Como acreditar num país onde as mulheres são sexualizadas desde muito novas? Se temos adolescentes engravidando tão cedo? As vezes meninas violentadas e obrigadas a gestar e dar a luz? Transexuais que tem uma perspectiva de vida curta? Discussões sobre métodos seguros para evitar uma gravidez indesejada? Você acha que todas as mulheres têm o mesmo nível de informação sobre esse assunto? Não. E as mulheres negras que dofrem mais do que as outras mulheres brancas, principalmente por ter seus filhos e vê-los perder a vida tão cedo para o tráfico ou ser vítima de um bala perdida?! Imagine quantas realidades diferentes se tem a ser trabalhadas nesse país! As mais diversas. Mulheres negras, elas não têm a mesma liberdade ou ganham mais que as brancas, pelo contrário. A diferença é visível. Evidente que estudam como todas as outras. Mas ter carreiras dignas é uma luta. Isso sem falar que são mais assediadas e mortas diariamente. O 8 de março reflete mais consideração à mulher. Reflete também sobre importância de levará sério todas essas questões. Ainda existem muita desigualdades! E todas elas precisam ser trabalhadas, para se conseguir estreita tantas diferenças.
Violência
Quantas mulheres são vítimas da violência? Mulheres jovem principalmente. Mulheres com idade que varia entre 16 a 32 anos. Muitas vivem relacionamentos abusivos e nem sabem que estão vivendo isso, porque acham que é comum um ciúme em exagero aqui, um puxão de cabelo, um empurrão, um tapa como condição do parceiro em não superar alguma falta delas. A independência financeira que é outro problema. Muitas mulheres dependem exclusivamente de seus parceiros. A violência doméstica um problema muito sério. E quanto as políticas públicas, temos de maneira eficaz? Rede apoio, existe em todos os lugares? A sociedade dialoga com a finalidade de buscar uma resposta para esses problemas? Não. Ainda há um vazio diante de todas essas questões. Claro, é preciso reconhecer que muito avancamos. Mas também existem muitas situações que não avançam Discursos que, na na prática, prevalece a questão da insegurança do tanto faz …que ignora muito desses direitos. Enquanto isso, acuada, a mulher vai permitindo aquilo que não pode mudar. ” Guerreira” nós somos. Falta garantir ainda espaço e privilégios. O ideal que se deseja anda longe de ser alcançado. Por isso, vamos continuar lutando.
A violência é um suplício na vida da mulher. Um castigo! E é usada como instrumento para punir. Um ato desumano para fazer você se curvar as vontades daquele que tem o poder em um determinado momento, de algum modo. A violência é a demonstração do grau contínuo do quanto eu posso atingir o outro diante da sua falta para comigo. Triste não? Mas é uma espécie de tortura para quem sofre as suas consequências.
A violência contra a mulher é um problema grave, ela vai além do lar; a violência doméstica por exemplo, que é um problema social, nos convida a pensar nisso, digo ” nessa forma de punição ” no domínio exercido pelo poder do marido. As suas consequências são graves. Em geral, há risco à vida. Se a mulher desobedecer esse homem, se ela for capaz mediante de suas atitudes, fazer ele perder o equilíbrio e, o poder sobre ela, em muitos casos ( não em todos), esse homem, puni essa mulher de diversas formas, entre elas, tirando-lhe a própria vida. Sim, esse marido ou companheiro, se torna um ” indivíduo perigoso”.
Dentre as suas muitas ações, ele pode causar sofrimento sutis, humilhar, perseguir, transformar a vida dessa mulher em um suplício. Esse homem pode tudo através de suas violações. E quanto essa mulher, como ela fica? Como refém desse homem, evidentemente. Essa mulher torna-se um objeto que ele usa conforme a sua vontade.
Ora, curiosamente, eu trabalho essa temática que aborda a questão da violência contra a mulher, e vejo o quanto essas mulheres sofrem. Elas, por não terem discernimento acerca do comportamento violento desses homens, se sentem culpadas. É uma tortura sem dúvida tudo aquilo que ouvem. Situações como : ” Você é um lixo” ou ” puta safada” você não ” vale nada” …” Quer ir embora, vai” …mas não leva nada do que é meu”. É uma forma de punição severa para quem sempre esteve ao lado de um homem “sentindo esse sofrimento regulado na pele”. Regulado porque todo dia, ouve essa ofensas – violência psicológica, tendo os filhos como cúmplices.
O homem exibe a força, através da violência que se torna um hábito diário. Um carrasco que esquartejar a mãe diante dos filhos sem nenhuma consideração – um suplício para essa mulher que na maioria das vezes suporta tudo calada. Ora, as famílias ( não todas) mas a maioria tem esse modelo de pai. Na verdade, não é um modelo, é um sofrimento a todos.
Ora, dentro de situações como essa, se observar um sofrimento tão intenso que a mulher não pensa em vingança como esse homem, ela pensa em morrer, como forma de ” minimizar ” o sofrimento diante dos insultos. Eu falo isso, porque leio os seus relatos. Observo principalmente que, essa mulher quer se punir, ao invés de procurar os seus direitos, o que é um erro. Falta consciência, sem dúvida.
” Eu não posso dizer que é o abandono da mulher por ela mesma”
Se eu visse o problema dessa maneira, também estaria sendo injusta comigo. É revoltoso tudo isso. Mas reflete uma educação ineficiente, uma ruptura com o patriarcado que embora, venha perdendo força mediante ao direito, homens (tendo que obedecer as nossas leis), muitos comportamentos machistas são repetidos na nossa sociedade. É esse detalhe que não queremos.
A outra cena comovente que vejo, é o pouco de informação que essas mulheres recebem, principalmente, aquelas que vivem nos rinchoes do Brasil, ou mesmo entre todas as informações que circula, mas a maioria, por não ter o interesse de ir atrás, não sabe usar o direito a seu favor e, sofrem da mesma forma – se tornam agradecidas quando tem alguém que as alertas, que diz o que elas devem conhecer sobre si, e sobre o direito e, como podem usar este, a seu favor. Eu costumo ler muito:
” Obrigada pelos seus esclarecimentos, eu tenho aprendido muito com você ” Os seus esclarecimentos são importantes a todas nós”. Esse detalhe é o que acrescenta na vida dessas mulheres mediante a violência que sofrem […]; o alerta, representa esse despertar da mulher pra si, para o mundo. Vou dizer mais a essa mulheres:
” A violência só oferece duas escolhas…” Olhe o exemplo da Penha. Se você não quer nenhuma delas, lute pela sua vida.
É a mulher que tem que prestar atenção ao risco que corre ao permanecer convivendo com um homem violento. Não é o silêncio que salva”. É impossível negociar com a violência. Todas as vezes que uma mulher tentou fazer isso, ela morreu/ morre. É importante ficar atenta, porque isso pode salvar a sua vida.
Durante séculos a impunidade se faz presente aos crimes cometidos da ” porta pra dentro”. Contra elas, penas severas ( a morte) ; aos parceiros agressivos, a vantagem da impunidade e ” vangloria” O direito é pra todos. E para que esses agressores sejam punidos, é preciso que a mulher tenha consciência coragem para denunciar. É só dessa maneira que se deixa de ouvir murmúrios e a Justiça acontece.
” Não tem aquela história de que em briga de marido e mulher ninguém mete a colher? A Lei Maria da Penha é totalmente contra esse pensamento.”
Maria da Penha. Mulheres Incríveis.
É impressionante como muitas mulheres vivem aprisionadas em relacionamentos doentios. A sensação vivida por muitas é a de impotência. Como descreve a própria Maria da Penha quando ainda estava casada com o seu agressor. Segundo palavras dela mesma ” Não podia fazer nada para conter as agressões do marido às filhas ou a si mesma”. Às vezes, a mulher se sente sozinha e desesperada! Essa que é a realidade. Eu vejo isso nas palavras de muitas mulheres hoje. É comum, que parte destas “entregue a situação a Deus” sim – apesar da lei, parte dessas vítimas não conhecem os seus direitos. Quer dizer, essas mulheres passam por todos os tipos de violência, e pasmem – para sobreviver, elas saem de seus relacionamentos “com a roupa do corpo”. As que saem e sobrevivem, contam situações inacreditáveis. É impressionante como muitas não tem orientação acerca de seus próprios direitos. Isso mostra que há uma falha enorme sobre essa questão. A verdade é que falta mais campanhas de esclarecimento, políticas públicas de qualidade. A mulher, não todas, mas a maioria, vive aprisionada a própria ignorância. A pergunta é ” à quem essa mulher vai recorrer?” Por que muitos agressores estão impunes. A família leva tempo para tomar ciência, e ao se tornar conhecedora das situações de agressões ” aconselhar o agressor, dizendo que ele deva melhorar, já em relação a vítima diz para ela ” rezar” para que Deus mude a natureza má daquele homem. Difícil! Porém, ainda é o que acontece em diversas situações. A mulher não encontra amparo em nada, porque espera que a família faça algo para atenuar aquela situação de sofrimento. Mas o que ela não entende é que só ela mesma pode interromper a sua dor e é claro – lutar pela própria segurança. A Lei n° 11.340/2006 é uma lei que previne a violência doméstica. Mas cabe a vítima fazer a denúncia. Essa é a luta de toda mulher que vive esse processo de horror. Nessa briga, a família, assim como também todos devem meter a colher. O único recurso que pode diluir o resultado dessa violência é a denuncia juntamente com a punição desse agressor. Não há outro meio. Existe consciência sobre o problema, e formas para se trabalhar essa violência. Todos nós devemos meter a colher.
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