O amor é um comportamento, não a um sentimento que me leva querer ter a posse do outro

“Amar não é pedir nada em troca. Amar é ser grato por você conseguir encontrar algo valioso.”

Marii Freire Pereira

Há quem diga que amar uma pessoa é pedir algo em troca. Algo em troca? O que, seria uma prova de amor? Não, é cafona. Há quem use muito a imposição de limites, coisas como respeito, satisfação, reconhecimento por você se dedicar exclusivamente, aos preceitos do outro.

O amor como objeto de imposição funciona?

O amor como objeto de imposição funciona devido ao medo. Mas, se há imposição, não existe amor, existe obediência aos caprichos de alguém que tenho que servir. Se para ter alguém, você precisa abrir mão de ser quem é para agradar o outro, não é amor. O amor não cria mal-entendidos, acumula rancores, e nem nos faz querer ser donos da decisão de quem decidiu estar conosco. O amor é sobre ter encontrado os motivos que levam a felicidade. Estes, sem dúvida é sua maior certeza. Se surgir em sua vida outros moldes de associar amor e posse – não é amor. Neste caso, é uma de suas muitas facetas.

Se para amar uma pessoa, você precisa impor a sua vontade sobre a dela, para ter certeza que as coisas que vocês estão construindo terá valor, então você não amar, porque neste caso, o amor que você tem está atrelado aos seus objetivos, não o respeito pelos direitos dela.

O amor não tem as suas bases definidas pelas ações alheias. Não é o que a outra pessoa faz que soa como um desafio, é os meus desejos que quero vê-los com perfeição. Torno a dizer novamente, o amor não é um desafio, mas resposta que substitue, a minha arrogância, poder, e o direito de esbravejar, se algo não sair como eu quero.

O amor não tem que ser um sentimento subalterno, ou seja, que a outra pessoa corresponda as minhas expectativas, e que sim assim não fizer, devio fazer uso de imposições. Isso é antigo. Funcionou muito bem na época da minha avó, quando ela tinha que dizer ” sim” o tempo inteiro as vontades do meu avô. Caso não tenha compreendido, falo de uma construção histórica, onde se ” obrigava” duas pessoas a viverem juntas, ainda que sem amor. Hoje, graças aos avanços culturais, as pessoas decidem estar uma ao lado da outra pelo amor. E, quando não há mais essa conexão, tenta-se neutralizar todo o estresse e desgaste de um término, de forma,” menos impactante’ diferente dos tempos preteritos. Hoje não se usa a moral, mas a razão para dizer que cada ser humano é responsável pelas próprias escolhas.

O homem não controla a si próprio, como vai querer controlar a forma de agir do outro? As pessoas tem que compreender que “o amor não é a razão para tudo na sua vida, mas uma resposta” como disse o escritor estadunidense Norman Mailer. O amor é uma conquista por tudo aquilo que aprendemos sobre nós e sobre o outro. Na verdade, o amor que sinto pelo outro, trata-se de um comportamento. Não de um sentimento como muitos alegam. Veja, eu não preciso dizer para a pessa que estar comigo a seguinte frase: “Não olhe para outras mulheres”. Certamente, ele vai olhar, porque é natural que se tenha mulheres atraentes, homens muito mais bonitos do que aqueles que escolhemos. Mas quando digo que o amor é um comportamento, significa dizer que, eu posso olhar, sentir atração, o que é normal. Porém, de uma forma íntegra comigo, necessariamente, não com o outro – procuro colocar na balança o que eu acredito ser valioso pra mim. Então descido não quebrar aquele “elo de confiança”. Porque se assim, eu fizer, estou dizendo que não me importo com a outra pessoa, mas com que decidi trair.

Amor é uma decisão íntima. Eu escolho não trair baseando-me em valores e virtudes que foram sendo estabelecidas como as bases fortes daquela relação.

” O amor é o que se descobre na última ratio. Nada é tão simples e forte em si mesmo, do que o amor”.

O amor se descobre perante a última razão. Primeiro, você pensa, analisa tudo o que sabe sobre o amar; supera os próprios limites/dificuldades, angústias, depois de se tornar filósofo de si mesmo, já ali no finalzinho de tudo, digo “depois de analisar todos os recursos que você considera como importantes” na relação, descobre o que o amor. O amor como sentimento é grande em si mesmo, mas é diante dos nossos comportamentos que ele se potencializa. Todavia, só se torna obra-prima perante a consciência. Esta é sem dúvida, o que nos torna humanos – felizes, completos em si mesmos por nós tornar ricos perante nossas descobertas.

Marii Freire Pereira

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Imagem: Marii Freire Pereira

pinterest/ Something Turquoise

Santarém, Pá 4 de setembro de 2021

Publicado por VEM comigo!

Bacharela em direito, Pós graduada em Direito Penal e Processo Penal.

3 comentários em “O amor é um comportamento, não a um sentimento que me leva querer ter a posse do outro

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