Meu Filho, dorme, dorme o sono eterno
No berço imenso, que se chama _ o céu.
Pede às estrelas um olhar materno,
Um seio quente, como o seio meu.
Ai! borboleta, na gentil crisálida,
As asas de ouro vais além abrir.
Ai! rosa branco no matiz tão pálida,
Longe, tão longe vais de mim flor.
Meu Filho, dorme…Como ruge o norte
Nas folhas secas do sombrio chão!…
Folha dest’alma como dar-te à sorte?
É tredo, horrível o feral tufão!
Não me maldigas…Num amor sem termo
Bebi a força de matar-te…a mim…
Viva eu cativar a solução num ermo…
Filho, sê livre…
_ Ave _ te espera da lufada o açoite,
_ Estrela _ guia- te uma luz falaz.
_ Aurora minha_ só te guarda a noite,
_ Pobre inocente _ já maldito estás.
Perdão, meu filho …se matar-te é crime…
Deus me perdoa…me perdoa já.
A fera enchente quebraria o vime…
Vem- te os anjos e te cuida cuidem lá…
Meu filho dorme…dorme o sono eterno
No berço imenso, que se chama céu.
Pede às estrelas um olhar materno,
Um seio quente, como o seio meu.
Castro Alves. O navio negreiro e outros poemas. São Paulo: Saraiva, 2007
Literatura brasileira: William Cereja e Thereza Cochar, 2013
Marii Freire Pereira
VEM comigo!
Santarém, Pá 8 de maio de 2020