Carlos Drummond de Andrade

Na noite sem lua perdi o chapéu.

O chapéu era branco e dele passarinhos

Saíam para a glória, transportando-me ao céu.

A neblina gelou-me até os nervos e as tias.

Fiquei na praça oval aguardando a galera

Com fiscais que me perdoassem e me abrissem os rios.

Um jardim sempre meu, de funcho e de coral,

ergueu-se pouco a pouco, e eram flores de velho,

murchando sem abrir, indecisas no mal.

Ressurgi para a escola, e de novo adquiri

a ciência de deslizar, tão própria de meus netos:

Sou apenas um peixe, mas fuma e que rir,

e que e detesta.

Carlos Drummond de Andrade. Equívoco. A Rosa Do Povo. Círculo do Livro. São Paulo, 1945.

Marii Freire Pereira

https://pensamentos.me/ VEM comigo!

Imagem: Via Facebook

Santarém, Pá 5 de setembro de 20020

Publicado por VEM comigo!

Bacharel em direito, cursando Pós-graduação em Direito Penal e Processo Penal.

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