Vejo-te entre sedas

“Vejo-te entre sedas, frágil, trêmula. Minha gota de orvalho”.

Marii Freire Pereira.

Que interessante seria se a história da mulher em nossa sociedade fosse vista como lemos nessas expressões poéticas, afetuosas que você nota que tem uma certa profundidade. Mas, na prática, vemos que elas se arrastam entre risos e lágrimas.

Em todo tempo, a história da mulher em nossa sociedade, nunca foi dessa forma. Materialmente, nunca houve essa profundidade que lemos nos textos. Isso é uma criação que surgiu, mais como uma postura intelectual. Algo que trabalha a imagem dessa mulher no sentido de comparar, a condição que a define . É uma situação criada que se aproxima da contemplação masculina sob o aspecto do desejo. Acredito que isso, vá além de fantasia. Suspeito que, como em qualquer pretensão masculina, a mulher para viver ao lado do homem, precisava passar a imagem de fragilidade, de ser sublime, onde esse homem, dependendo da necessidade, ele ” endeusa” , essa mulher, mas também a submete a seus vícios.

[…]

Podemos dizer que isso é um crime. Crime porque a mola da necessidade humano é voltada para os interesses. Mas, o amor verdadeiro não se dobra a interesses. Ou ele existe na forma pura, dando-se como um sentimento voluntário, ou é só uma experiência estreita. É o que vemos muitos por aí, são essas experiências que se desfazem com muita facilidade.

Sabemos que a ” a mulher amada”, é sempre vista como sinônimo de beleza. Mas, a pergunta é: ” porque quando acaba esse amor, ela vira um saco de pancadas?”

Dostoiévski tem uma colocação que acho bastante interessante, ele disse uma vez que ” a mulher que ama , ela encobre até os crimes do homem amado”. Tem lá ele a sua razão. Se isso for visto com uma certa profundidade, justifica por exemplo, toda essa negativa masculina sobre a figura feminina. Claro, não podemos esquecer que a mulher foi ensinada a suportar muita na sociedade. Às vezes, ela é capaz de dizer sorrindo que é feliz numa relação, mesmo que no banheiro chore sozinha. É o peso da submissão que as mulheres sempre viveram. Isso as levou a solidão. A solidão de um casamento que muitas vezes, você é casada, mas parece que não tem ninguém. A morte, muitas mulheres morreram por conta de não denunciar os maus-tratos do marido. Então, você recepciona essa carga negativa, que são reflexão de uma sociedade nunca olhou para a mulher com o devido cuidado, o devido respeito que todas elas merecem.

Amor, não é amor se na hora da raiva […], pela necessidade de prazer pessoal, castiga. Que espécie de amor é esse que sente prazer na dor do outro? Aonde fica a importância dessa pessoa na vida de alguém que a usa? Amor não é paralelo, por que submeter as minhas vontades? se a minha vem primeiro, qual é o grau de respeito pela outra? Essas coisas é que devem ser analisadas com cuidado. Se somos capazes de ” negociar “, através do diálogo, por que, não dizer: ” venha aqui, precisamos conversar!”. Isso sim, cria uma relação harmônica, inclusive ” pautada no respeito “. Mostra um comportamento íntegro, o que alivia inclusive, o peso de nossas ações. Agora, se me a longo de tudo isso, estou construindo que tipo de imagem? Certamente, uma imagem e conduta inadequada. Para a mulher, uma das coisas que faz com que ela vá ‘adoencendo’, dentro de uma relação pautada na imposição do homem, é justamente essa maneira de feri-la, não só fisicamente, mas psicologicamente. ‘ Maculou’ a imagem, essa mulher vai deixando de ter carinho e o cuidado de antes.

O amor entre um homem e uma mulher, está acima de interesses. De nada adianta ele a ‘endeusar’, criar essa imagem delicada, se na prática, se no dia a dia, não consegue ser íntegro. Claro, que nesse casa, irá surgir uma enxurrada de justificativa, não discuto. Acredito que cada uma cabe dentro de sua condição. Me atento, ao que me dediquei a escrever. A história feminina em nossa sociedade, ela algo que vai além dos contos literários, Machado de Assis, por exemplo. A idéia de romantismo criada a respeito da mulher. “Flores, sedas, perfumes, voz suave, vestes adequadas”. Não é isso que define a nossa condição. Se fala em respeito, mas é o respeito ao valor que nos acompanha. Quando digo que a história da mulher vai além, porque essas flores que ela ganha em vida, também pode ganhar na morte. O caráter forte desse texto é esse. É provocar mesmo…

Mulher é sinônimo de perfeição. Perfeito. Mas, o homem também é. O homem quando ele sabe ser e age como homem, ele encanta. Todavia, quando sai dos trilhos, é que se percebe as marcas […] do sofrimento que deixa.

Essa história que comporta muitas situações, e que fala da mulher, dentro da nossa sociedade, ela tem inúmeras justificativas. Na verdade, é um longo caminho, uma trajetória composta de obstáculos que não se resume a um simples texto. Todavia, serve para trazer a reflexão situações que merecem ser vistas com carinho. A verdade é que, ainda temos muito a amadurecer. Acredito que hoje, ainda temos por hábito ‘vestir as vestes de nossas mães’. Se elas foram felizes? Não se sabe ao certo. Mas, já passamos da fase de acender fogão. Hoje, lutamos por igualdade e liberdade. É uma marca de nossos pulsos.

Marii Freire Pereira

Imagem: Pinterest. Tere Artbo

Santarém, Pá 16 de junho de 2020

Publicado por VEM comigo!

Bacharel em direito, cursando Pós-graduação em Direito Penal e Processo Penal.

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