” O grande desafio que o Brasil enfrenta nesse momento, é alcançar a necessária lucidez para concatenar a energia positiva que os brasileiros precisam ter agora, digo nesse “momento decisivo da história”. Sim, é importante ter clara consciência dos riscos de retrocessos e das possibilidades de liberação que ensejam. O povo brasileiro pagou, historicamente, um preço terrivelmente caro em lutas das mais cruentas de que se tem registro na história. Obviamente, todas foram necessárias, porque sem elas, a casa-grande só estaria alargando cada vez mais o privilégio de seus herdeiros. Porém, do engenho à senzala que acumulava dezenas de escravos, o negro foi para os quilombos, e apesar das muitas dificuldades, a edificação da sociedade brasileira tradicional, tem mudado, se adaptado melhor os novos setores produtivos. Sim, queremos um país que constrói a sua história, diferente do que houvera. Hoje, a nossa luta continua sendo em tentar nos alongar ao máximo da visão do passado, por isso se fala tanto em igualdade. A nossa luta é árdua, mas esta, visa principalmente, se libertar das formas que não deram uma de vida digna ao povo quem tem no seu sangue, uma herança mestiça, ou seja: índio, negro e portugueses. Claro, o que predomina hoje, não é comércio de especiarias, o engenho, nem a força bruta, é sobretudo, a liberdade do povo. Não devemos subordinação a um único proprietário destas terras, as pessoas não são tratados como animais, são sim, livres. Livres principalmente, para pensar, lutar por aquilo que acreditam e representa melhor os seus direitos. Lutamos pelo estado de direito e uma democracia que nos permite ter construções sólidas.
Marii Freire/ O Povo Brasileiro/ Darcy Ribeiro.
Darcy Ribeiro. O Povo Brasileiro – A formação e o sentido do Brasil.
Nenhum ser humano sobreviveria sem amor próprio. O amor próprio é uma necessidade que nasce do dever de cuidar. Cuidar, sobretudo de nós mesmos, por isso não o renunciamos. Depois, cuidar do outro, ou seja, quem amamos.
“Em nome do amor, a violência é suportável para manter a relação?”
É comum, discutirmos sobre violência todos os dias. Assim, como também é natural vermos notícias sobre a morte de mulheres de forma trágica. Infelizmente, o Brasil ocupa o 5° lugar no ranking mundial de mortes de mulheres ( Feminicídio), é uma estatística triste e desumana que a OMS ( Organização Mundial da Saúde alerta, e faz-nos refletir sobre essa realidade.
Sabemos que essa realidade é complexa, e vem principalmente, por parte de agressores que convivem com suas vítimas. O agressor é um ente que diante de posturas extremistas, ceifa a vida da esposa, companheira ou namorada.
É interessante ressaltar que, a mulher por amor ao homem, às vezes leva tempo para identificar os sinais de uma relação abusiva. Em geral, a mulher que vive um relacionamento conturbado, compreende os conflitos como algo normal. Então é necessário dizer que há esse equívoco que cria o lado hostil do sofrimento, mas também traz o acalento em forma de sedução. Veja, muitas vezes as humilhações, assim como xingamentos e maus tratos, são compensados pelo companheiro que agride, seja com um carinho, um amor caprichado, ou um apelo emocional que torna tudo muito irresistível. Diante dessa situação, a mulher por sua vez, não sabendo que atitude tomar perante o namorado, ou marido, ela se entrega aquele formato de relação que é ofertado à ela. E, por que? Porque ao se relacionar com um homem por amor e sexo, carinho e proteção, simplesmente, a mulher submete aquilo que é exigido. Quer dizer, a mulher não avalia o que é normal na relação ou violento. Enquanto pensar estar sendo cuidada, tendo afeto e carinho, além de seus desejos atendidos, em alguns casos, ela vive sob dominação e controle do homem que diz amar..
Como dar-se a violência?
A violência dar-se de muitas maneiras. Às vezes por negligência e omissão. Neste caso, se observa muito a questão dos maus tratos. É um silêncio que mais desorienta e causa confusão do que uma posição, onde o outro fala o que pensa, por exemplo. Aqui, necessariamente, não precisa ter gritos, tapas e empurrões para caracterizar um ato de violência. Não, existe uma forma sutil de abuso que aos poucos, vai se tornar um vício; desse vício, transformar-se em hábito que se adequando ao comportamento do parceiro, ou parceira, porque a violência pode ocorrer por ambas, esta também se dar, neste caso pelo comprometimento da confiança. Sim, seja na forma sutil, ou no ódio declarado, a mulher nem sempre tem esse olhar aguçado sobre a violência. Ora, fisicamente, é fácil perceber os sinais, as marcas no corpo diz muito quando se trata de uma violência física, mas quando é psicológica, a situação complica bastante. A verdade é que:
” Em nome do amor, a violência é suportável ou seria suportável…”.
Na maioria dos casos, a violência se torna suportável pelo medo de perder o grande amor da sua vida, ou morrer nas mãos dele. Há situações que a submissão da mulher é visível. Às vezes, ela passa por julgamentos injustos, gritos, colocações que mostram que ela não é uma boa esposa dentre outros. Pior ainda, dependo do quanto esse homem é agressivo, a mulher apanha calada. Claro, tudo para manter o ” objeto de seus desejos ” por perto. Via de regra: é descabida, porém, essa doação em excesso da mulher é observada.
Quando se fala em violência doméstica, a primeira coisa que se nota em relação a tudo isso, é o consentir. A ânsia da mulher em ser desejada, a faz muitas vezes ser abusada. A mulher que percebe a violência, na maioria dos casos, não denuncia. E não denunciar, por medo como mencionado. Essa é sem dúvida, uma realidade complexa, porque existe o desejo de preservar a relação em nome do amor, porém, a resposta na maioria das vezes, é a dor. A única possibilidade de trabalhar essa realidade é dizendo não.
Mas é preciso mudar a maneira de pensar. A mudança confronta fantasia do ato ingênuo de acreditar no amor. Amor não combina com dor. Se a resposta do que você tem em relação a pessoa que ama, incomoda, é interessante averiguar a situação com cuidado. A primeira regra do amor próprio, é nos amar. Se eu me amo verdadeiramente, não é qualquer situação que vou me submeter em nome do amor que sinto pela outra pessoa. Não se atentar a detalhes como esse, é sem dúvida se submeter a qualquer situação, inclusive ser uma vítima a mais da violência. Portanto, diga ” não ” ao que maltrata. Seja consciente, queira um amor sadio, um amor que te ajude a ser uma pessoa melhor. Amor quando é amor, faz através das boas atitudes, que o casal cresça juntos.
Carlos Drummond de Andrade/ seleção de textos, notas, estudos biográfico, histórico e crítico por Rita de Cássia Barbosa. 3 Ed. São Paulo: Nova Cultural,1990 ( Literatura Comentada)
” A mulher pós- moderna é uma mulher que aprendeu falar, mas falar melhor. Ela “sabe expressar a sua opinião “, e denunciar aquilo que vai de encontro às suas regras pessoais. Então, pode se dizer que ela é uma mulher empoderada.
Marii Freire. Mulher Empoderada
Marii Freire Pereira, MULHER Do ostracismo à luta pelos direitos nos dias atuais. 1ª Ed. Maringá: Viseu, 2022
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