasil, mas também de outros países, onde essa violência se reproduz de diferentes formas, como: estupros, os próprios casos de feminicídios ( Brasil), como citados, assim como, outros problemas. Em alguns países, a violência doméstica é responsável por 30% das denúncias, é o caso do Chipre, em seguida temos Singapura 33%, França 30% e com Argentina , 25%. O isolamento só potencializou ainda mais a questão, porque o motivo para o sofrimento de milhares de mulheres são diferentes em casa canto do planeta.
A pandemia foi um dos fatores apontados, mas o problemas são muito maiores do que ela tem revelado. São dados preocupantes, porque por mais que você espere alguma melhora, ou seja, a diminuição desses casos, algumas pesquisas revelam pouca expectativa em relação a essa situação. Então, se verifica que saímos de um patamar, porém, só olhar o futuro, tem-se pouquíssimas expectativas que haja uma melhora. Pode existir desde [ se queira], ou mesmo trabalhe para isto. Mas no momento, o que preocupa são esses números.
Algo que vejo muito utilitário em relação a violência contra a mulher é haver mais especulação da própria sociedade em relação a esse cenário que sacrifica e mata essa mulher com tanta facilidade. É preciso que haja uma preocupação maior para tentar diminuir tamanha violência.
O Brasil está muito longe de assegurar a mulher a proteção a qual, ela precisa ter. Só para você ter idéia dessa dificuldade, vemos o papel do próprio Ministério público que ainda, “fica muito no seu mundo”, ou seja, permanece numa realidade longínqua da qual essas mulheres precisam . Os casos que se tem conhecimento acerca da violência, nem de perto condiz com a realidade de quem vive essa barbárie. É muito mais fácil dizer por exemplo, que o país ainda vive no “império das ilusões”, porque o MP só enxerga uma mulher que sofre violência, quando ela pede socorro, ou seja, se faz ser notada. Pois do contrário, ela vive uma vida inteira num estado de violência e não é alertada quanto aos seus direitos.
Ao fazer essa observação, o que estou tentando dizer é que, não adianta trabalhar só a consequência que é a violência. Acredito que devemos conversar a respeito de outra realidade que é ter a preocupação de procurar inibir os maus-tratos e outras formas de violência quando, ela [ ainda] pode ser revertida e não potencializada. Quando vemos que só trabalhar a questão da violência quando ela já se instalou, não resolve, é interessante partir em busca de outras formas que se possa repensar naquilo que pode ser trabalhado para trazer bons resultados, e não ficar tentando moldar um modelo a partir do erro que você sabe que não têm condições de crescer para lado algum.
Se as campanhas que estimulam a sociedade a denúncia ou mesmo falar mais sobre o assunto não tem sido capaz de conscientizar da forma como gostaríamos, ou ainda a própria lei deixa muitas brechas que favorecem os agressores, vamos pensar em algo que não vai trazer resultado imediato, mas a longo prazo sim! Vamos educar melhor os pais para que estes, eduquem os seus filhos para quando adultos, eles possam ser protetores e não agressores da mulher. É o comportamento que devemos corrigir. Outra, a lei também deve ser mais rígida porque enquanto uma mulher apanhar até ficar desfigurada e o homem não ter noção do próprio limite, ele vai continuar fazendo o que bem entende com mulher.
É um problema cultural seríssimo, infelizmente, sim. Mas, não vamos ficar vivendo de ilusão pensando que um homem que bate em mulher vai mudar, porque ele não vai. O Sujeito que tem um pensamento primitivo vai continuar sendo exatamente quem é. E aí, não adianta argumentar coisas que não nos fazem crescer como sociedade. Vejamos, ” ah, um homem matou uma mulher “. Em seguida, se pergunta : quais os motivos? foram motivos fúteis, ou seja, o fato dela ter sido morta, estuprada ou ter sofrido uma violência psicológica é sempre o mínimo. ” Fiz porque porque quis, porque foi ela quem se insinuou. Você entende como essas coisas são tratadas? para a mulher isso é arcaico.
Quando digo que o Brasil está muito longe de oferecer a proteção que todas nós, precisamos é porque acredito que ele tem que repensar em como mudar muita coisa.
Todo ser humano ele precisa ser colocado como eixo principal de um direto, e a mulhere não precisam ser diferente, aliás, elas não precisam ser olhadas com essa diferença. Nenhuma mulher precisa ser tratada com diferença de nada. O que nos precisamos é de respeito. Acredito que não precisamos de ‘filtro esse ou aquile’ para sermos vistas. Queremos sim, tratamentos que nos possibilite ser olhadas e reconhecidas pelo nosso valor.
Essa canção é linda, mas confesso que a coloquei aqui novamente só por conta de uma crítica que recebi esses dias. Crítica que para mim, foi um dos maiores elogios já recebido em vida. Ora, quem leu a letra da canção, achou que eu devia ter digitado errado, porque disse algo dessa forma, abre aspas ” quem digitou essa canção fez isso errado, é de um analfabetismo”. Confesso que na hora ri tanto gostoso quanto esse sorrisão da Elis Regina nessa imagem, rsrs!..
O que aconteceu em relação a canção, é que mantive o modelo fidedigno de como foi escrita e cantanda. Há um direito aqui, que eu, Marii não posso modificar, porque se assim o fizer, estarei violando a obra. Portanto, não cabe a mim o poder para fazer qualquer mudança não só nessa canção, mas, como em qualquer outra expressão relacionada a arte . Se eu trouxer ela aqui para o blog, ou qualquer outra forma plataforma que utilize, tenho que fazer do jeito que ela se encontra. E detalhe, não esquecer de colocar a “fonte”. Quanto a crítica, creio que a pessoa não se atentou a esse detalhe, e arrancou esse riso muito gostoso até, diria.
A Elis Regina juntamente com o Adoniran Barbosa nos presenteou com essa forma belíssimo de canção. A verdade é que, você não precisa ir até o morro para cantar um samba, pode fazer isso no lugar que estiver. Só ressaltando que a canção foi composta pelo o João Rubinato e Oswaldo Molles.
” Eu vi. Sei que vi porque não dei ao que vi o meu sentido. Sei que vi – porque não entendo. Sei que vi – porque para nada serve o que que vi. Escuta, vou ter que falar porque não sei o que fazer de ter vivido. Pior ainda: não quero o que vi. O que vi arrebentar a minha vida diária. Desculpa eu te dar isto, eu bem queria ter visto coisa melhor. Toma o que vi, livra- me de minha inútil visão, e de meu pecado inútil. “
Clarice Lispector. Para amar Clarice. Como Descobrir e apreciar os aspectos mais revolucionários de sua obra. / Emília Amaral. 1 ed. Faro Editorial. Barueri, São Paulo, 2017
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