Carlos Drummond de Andrade

É tempo de meio silêncio,

de boca gelada e murmúrio,

palavra indireta, aviso

na esquina. Tempo de cinco sentidos

num só. O espião janta conosco.

É tempo de cortinas pardas,

de céu neutro, política

na maçã, no santo, no gozo,

amor e desamor, cólera

branda, gim com água tônica,

olhos pintados,

dentes de vidro,

grotesca língua torcida.

A isso chamamos: balanço.

No beco,

apenas um muro,

sobre ele a polícia.

No céu da propaganda

aves anunciam

a glória.

No quarto,

irrisão e três colarinhos sujos.

Carlos Drummond de Andrade, IV ( Nosso Tempo). Textos Selecionados, Literatura Comentada, Nova Cultural.

Marii Freire Pereira

VEM comigo!

Santarém, Pá 29 de abril de 2020

Publicado por VEM comigo!

Bacharel em direito, cursando Pós-graduação em Direito Penal e Processo Penal.

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