Carlos Drummond de Andrade

” O tempo de despedir- me e contar

que não espero outra luz além da que nos envolveu

dia após dia, noite em seguida a noite, fraco pavio,

pequena ampola fulgurante, facho, lanterna, faísca,

estrelas reunidas, fogo na mata, sol no mar,

mas que Essa luz basta, a vida é bastante, que o tempo

É boa medida, irmãos, ficamos o tempo.

A doença não me intimidade, que não possa

chegar até aquele ponto do homem onde tudo se explica.

Uma parte d3vmim sofre, outra pede amor,

outra viaja, outra discute, uma última trabalha,

sou todas as competições, como posso ser triste?

A tristeza não me liquide, mas venha também

na noite de chuva, na estrada lamacenta, no bar fechando- se,

que lute lealmente com sua presa,

e reconheça o dia entrando em explicações de confiança,

esquecimento, amor,

ao fim, da batalha perdida…”

Carlos Drummond de Andrade. Os últimos dias. A Rosa Do Povo. Círculo do Livro. 1945.

VEM comigo!

Marii Freire Pereira

Imagem: Instagram. Capri. amalficoast

Santarém, Pá 8 de Julho de 2020

Publicado por VEM comigo!

Bacharel em direito, cursando Pós-graduação em Direito Penal e Processo Penal.

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