Todos os meus mortos estavam de pé, em círculo, eu no centro.
Nenhum tinha rosto. Eram reconhecíveis pela expressão corporal e pelo que diziam no silêncio de sua roupas além da moda e de tecidos; roupas não anunciadas nem vendidas.
Nenhum tinha rosto. O que diziam escusava resposta,
ficava parado, suspenso no salão, objeto denso, tranquilo.
Notei um lugar vazio na roda.
Lentamente fui ocupá- lo.
Surgiram todos os rostos, iluminados.
Carlos Drummond de Andrade. Comunhão. Nova Cultural. São Paulo, 1990
Marii Freire Pereira
VEM comigo!
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Santarém, Pá 31 de Julho 2020

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