“ Quando eu morrer, não soltem meu cavalo
nas pedras do meu Pasto incendiado:
fustiguem-lhe seu Dorso alardeado,
com a Espora de Ouro, até matá-lo
Um dos meus filhos deve cavalgá-lo
numa Sela de couro esveradeado,
que arraste pelo Chão pedroso e pardo
chapas de Cobre, sinos e badalos.
Assim, com o Raio e o cobre percutido,
tropel de casos, sangue do Castanho,
que, em vão _ Sangue insensato e vagabundo
_
tentei forjar, no meu Cantar estranho,
à tez da minha Fera e ao Sol do Mundo!
Ariano Suassuna, LÁPIDE.
VEM comigo!
Marii Freire Pereira
Santarém, Pá 15 de abril de 2020