Sem lei nem Rei, me vi arremessado
bem menino a um Planalto Pedregoso.
Cambaleando, cego, ao Sol do Acaso,
vi o mundo rugir. Tigre maldoso.
O cantar do Sertão, Rifle, apontado,
vinha malhar seu corpo furioso.
Era o canto demente, sufocado,
rugindo nos Caminhos sem repouso.
E veio o Sonho: e foi desperdiçado!
E veio o Sangue: o marco iluminado,
A luta extraviada e a minha grei!
Tudo apontava o Sol! Fiquei embaixo,
na Cadeia que estive e em que me acho,
a Sonhar e a cantar, sem lei nem Rei!
Ariano Suassuna, A Infância – O Exilio
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VEM comigo!
Marii Freire Pereira
Santarém, Pá 16 de abril de 2020