A humanidade sempre procura empurrar seus problemas, para além das 24 horas diárias ( futuro) que temos, como reflete a realidade dos Yanomamis. A repórter Sônia Bridi com uma criança indígena no colo, oferece ajuda na tentativa de amenizar o sofrimento dessas pessoas que vivem um episódio trágico e cotidiano em seuas terras. Este, proveniente de interesses que colidem com os índios. E o socorro, juntamente com a solidariedade, apesar de tardios, chega num momento em que causa profunda tristeza no mundo que assiste essas cenas.
A Paz é uma conquista pessoal, é um estado de espírito onde você se conecta com tudo aquilo de bom que o universo emana em forma de resposta. A Paz profunda, ela permite que você ouça até o seu barulho de uma maneira delicada, cativante, simples e ritmada. Sim, tudo faz parte de um processo sem essa coisa de uma exibição incrível e bem-sucedida. Eu diria que esta é, a verdadeira conexão entre corpo, espírito e alma. Claro, nasce da permissão íntima, dada principalmente, depois de um trabalho árduo de ressignificar a vida, acontecimentos, situações que se instalam no dia a dia. A paz nasce, sobretudo de um projeto pessoal onde cada pessoa consegue simplificar problemas grandes em pequenos.
A violência psicológica não deixa marcas na pele, como ocorre com a violência física. No entanto, ela deixa vestígios de abuso e tristeza que podem ser facilmente notados através de boa construção perceptiva, digamos ” um olhar mais atento sobre a pessoa que sofre com o problema. Pode- se dizer que cada pessoa, cada mulher em especial, tem uma maneira própria de mostrar isso através de seus comportamento.
. Aparência/ traços observáveis: o olhar; o olhar entrega o estado emocional, geralmente carregado de uma profunda tristeza.
. Concentração, a mulher tem mais dificuldade em fazer algo, ou interagir. Você percebe que ela se mostra mais retraída.
. Raciocínio, a pessoa que sofre abusos psicológicos geralmente ficam reativa a certas emoções. Então, o olhar ou mesmo a questão emocional, mostra um certo desequilíbrio no comportamento dessas vítimas.
Um exemplo: se uma mulher vive um relacionamento doentio, ou seja, aquele que tem a presença da violência doméstica inserida no contexto diário dessa mulher, ela irá apresenta a ampliação de um processo de sofrimento que no primeiro momento, a consume. Veja, ela não vai abrir isso para as outras pessoas, até mesmo porque, para proteger o seu objeto de desejo, ou seja o seu amor. Sim, a mulher vai ” guardar” aquele abuso psicológico sofrido por parte do companheiro, justamente para preservar a relação. Afinal, existe além do medo da ameaça, também a esperança de que esse homem mude, inclusive, volte a ser aquele ser por quem outrora, despertou a admiração dela. É muito comum a vítima lutar pela própria sobrevivência dentro da relação que se sustenta nesse problema. Entre muitas outras coisas, há a buscar soluções por parte dela, a partir de hipóteses de uma realidade não observada; não observada pelo menos como deveria, porque para se manter dentro da relação, essa vítima terá que renúncia na maioria das vezes o seu direito de mulher.
É muito comum que pelo próprio estado de paixão, a mulher demonstre ternura, mesmo diante de situações onde ela sofre manipulação, como ocorre no abuso psicológico. Um exemplo claro disso é que, um casal pode viver essa situação durante muito, onde um ter que aceitar o ” alinhamento emocional ” imposto pelo outro para garantir um pouco de paz. É como se essa mulher deixasse de viver a própria vida, para viver a vida, os desejos e sonhos do parceiro. Então o que acontece na prática, é ela desce um pouco o nível do próprio valor para ser bem vista no padrão do outro, ou seja, no que o homem coloca como correto pra ele, não significa que seja para essa mulher, porque se a conduta dele traz algum desconforto para o casal na relação, no caso, existe uma certa negligência emocional da parte dela, que acaba vendo o que não é bom para si, mas se submete a um sofrimento desnecessário. E aí, é muito triste porque para um passo maior que é a violência física, falta muito pouco.
Vítimas de suas próprias criações:
Até que ponto vai a dimensão do amor? Dependende do amor, da relação e a violência com que uma mulher pode ser tratada. Não justifico a violência, mas o grande desafio para a mulher, é justamente sobreviver ao caos. É como o mundo dos répteis, o mais hábil sobrevive se permanecer firme diante dos desafios. Se a gente for olhar para a história da mulher diante desse horror, muitas sobreviventes conseguiram contar que “o amor é paciente e tudo suporta”. Não sei afirmar com certeza se todas suportariam. Creio que não. Hoje, temos leis para conter essa realidade perversa. Além disso, o amor não é negócio, mesmo o casamento sendo um contrato.
É preciso compreender que as pessoas têm que estar com a outras, porque amam mutuamente aquela companhia, e por compreender que, o amor precisa ser um sentimento leve, gostoso, de amizade e cumplicidade. Tudo aquilo que foge disso, é meio caminho para o sofrimento. É importante ressaltar que, nenhum é mais importante do que o outro, você tem que saber que amor não é ter que medir forças, amor é enlace, é desejo de construir sonhos juntos, por isso que as pessoas são livres para escolher a quem amar. Amor não é imposição, não é ter que fazer o que eu quero e da forma que desejo. Não, é preciso haver conciliação de ideias, de comportamento para que a relação seja saudável para ambas as partes. Amor é escolha.
Marii Freire. Traços da violência psicológica na vida de uma mulher
A vida nos aproxima de pessoas para que possamos aprender aquilo que precisamos, já que olhando pela via do desconhecido, temos um déficit em relação ao que ainda não é um fato concreto, ou seja o que não foi consumado ” vivido” no melhor sentido da palavra. E no final, ela leva embora essas mesmas pessoas que nos fizeram bem, ou que foram de certa forma, perversas, maldosas e até injustas. De qualquer forma, a gente precisa aprender que, vida sempre é recíproca, ousada, necessária e assertiva muitas vezes diante de sua convenções.
” Hoje, acredito que a mulher já começa discutir a sua própria história de uma maneira mais consciente, mas é precoce dizer que ela pode ser autora de sua vida, de sua história, sem interpretar corretamente os séculos de opressão e negação de direitos.”
Marii Freire. MULHER Do ostracismo à luta pelos direitos nos dias atuais
Hoje, pela segunda vez uma pessoa me perguntou como eu tinha escrito o meu livro, quem me ajudou e quais as fontes eu havia utilizado? Eu respondi: ” Eu escrevi sozinha!” As fontes vem do direito, como vocês podem verem na bibliografia do meu livro. Agora, os profissionais foram aqueles que eu admiro o trabalho desde a época da faculdade: Maria Berenice Dias, Maria Helena Diniz, Cezar Roberto Bitencourt, Guilherme Nucci e outros, alem da lei. Claro, alguns sites que também precisei agregar informações sobre o tema e que tambémcito no livro. Quanto ao resto foi sentar a bunda na cadeira e escrever mesmo. Eu nunca tive qualquer dificuldade em escrever. Outro dia, eu estava conversando com alguém e trocando ideias sobre bibliotecas, e falei que passei parte da minha vida em biblioteca pública porque não tinha dinheiro para comprar livros, e isso pra mim fez um bem enorme, porque hoje, eu tenho uma ligação muito forte com eles, não sei viver sem um livro ao alcance da mão. Então escrever pra mim, é algo muito simples. Eu gosto do que faço. Enquanto muita gente tem dificuldade, eu não tenho. Eu escrevo sobre muitos temas, e não é só sobre Direito. Escrever vem de dentro pra fora, é seu…é algo próprio! Você precisa ter domínio sobre o tema que vai trabalhar. Evidente que precisa ter conhecimento sobre o assunto que deseja desenvolver. Eu tenho sete anos de direito na minha formação acadêmica, o que me ajuda bastante. Agora, o conselho que deixo a você que também deseja escrever ou fazer qualquer outra coisa que gosta, é se prepara e não conta muito com ajuda dos outros. “Você tem que trabalhar e fazer valer os seus sonhos.” Lute, conquiste aquilo que acredita ser capaz.
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