Se existe uma coisa que o homem consegue responder com agressividade é a desconstrução da fragilidade feminina, porque quando ele descobre que a mulher transforma isso em força, ele se torna violento.
Marii Freire. Fragilidade Feminina/Violência Contra a Mulher
A igualdade é um ideal a ser alcançado. E embora lutemos para chegar a esse objetivo; temos que admitir que as ameaças são reais. Evidente que para muitos, a solução é contraditória e nunca conseguiremos banir as diversas formas de desigualdades, especialmente pelo egocentrismo, o desejo pelo poder, a violência a pobreza e tudo que advém disso. E também porque se observa que a classe rica e ( cheia de privilégios ) se torna cada vez mais rica, justamente por asfixiar a pobre; fazendo com esse sonho pareça cada vem mais longe, tornando portanto, esse um mundo mais injusto. Todavia, não podemos esquecer que o oxigênio para seguirmos em frente, vem da luta; vem da [ consciência] que é uma verdadeira bússola ao despertar. Aqui, não falo em fim da pobreza; a não ser a pobreza mental de alguns, porque isso sim, é importante acabar.
Quando se fala em igualdade, eu sou realista e procuro afirmar que “ num mundo melhor, é possível viver”, desde que todos tenham acesso à Justiça e ao Estado de Direito. O correto não é “ vender as pessoas um sonho de papel “ é ajudar a fazer com que elas pensem e encontrarem suas respostas. Eu sei que é possível, desde que se queira e se aprenda a fazer barulho que em parte, é silêncio, especialmente quando se trata de direitos.
Só é possível construir um mundo com igualdade e justiça, por meio da consciência. Sem esse requisito, a parte rica de privilégios “ decide o resto.”
E por que esse outro lado ( parte rica) decide o resto? Porque os ricos; os países visto como superpotência ( Estados Unidos), conseguem o que querem por meio da força e outras ameaças. Temos uma parte rica e privilegiada que ainda toma as maiores decisões sobre o que acontece ou não. Enquanto isso for uma realidade, temos que lidar com inúmeras dificuldades sobre tudo o que aprendemos e observamos ao redor mundo.
Não se pode acabar com a pobreza ao redor do globo, mas diminuir as muitas desigualdades como disse anteriormente, é possível, desde que [ se queira]. Os chefes de Estado têm muito a contribuir! A igualdade é a direção certa, e mesmo que isso pareça distante, não podemos desistir, porque lutar; lutar pelo fim das injustiças também é processo e não há ganho sem essa consciência. Há muitas vozes que se juntam, muitas mãos que se unem para sustentar o que se chama de dignidade humana. Certamente, esta , começa com ações de homens e de mulheres que lutam contra a violação de regras inspirando e encorajando também outras pessoas. Isso é revolução; isso é transformação.
A fragilidade feminina sempre foi rentável ao patriarcado. Através dela se cometeu as maiores formas de atrocidades contra a mulher. Coisas como “ mais frágil “ essa é presa fácil! Logo o machismo obterá força para mostrar toda a sua confiança. Todavia, quando se descobre que isso entre outras formas de dominação masculina, servirá para abusos de toda natureza e violência; quer dizer, quando a mulher se mostra capaz e luta contra toda essa “ criação” na verdade, ela dentre muitas situações, torna-se vítima de violência. Mas, não para por aí. Pois só lutando, é possível desconstruir muitas formas de desigualdade, inclusive essa atribuída a mulher em razão do sexo.
Dados recentes revelam o aumento da violência contra a mulher no país. Essa violência é vista como a mais comum e que, esse crime poderia ser evitável, mesmo diante da sua complexidade. Ainda que, diante do aumento de pena, o que se observa é que mulheres continuam perdendo as suas vidas pelas mãos de seus algozes. Em 2015, quando houve a tipificação desse crime, até os dias atuais, se observa um recorde numérico absurdo nesses 10 anos em relação a essas mortes, conforme afirmação do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.
“ Mesmo diante de números expressivos, há uma violência que existe em forma de subnotificação e que não se pode mensurar “
O Fórum aponta as pesquisas, mas parte dessas agressões não viram boletins, e isso coopera para o aumento dessa violência; dessas mortes que chocam todos nós. O que se sabe é que, muitas dessas mulheres só se tornam conhecidas quando viram estatística, já que muitas nunca pisaram numa delegacia. Ao longo do ano passado foram registrados vários casos de agressões e mortes, onde muitos choraram a sociedade como foi o caso Tainara.
O que dizer para essas mulheres que sofrem violência? Não facilitem o lado do agressor. Esses homens precisam serem expostos para que eles sintam vergonha de agredirem e sejam responsabilizados por seus crimes.
Ao se falar no crime de estupro, a sociedade apresenta formas machistas de lidar com o problema, porque ela deseja identificar na mulher os requisitos que levaram aquela situação ou seja, no caso do estupro coletivo, por que a menina de 17 anos foi ao apartamento? Ou por que ela não ficou em casa? Quando na verdade, a pergunta é: por que os estupradores cometeram esse crime? Em casos, onde o estupro ocorre na rua ou num baile funk, a pergunta é “ Qual roupa você estava? Mas esquecem de olhar o principal: se a mulher foi forçada, se foi respeitada diante da atitude de um homem que já tinha a intenção de cometer o estupro. A impressão que se tem é que, tem o estupro que a sociedade quer da forma dela ou se esse crime ocorre de qualquer jeito, mulher é culpabilizada por isso. A sociedade não quer ver e falar sobre o problema responsabilizado o verdadeiro culpado: o homem… que se aproveita de uma situação e pratica esse crime, como se houvesse “ justificativa” ao estupro ou qualquer forma de violência contra a mulher.
A ideia principal ao escrever esse livro foi, falar sobre comportamentos cruéis; comportamentos são destrutivos. Desta forma, quem se esconde por trás de uma perversidade narcísica por exemplo, é alguém que usa “ máscaras “. Eu, sei que você não se casa com um homem ou uma mulher assim, digo com “ essas qualidades” nem com um agressor, mas essas pessoas existem e criam um verdadeiro caos na sua vida.
A minha intenção no livro: O Amor Verdadeiro Contesta, não é falar de amor. Mas, chamar a sua atenção sobre o que, ele não é ou seria.
Nessa obra, eu trabalho inúmeros exemplos que ajudam a mulher a identificar um agressor; um parceiro manipulador e falo também das consequências que isso traz a saúde mental e emocional das vítimas.
É importante ressaltar que, ao se falar de relacionamento abusivo, estamos chamando atenção para o aumento do número de casos de feminicídio e de situações que apontam a violência doméstica. Veja, aqui não se pode falar em “ amor mal escolhido” mas apontar fatores que, infelizmente cooperam para o aumento da violência doméstica. Sabemos que numa sociedade machista, há vários aspectos culturais; valores morais, aos quais, criam ou ajudam a criar uma condição de sacrifícios psíquicos para a mulher. A própria construção social faz com que se tenha uma linguagem diferenciada em relação a mulher; muitas carregadas de autoritarismo ou mesmo aquelas que, as fazem se sentirem desamparadas. A verdade é que ainda, existe muita repressão. E são esses fragmentos históricos que asseguram o medo e as desigualdades entre gêneros, assim como, posturas rígidas que devem ser consideradas ( corrigidas) para não se produzir mais violência.
Quando se considera todos esses sintomas, se encontra a causa de tanta frieza em relação a mulher, ao invés, de proteção. A proteção só existe enquanto ela suporta a maldade do parceiro, porque quando ela procura ser vista e respeitada, encontra um inimigo pela frente. Portanto, a minha fala busca mudança. Eu provoco leituras que possam resultar em mudanças significativas em relação a essa realidade. Neste ponto, eu consigo chamar atenção ao que sangra e ao que nunca seria amor.
Será que “ o amor é paciente e tudo suporta?” Algumas de vocês vão “ justificar “ que o amor tudo suporta. Todavia, a maioria não concorda com isso, porque numa relação onde a violência se faz presente, não há amor. Além disso, o amor não é negócio, mesmo o casamento sendo um contrato.
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