Feliz Natal

Hoje, 24 de dezembro, data que antecede o Natal, eu gravei uma mensagem ao meu público, ou seja mulheres que passaram e passam por situação de violência doméstica. Confesso que fiquei elaborando algo que pudesse levar um pouco de esperança a essas mulheres que têm uma realidade não muito confortável, vou usar essa palavra aqui para enfatizar o momento, por se tratar de uma época onde as famílias são calorosas.

Todos nós sabemos que o Natal é tempo de celebrar o nascimento de Jesus, Natal é tempo renovação, de amor e perdão. Mas como falar de perdão, quando muitas mulheres são maltratadas, violentadas, levam surras de seus maridos, companheiros ou namorados? E o que é mais importante, elas também têm filhos desses homens, e por conta dos destes, ou mesmo o que tange à dependência financeira, emocional, entre outras coisas, são obrigadas a conviver com esses homens. É importante ressaltar que estamos falando de uma realidade triste que é a violência doméstica. Apesar de muito termos avançado em termos de direitos, muita mulher ainda sofre com o problema. Anualmente, se sabe que, grande parte dos relacionamentos conturbados, acabam contribuindo com para uma estatística triste em nosso país que é o feminicídio.

Segundo um relatório da Organização das Nações Unidas ( ONU), em 2021, ocorreram 81,1 mil assassinato de mulheres. Desse total, 56% foram mortas, por marido, companheiros ou pessoas conhecidas. É preocupante essa realidade, mas é sobre ela que temos que trabalhar para não só alertar sobre os perigos de viver dentro dessa realidade, como a também conversar, esclarecer e incentivar a mulher a procurar ajuda e sair o quanto antes. Evidentemente que, acarreta prejuízos de todas as espécies, mas preservar a vida é muito importante.

Citei que essa data, por lembrar o nascimento de Jesus, momento de alegria, tempo de renovação e outros, é um momento especial, creio que não para todos. Todavia, é preciso viver, assim como procurar se desprender de mágoas, sentimentos negativos. E, para que para que isso aconteça, é preciso haver perdão. Compreendo o quanto essa tarefa é difícil. Difícil para elas, para mim! Que assim como elas, eu também preciso perdoar muita coisa. Talvez a resposta mais difícil seja liberar perdão a quem nos fere, dilacera sonhos, e para nos mesmas que também cometemos as nossas falhas. Como disse, não é fácil, mas possível para que consigamos contemplar o tempo de esperança.

O primeiro ato de liberar perdão, trata-se de uma reconstrução interior, é um gesto ousado inclusive, principalmente, quando o psicológico se agarra a uma realidade dolorida. Mas, é um esforço que devemos fazer para tornar esse ” renascer” possível. A gente não renasce do momento, não é de uma guerra que se vence na palavra, mas na construção de passos íntimos que só é possível a partir de gestos ousados- embora não seja fácil, é possível. Claro, que aqui também entra outro fator que é a raiva. Toda raiva que se sente, em parte ela é justa, e não há culpa, ou remorso por senti-la. É por isso que é tão difícil mas devemos colocar sentimentos estragados para fora, que os novos tenham condições de nascer.

A dor é justificável quando sobre ela construímos sonhos novos.

Há uma resistência muito grande em perdoar, em deixar essa coisa que machuca “ir emnora” e isso é perfeitamente compreensível. Não as julgo, mas compreendo que enquanto isso lhes servir de prisão, elas não podem contar novas histórias. São situações reais, são famílias desfeitas, são sonhos que não vão se concretizar, porque expõe uma violência que faz sofrer suas vítimas. E “as vítimas” que me refiro, acaba sendo todo mundo, porque se você bem analisar, aquele que bate e mata, em algum momento foi refém do medo; do medo de perder e por isso usou a força como poder para reter a situação e, o que acontece é que, isso vira tragédia. Sim, é preciso observar a situação como um todo, porque o final é sofrido por todos os membros daquela família que foi destituída. Porém não há o que fazer, senão recomeçar. Esse recomeço se trata de a nova oportunidade, de um nascimento que também sugere o Natal.

Acena tocante ao dia de hoje, é alegria, celebração, é saber expressar as emoções de forma genuína. Não vale se apegar ao que machuca. É importante criar mecanismos internos que nos ajude a viver. Não é ” zelando as feridas” que a gente se volta ao novo. O novo que me refiro é criar oportunidades para que os sentimentos puros se faça presente em nossos corações. Que a alegria e a felicidade, assim como o amor, sejam os nossos maiores desejos a serem alcançados.

Deixo aqui os votos de um Feliz Natal a todos!

Marii Freire

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Imagem ( Autoral/ Tik tok)

Santarém, Pá 24 de dezembro de 2022

Publicado por VEM comigo!

Bacharela em direito, Pós- graduada em Direito Penal e Processo Penal.

11 comentários em “Feliz Natal

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