” … ouvia chorar, um som quase inaudível, como só pode ser o de umas lágrimas que vão deslizando lentamente até às comissuras da boca e aí se somem para recomeçarem o ciclo eterno das inexplicáveis dores e alegrias humanas.
” Mas, conquanto não pode haver desgosto Onde esperança falta, lá me esconde Amor um mal, que maravilha é não se vê. Que dias há que na alma me tem posto, Um não sei quê, que nasce não sei onde, Vem não sei como, e dói não sei porquê”.
Hoje, 3 de janeiro, primeiro domingo do ano de 2021. Começamos o dia com a obra expressionista de Evard Munch. Apesar do estranhamento presente nesses tempos que vivemos, e a própria obra de Munch, que nos faz acreditar nesse grito sombrio – o momento é outro , ” O dia amanheceu!”, temos uma nova oportunidade pela frente. Diante de nossa face, não pode haver medo. É sim, um grito de liberdade, de oposição ao que vivemos. Já não importa o velho, o rosto e dores que foram silenciadas […]. O Brasil precisa se agarrar as oportunidades e seguir firme rumo a novos desafios. Desafiar inclusive, a sua coragem moral e ser solidário a determinadas realidades das quais tem se omitido. Escrever com veemência, com paixão o triunfo sobre aquilo que tem deixado os brasileiros indignados.
O grito mostra o pavor, o medo, desespero de modo longo diante de uma feição defunta. Superamos isso, vamos ressignificar o nosso olhar. Ao invés de olhos submissos, vamos confiar, respeitar, gritar profundamente, mas com repugnância em relação ao medo que nos afligiu, a morte que nos ronda o tempo inteiro. Vamos soltar um grito sim, mas das sensações supremas!
Estamos defronte de novas oportunidades, acordamos para todas elas.
” Faz de tua vida mesquinha um poema. E viverás no coração dos jovens.
e na memória das gerações que hào de vir.
Está fonte é para uso de todos os sedentos.
Toma a tua parte”.
Cora Coralina [ Pensador.com]
Há uma grande verdade nas palavras de Cora. Ela que sem ofender foi uma mulher revestida de simplicidade, soube fazer uma conexão forte entre bondade e o coração das pessoas.
A melhor resposta para esse mundo, digo no sentido de nos sentirmos aprovados pelas nossas atitudes, é conseguir fazer o bem. Não falo de fazer o bem o tempo todo, até porque isso seria impossível. Mas, aproveitar parte da vida para conseguir fazer coisas boas. Assumir responsabilidades, buscar resolver questões que ajudam a você fazer o bem. Talvez o maior deles, seja por você mesmo.
Quando falo em fazer o bem, estou trabalhando com possibilidades. É a partir delas que nascem as circunstâncias. É melhor agir, se permitir as suas imperfeições, olhar para os lados, tentando construir o seu destino do que esperar que esses desejos se concretizem sozinhos. Ainda que ao longo da vida haja muitos erros, ou seja, que você erre bastante, mas se puder contabilizar dentro das suas falhas, coisas que faça com que isso chame a atenção daqueles que te ama, então você já construiu bons sentimentos no coração daqueles quem te abrigo.
Às vezes acontecem situações, onde as pessoas estão do nosso lado, mais por conta de doenças do que qualquer outra coisa. Elas estão porque sabem que precisamos nos ‘aposentar prematuramente ‘. Por conta disso, digo da dor que nos aproxima, elas passam adotar as nossas idéias, falam acerca de nossos excessos, e tudo mais. São pessoas que querem levantar a nossa autoestima. Mas, por que? Porque já vivem uma espécie de luto […]. Neste caso, sim, são nobres por nos aceitar do jeito que somos. E aí, tem-se oportunidade de estreitar as diferenças, corrigir as nossas loucuras ( aquilo que nos tornou vítimas ou mesmos, os carrascos de nossas histórias). Em suma, podemos buscar desfazer as impressões negativas, os maus-entendidos que por vezes, acabam até desfazem as relações.
Ao agir dessa forma, você se torna sensível às causas raras. Por que digo ‘ causas raras?” Porque vemos pessoas dispostas a se compadecer de nossas imperfeições, e dizer que o Amor que têm por nós, é maior do que qualquer diferença. Esse detalhe é importante, pois constrói um elo entre você e aquele ou aquela que lhe assiste. O importante é encontrar a paz, o caminho que conduz tudo aquilo que deixa saudade…inspiração nas horas vagas na vida de que fica.
” Um dos paradoxos dolorosos do nosso tempo reside no fato de serem os estupidos os que têm certeza, enquanto os que possuem imaginação e inteligência se debatem em dúvidas e indecisões. “
Você precisa fazer login para comentar.