Carlos Drummond de

” O tempo de conhecer mais algumas pessoas,

de aprender como vivem, de ajudá-las.

De ver passar este conto: o vento

balançando a folha; a sombra

da árvore, parada um instante,

alongando-se com o sol,

e desfazendo-se

numa sombra maior,

de estrada sem trânsito.

E de olhar esta folha, se cai.

Na queda retê-la. Tão seca, tão morna.

Tem na certa um cheiro, particular entre mil.

Um desenho, que se produzirá ao infinito,

e cada folha é uma diferente.

E cada instante é diferente, e cada

homemé diferente, e somos todos iguais.

No mesmo ventre o escuro inicial, na mesma terra

o silêncio global, mas não seja logo.

Antes dele outros silêncio penetrem,

outras solidões derrubem ou acalentem

meu peito…”

Carlos Drummond de Andrade. Os últimos Dias. Nova Cultural. São Paulo,1990

VEM comigo!

Marii Freire Pereira

Imagem: Pinterest. Arruma Essa Mala. Ouro Preto, MG

Santarém, Pá 20 de junho de 2020

Publicado por VEM comigo!

Bacharel em direito, cursando Pós-graduação em Direito Penal e Processo Penal.

2 comentários em “Carlos Drummond de

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