Carlos Drummond de Andrade

Todos os meus mortos estavam de pé, em círculo, eu no centro.

Nenhum tinha rosto. Eram reconhecíveis pela expressão corporal e pelo que diziam no silêncio de sua roupas além da moda e de tecidos; roupas não anunciadas nem vendidas.

Nenhum tinha rosto. O que diziam escusava resposta,

ficava parado, suspenso no salão, objeto denso, tranquilo.

Notei um lugar vazio na roda.

Lentamente fui ocupá- lo.

Surgiram todos os rostos, iluminados.

Carlos Drummond de Andrade. Comunhão. Nova Cultural. São Paulo, 1990

Marii Freire Pereira

VEM comigo!

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Santarém, Pá 31 de Julho 2020

Publicado por VEM comigo!

⚖️ Bacharela em direito, Pós - graduada em Direito Penal e Processo Penal. 📚 Autora: MULHER Do ostracismo à luta pelos direitos nos dias atuais e O Amor Verdadeiro Contesta. Ambas as obras são lançadas em parceria com a Editora Viseu/ Brasil. . Palestrante