Carlos Drummond de Andrade

” Segui- te submisso

por tanto caminho

Sem saber de ti

senão que te sigo.

Se agora te abrisses

e te revasses

mesmo em forma de erro,

que alívio seria!

Mas fica fechado.

Carrego- te à noite

se vou para o baile.

De manhã te levo

para a escura fábrica

de negro subúrbio.

És, de fato, amigo

secreto e evidente.

Perder- te seria

perder- me a mim próprio.

Sou um homem livre

mas levo uma coisa.

Não sei o que seja.

Eu não a escolhi

Jamais a fitei.

Mas levo uma coisa.

Não estou vazio,

não estou sozinho,

pois anda comigo

algo indescritível.”

Carlos Drummond de Andrade. Carrego comigo. A Rosa Do Povo. Círculo do Livro. São Paulo, 1945

VEM comigo!

Santarém, Pá 25 de Julho de 2020

Publicado por VEM comigo!

Bacharel em direito, cursando Pós-graduação em Direito Penal e Processo Penal.

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