Os ciúmes é porque ele me ama

Violência Contra a Mulher

De acordo com a ” Convenção de Belém do Pará ( Convenção Interamericana para previnir e Erradicar a violência Contra a Mulher, adotada pela OEA em 1994) violência é qualquer ação ou conduta baseada no gênero que cause dano ou sofrimento físico, sexual, ou psicológico a mulher, tanto no âmbito público como no privado”.

Fonte: tjse.jus.br/portaldamulher

Em todo relacionamento existe a presença do ciúme. É natural que você sinta um pouquinho de ciúme da pessoa que ama. A maneira de você tratar a pessoa que estar ao seu lado diz o quanto existe amor dentro da relação. Da mesma forma, que mais do que o amor também se observa o sentimento de posse, digo ” a maneira de lidar com o outro “. A gente sabe que todo ciúme nasce da insegurança, na verdade, ele vem do medo da perda. Quem ama quer perder a pessoa amada? Não. Quem ama não desejar perder os ganhos vindos da relação, coisas como: afeto, diálogo, carinho e tudo mais que o amor possa oferecer”. Acontece que para que todas essas coisas existam, é preciso haver uma relação de igualdade. O amor tem as suas necessidades, e esse detalhe também se faz presente nas relações. Agora, quando um dos parceiros começa trapacear a relação, surge o desequilíbrio, as cobranças de modo geral, pode -se assim, que é na verdade, aquele ambiente propício ao ciúme, muitas vezes doentio. É muito comum vermos casais brincando por conta de ciúmes.

O ciúme saudável é gostoso. Qualquer pessoa que saiba lidar com ele de forma sadia, vai se sentir até valorizado porque entende que a outra pessoa gosta mesmo. O ‘ciume por zelo’ é uma resposta positiva, interessante para ambas as partes. Agora, quando vem em dose exagerada, inclusive com atitudes que provam que o parceiro age com grosseria, falta de respeito, é um sinal de alerta. É bom que principalmente, a mulher fique atenta. Atenta porque neste caso, eu chamo atenção para a VIOLÊNCIA.

A violência, ela sempre começa de um jeito suscito. É uma palavra tem tom de deboche, noutro momento, ríspida, ou num tom mais agressivo. Pode observar o seguinte, todas às vezes que um clima se torna tenso entre um casal, o homem aproveita para humilhar a parceira. Ele pode atacá-la de diversas formas, como por exemplo, dizer que ela é uma inútil, que não agrega nada de valor dentro da relação. No casamento, nunca construiu nada, não trouxe algo de valor, e que portanto, ela não tem direito aos bens do casal. São essas coisas que geralmente são alegadas. O que a mulher faz? Se cala. Sim! Muitas vezes, ela para não “engrossar ” A discussão, simplesmente, se ‘fecham no seu mundo’, pois já fora tão humilhada que não conseguem reagir. Se costuma dizer que no início, ela até ‘acha bonita’ a forma de ser tratada, digo um ” ciume aqui, outro ali’, as palavras ríspidas. Se esse homem tem ciúmes das roupas, ou se de repente, vê-la conversando com outro, ele pensa que a mulher já não o ama. Com isso, intensifica as discussões, mas essa mulher finge que é normal, e vai aceitando. Outra situação, se ele perceber que a mulher conversa na rua com outro homem, jogar na cara dessa mulher que “ela tem outros … “. E a tendência de uma relação assim, e piorar cada vez mais, ou seja, tornar os abusos muito mais evidentes.

Muitas mulheres só percebem os sinais de abusos e maus tratos tardeamente. O que é um erro, porque essa relação já envolve os filhos, e ela geralmente, por não ter condições de se manter sozinha ( existe a dependência financeira), passa a tolerar cada vez mais a relação, que sabemos que é abusiva, até partir para a agressão física . Vale dizer também que neste caso, muitas vezes, diante dessa condição, essa mulher suporta o comportamento violento desse homem uma vida inteira. Ou em um dado momento, ela sai para pedir ajuda. Ora, acabando as ilusões a respeito do amor, busca-se a proteção como forma de sobreviver a violência

A princípio, toda mulher que apanha do marido, que deixa a situação chegar ao estágio macro da violência, é porque já passou por todos os outros tipos de abusos, digo a violência psicológica, sexual, patrimonial, até chegar a violência física. Nenhuma mulher abre mão de uma relação, sem enfrentar aquilo que a corrói por dentro, refiro-me a dor, o sofrimento que é o resultado de uma relação não saudável. Se costuma dizer que ela passa primeiro, por todo aquele estágio de sofrimento, que é onde já não encontra mais forças para lutar, e aí procura ajuda. Incluse, se diz que a mulher já não se reconhece mais como pessoa, porque internamente, ela fica tão fragilizada que simplesmente, perde a capacidade de identificar o próprio valor.

Até quando você vai continuar mentindo pra você? Toda vez que uma mulher inventa uma desculpa dessa, ela está pondo em prática aquilo que trouxe do berçário, ou seja, o que a sociedade ensinou. O que as avós, mães e tias repetiram a vida inteira. Encontrar desculpas para aceitar a falta de respeito, a falta de acolhimento do outro, é uma forma de você resguardar todas as ações que te ferem. Lemre-se: quando tomar consciência do que esse homem te faz, quando notar que a referência afetiva da sua relação com ele, só vem de você, que a preocupação de construir em sua, será tarde. Esse também é um tipo de abuso que você permite. Não aceite migalhas, não aceite menos do que você merece.

Mulher seja responsável pelas as suas demandas emocionais, pelo o seu papel de zelar por si mesma. Não encontre desculpas para a violência. Diga “Não” ao que machuca. Ame-se em primeiro lugar. Nenhuma forma de amor, nos serve se ela tira a nossa paz, se procurar diminuir as nossas qualidades.

Dizer ” não ” a violência ( também) é uma forma de se amar.

Pense nisso.

Marii Freire Pereira

https://pensamentos.me/ VEM comigo!

Fonte: tjse.jus.br/ portaldamulher

Santarém, Pá 18 de março de 2021

Publicado por VEM comigo!

Bacharela em direito, Pós graduada em Direito Penal e Processo Penal.

9 comentários em “Os ciúmes é porque ele me ama

      1. O homem até para amar coloca condições. O amor universal não comporta condições, mas nós queremos fazer as nossas próprias regras e submeter o outro aquilo que julgamos ser bom para nós, não necessariamente a outra pessoa. Só que é preciso saber conciliar de modo que o amor seja bom para as as partes …

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