Felizes para sempre

“Que não seja imortal, posto que chama

Mas que seja infinito enquanto dure.”

Vinicius de Moraes.

O amor é um sentimento lindo, recíproco e necessário a todas as pessoas. A verdade é que o ser humano tem a necessidade de ser amado de forma excepcional. A medida que uma pessoa ama e recebe de volta esse sentimento na mesma proporção, ela se sente segura, se apega, eleva a autoestima. Se sente útil de todas as maneiras. Até nas agruras, nos sentimos completos.

Nós seres humanos, somos frágeis e por isso precisamos dessa forma de ” abrigo “. A característica principal das relações interpessoais construídas na instituição familiar, faz com que esse comportamento de receber o outro, acabe sendo reproduzido de maneira saudável ao longo de toda a história da humanidade. Quem não sente essa necessidade? Só nos encontramos no outro, quando identificamos nele parte do que somos, sendo ele família ou não. Só O amor nos faz sentir supervalorizados.

Falar de amor é uma coisa maravilhosa, reconhecê-lo, mais ainda. Mas, nem sempre esse sentimento pode ser vivido verdadeiramente, como se imaginou. Muitas uniões por exemplo, foram construídas somente para assegurar aos homens o íntimo desejo de ser pai. Pode-se dizer que, nem todos os casamentos foram constituídos tendo o amor como base. Muitos simplesmente foram feitos a partir de acordos promovidos entre famílias que tinham o interesse de unir seus filhos.

Houve uma época, onde todos acreditavam que o amor era um sentimento eterno. E a concretização desse pensamentos era vista na sociedade através dos ‘casamentos duradouros’. Há quem olhe para o passado e diga que as pessoas eram muito mais felizes naquela época do que hoje. Ledo engano! Os casamentos de antigamente era concebido entre as famílias através de arranjos. Quem decidia o casamento dos filhos eram os pais. Essa idéia de amor romântico que se tem, que se vive hoje, ela não existia. Os casamentos eram construídos a partir de um modelo pautado na conveniência ou mesmo interesse. Uma realidade histórica que se perpétuo através de séculos. A União entre duas pessoas eram construído com o intuito de filhos. Antigamente, se formava uma família somente com a finalidade de procriar. A verdade é que nunca se ouviu falar em amor. Não se casava por amor, como se expressa essa vontade nos dias atuais. É possível afirmar que nem sempre havia amor. Havia alguma afeição, o desejo de se casar verdadeiramente. Entretanto, os modelos de uniões pretéritas, assumiam características diferentes do que é sustentado hoje. Os registros que surgiram naquela época, eram de acontecimentos pautados em regras rígidas. Estas, vindo tanto da parte do Estado, como em relação a própria Igreja, que definia o casamento como uma obrigação.

As famílias por muitos anos foram sendo construídas com base na conveniência. O amor não era algo importante ou mesmo, acolhido no seio da sociedade como o pilar central que regia a vida ou mesma as escolhas dos indivíduos. Este, não era o elemento mais forte que fazia com as pessoas se unissem. Os valores eram pautados em outros interesses como mencionado na formação das famílias. Elas se uniam mais como uma espécie de imposição dos pais, Igreja e Estado. Quem fosse contrário a moral e os bons costumes, era classificado com expressões pejorativas pela sociedade de outrora.

O casamento como vontade divina

A igreja sempre teve um papel decisivo na vida das pessoas, grupos sociais de forma muito severa. Essa é uma afirmação tão forte que no decorrer da história da humanidade, o Cristianismo, representando pela Igreja Católica tem esse propósito de se envolver na vida das pessoas e reger parte de suas condutas. Ela molda o comportamento dos indivíduos, e diz como estes, devem agir para alcançar as bênçãos dos céus. A igreja, não só estabelece normas, mas dita como estas , devem ser validadas através dos costumes. Nada tão significativo, para quem usa o medo para controlar a vida das pessoas e definir o que for possível na suas condições.

Efeitos da condenação

As pessoas permitem considerar muita coisa negativa a respeito daquilo que a igreja católica prega aos cristãos. O fato é que a cultura católica, tem um peso muito dentro da sociedade, principalmente, na defesa dessa conceito da construção de família. Em um olhar para o passado, quem construía por exemplo, uma família sem as bênçãos da igreja, vamos considerar, sem cumprir as suas obrigações, os desígnios divinos, corria o risco de está no prejuízo quer em relação a religião ou mesmo em relação ao próprio Estado. De uma maneira ou de outra, as pessoas tinha [ têm] que se enquadrar dentro de cada regra.

O casamento

As mulheres para ter uma aceitação recíproca diante do noivo e sociedade, bem como diante dos preceitos religiosos, deveriam se manter puras. Esse ato honroso configurava o quanto a mulher era digna daquele compromisso. A pureza era uma condição imposta. Basicamente, compreendido como um dever e um ato de fidelidade. Quem não se casasse pura, sofria sérias consequências. O marido podia pedir a anulação do casamento, caso ficasse constatado que este, foi enganado.

” O que Deus uniu, o homem não separa”

O casamento é uma das tradições mais antigas do mundo. O matrimônio é aquilo que torna de fato um casal como ” marido e mulher “. Não há outra forma de concretizar esse elo com Deus, sem respeitar as regras da amada igreja. Um homem e uma mulher se uniam buscando esse reconhecimento divinal, assim como, o da própria sociedade. Dessa forma, eram reconhecidos como uma família.

Prole

Os filhos vindo do casamento eram reconhecidos por seu valor natural e protegidos desde cedo. Já os que eram concebidos fora do casamento, sofriam duras punições, eram ditos ” bastardos”. A sociedade tinha uma rigidez cruel para com essas crianças que nasciam fora do seio familiar. Essa é uma questão que passou ao longo dos anos ser bastante questionada, até por conta do peso negativo que carregava. Tanto que o interesse da proteção agora é outro. ” Filho é só filho “. Não se pode fazer uso de classificações pejorativas por conta daquilo que a sociedade alimentou durante muito tempo como o correto. Pode-se dizer que as regras, foram se tornando mais flexíveis. Era preciso proteger aquele que precisava de proteção, ou seja, o filho.

Um filho é o resultado da escolha de um homem e de uma mulher. Não importa o tempo que dure a relação, ele sempre deve ser reconhecido como legítimo. E isso deve ser visto como uma escolha que independe de regras morais da sociedade. É a prole, portanto, é parte da entidade familiar. Deve sim, ser assegurado o direito de ser tratado igualmente como todos os outros.

Um homem e uma mulher podem viver sim, um ” Felizes para sempre “. Talvez, não como um ‘Conto de fadas’, ou mesmo com a fórmula de felicidade instantânea que muitas vezes a sociedade cultiva e cobra sempre um final que surpreenda a todos. Mas, como disse Vinicius de Moraes no Soneto de fidelidade ” De tudo, o meu amor serei atento

Que mesmo em face do maior encanto

Dele se encante mais meu pensamento. “

Que não se desista de viver o amor em cada vão momento, porque na angústia, ele arde. Mas, mas o ser humano gosta desse estado de poesia. De viver as aventuras que ele persiste em continua ‘acredito na vida , mesmo quando a chama é fria.’

Marii Freire Pereira

https://pensamentos.me/ VEM comigo!

Imagem: Pinterest. Miriam Kalbarsch/ Hochzeitsfotograpie aus Berlim

Fonte: Dias, Maria Berenice. Filhos do afeto. Editora Revista dos tribunais. São Paulo, 2016. Direito de família.

Santarém, Pá 30 de outubro de 2020

Publicado por VEM comigo!

Bacharel em direito, cursando Pós-graduação em Direito Penal e Processo Penal.

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