” Bárbaro ( a bela diz:) tigre e não homem…
Porém o tigre, por cruel que brame,
Acha forças amor, que enfim o domem;
Só a ti não domou, por mais que eu te ame.
Fúrias, raios, coriscos, que o ar consomem,
Como não consumis aquele infame?
Mas paga tanto amor com tédio e asco…
Ah! que corisco és tu…raio…penhasco!
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Tão jura ingratidão menos sentira
E esse fado cruel doce me fora.
Se o meu despeito triunfar não vira
Essa indigna, essa infame, essa traidora.
Por serva, por escrava, te seguira.
Se não temer de chamar senhora
A vil Paraguaçu, que, sem que o creia,
Sobre ser- me inferior, é néscia e feia.
Enfim, tens coração de ver- me aflita,
Flutuar, moribunda, entre estas ondas;
Nem o passado amor teu peito incita
A um aí somente, com que aos meus respondas.
Bárbaro, se esta fé teu peito irrita,
( Disse, vendo- o fugir) ah! Não te escondas
Dispara sobre mim teu cruel raio…”
( Santa Rita Durão. In: Hernâni Cidade. Santa Rita Durão. Rio de Janeiro: Agir, 1957.p.87-8)
Literatura brasileira: William Cereja e Thereza Cochar. São Paulo, 2013
Marii Freire Pereira.
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Imagem: Mariãngela Haddad. Arquivo pessoal
Santarém, Pá 10 de agosto de 2020

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