Falar sobre a mulher na atualidade não não é uma tarefa fácil, pois não podemos esquecer que estamos buscando referencias em uma imagem feminina desprivilegiada, culturalmente, inferiorizada e, que passou parte da história sem uma posição social definida, tendo única e exclusivamente a imagem atrelada a questão de símbolos. Portanto, buscar a representatividade da mulher nos dias atuais,é necessário primeiro, resgatá-la da localização do feminino aqual foi naturalizada.
A mulher na contemporaneidade, é um ser em desenvolvimento, porque tem muito essa referência do pesado, ou seja alguém que sempre viveu dentro de uma ” crise de representatividade” política. Essa mulher que a gente sabe que tinha uma vida destinada a obedecer o marido e cuidar do lar, é um ser que não passou pelo desafio de pensar, de questionar porque era inferiorizada em relação ao homem. A mulher foi coisificada, sofreu discriminação – sofre até hoje, e paga caro por ser vista sob essa visão de subordinação e controle do diferente.
Quando a visão a respeito da mulher na nossa sociedade começou a mudar?
Apenas para contextualizar, há 88 anos a mulher não podia votar, ou seja, ela não podia exercer a sua cidadania, expressar as suas ideias, nem participar de decisões políticas. A mulher sofria muito certas punições, como não poder participar de determinadas atividades, sofriam violência, ou seja, levavam desvantagem em tudo. Então por não terem nenhuma garantia, algo precisava ser mudado. Afinal, elas tinham direitos, mas por não ser garantidos, não podiam usufruir. Só após muitos protestos, dentre eles, a maioria vindo de associações feministas, foi que muita coisa mudou. Tanto que há o rereconhecimento ligado ao esforço das feministas por essa equiparação de direitos entre homens e mulheres.
Ao se pensar na mulher na atualidade, se faz necessário defrontar-se com questões, sobretudo, que a fez sair do “ostracismo”. E reafirmando o digo, volto novamente a história para justificar o que uma vez, o filósofo Jean Jacques Rousseau escreveu em sua obra Émile, ou educação, de 1762, a respeito da mulher, abre aspas “a mulher, por ser inferior ao homem em sua capacidade intelectual, deveria receber instrução superficial, com maior ênfase na educação moral e não no preparo para pensar”.
Em relação ao pensamento de Rousseau, a inglesa Mary Wollstonecraft afirmou: que a educação que a mulher recebia (quando recebia!) era a principal causa da incapacidade feminina de entender questões políticas. Para ela, isso poderia ser facilmente corrigido caso as meninas recebessem, desde cedo, a mesma educação dos meninos (O VOTO FEMININO NO BRASIL).
Mary, uma mulher muito além de seu tempo, trabalhou a questão da incapacidade feminina “sugerido uma educação que fosse igual a dos meninos”. Ressalta Mary a propósito da problematica que torna a mulher um ser inferior. Aqui, você observa que a reflexão sobre a desigualdade política já vem de longa data.
É sabido que a mulher só cabia o papel de administrar a casa, cuidar dos filhos e do marido ( submissão), ela não podia exercer a sua cidadania, porque essa era uma decisão de poder antecipado do homem, ou seja, um jeito de torná-la subalterna as suas vontades.
Olhando a história da mulher por este lado, vemos o abuso de poder. A educação sugerida por Rousseau era algo limitador na historia de luta da mulher por sua emancipação. Durante séculos a educação foi um instrumento de controle. Não é que a mulher era um ser incapaz, como foi colocado. O que ocorre em relação a esse fato, é que não lhes ofereceram as memesma oportunidades que deram ao homem. É preciso contar a história corretamente, para não incorrer ainda mais um erro, como tantos do passado. Então a educação, foi um passo importante para a mulher conseguir pensar e questionar aquilo que estava errado.
. O voto Feminino no Brasil
O voto feminino no Brasil, foi o segundo marco importante. Este, só passou a ser permitido no governo de Getúlio Vargas, com o Código Eleitoral de 1932. Mas, só passu a ser válido e garantiu direito às mulheres em 1934, foi quando este passou a estar presente na Constituição.
. Inserção da mulher no mercado de trabalho
Outra grande conquista da mulher foi firmar-se profissionalmente. As mulheres conseguiram realizar um feito nunca alcançado que foi assumir funções antes, destinadas a homens. Claro, ela passou a ter jornada dupla, tendo que se dividir entre o papel de ser mãe e ter que trabalhar fora. É preciso dizer também que as mulheres romperam com a linha de preconceito para assumir funções públicas. Assumiram participação na política, e diversas áreas. Na verdade, essa tem sido a luta das mulheres para garantir a consolidação de seus direitos.
De concepções antigas e modernas, o que podemos analisar são muitas rupturas que vai desde pensamentos, até as mudanças verificáveis nos espaços que as mulheres estão hoje. O que podemos dizer em relação a mulher pós-moderna, é que esta tem mais consciência de ser, de intervir e produzir. Elas simplesmente, deixaram para trás a ideia de abandono a qual foram submetidas a séculos, e passarm a escrever a sua própria história.
Todavia, essa reflexão é para reafirmar que mulher ainda não conseguiu a inclusão equitativa total da crise de representatividade. É preciso dizer que muito se avançou em relação a conquista de seus direitos políticos. Mas, só quando de fato, houver uma tratamento de igualdade não somente em discurso, mas na prática é que a mulher conseguirá exercer a sua cidadania verdadeiramente. A gente sabe que existe uma luta diária para reduzir as desigualdades políticas e sociais, e que essa mulher se constrói todos os dias para conseguir exercer a sua cidadania.
A violência contra a mulher é um problema social grave. Na verdade, eu considero a violência como um “nervo exposto”. Por que estou usando essa expressão? Porque seguindo ao pé da letra, um nervo exposto é aquilo que ” que qualquer coisa que venha bater em cima”, machuca, faz sangrar…”. Você consegue compreender o porquê de tal comparação? Pois bem, a violência machuca, seja na sua forma sutil ou carregada de agressividade. O que quero dizer é que, de qualquer forma, o seu resultado é danoso.
O ” Agosto Lilás ” trás uma proposta muito boa que é oferecer proteção à mulher que é vítima da violência. Mas, não é só isso, há um trabalho de conscientização que faz um alerta a sociedade para que esta, possa se sensibilizar diante desse problema, e contribua para o fim dessa violência. Como? Fazendo campanhas de conscientização, distribuição de panfletos, paletras e outros. Claro que, sabemos que isso não é uma tarefa fácil. O Agosto Lilás é um símbolo dessa luta contra a Violência. Há muito trabalho para se chegar ao resultado que se deseja. Portanto, falar sobre a violência, é sim ” uma das grandes questões da sociedade que merecem atenção.
A violência contra a mulher é das questões alvo que precisam ser discutidas, sem dúvida. Você não pode negá-la ou escondeissoelo contrário, é um dos temas maiores de nossas inquietações. Falo isso, porque como mulher, é muito difícil olhar para a dor da outra, e não se sensibilizar.
Nós mulheres nos interrogados o tempo todo sobre a violência e os seus impactos. É uma brutalidade vermos tantas mulheres sofrendo, algumas sendo mortas por seus companheiros. Há também uma preocupação com a violência cotidiana que nos apequenar todos os dias, seja dentro de casa, ou fora dela. falo da violência em locais públicos.
Falar sobre violência é um aprendizado na maioria das vezes forçado, porque tem mulheres que lutam contra, mas, há também aquelas que convivem com o problema muito bem, ou seja, aceitam porque ” aprenderam que deviam aceitar” sem contestar. O que é um erro, pois não existe ganho na renúncia, na perda e na lamentação. É isso que essas mulheres não entendem: ” Precisam lutar por elas”. É uma barbárie tudo aquilo que vivemos ao longo dos séculos […]. Simplesmente, não tivemos como negociar, não de forma equilibrada.
Falar sobre violência é não esquecer as nossas marcas psíquicas, porque ” embora o tempo tenha corroído as feridas, as cicatrizes da pele de nossas mães e avós”. A do resto, digo da “descendência’ dessas mulheres que somos nós hoje, essas, certamente, não.
Eu como mulher, digo: é preciso ser resistente”. É preciso lutar…” não se negocia com a violência. É preciso compreender que ela é mais forte do que nós. Portanto, é preciso haver essa união, das mulheres, da sociedade, de órgãos que trabalham essa questão, para que juntos, possamos construir pontes que nos ajudem na travessia desse abismo, quer dizer ‘ crueldade ” que muitas de nós somos submetidas.
( AZEVEDO, A. Obra completa. Rio de Janeiro: Novo Aguilar, 2000). Literatura brasileira em diálogo com outras literaturas e outras linguagens. William Cereja e Thereza Cochar. 5 Ed. reform. Atual. São Paulo, 2013
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