Carlos Drummond de Andrade

” Sinto que o tempo sobre mim abate

sua mão pesada. Rugas, dentes, calva…

Uma aceitação maior de tudo,

e o medo de novas descobertas.

Escreverei sonetos de madureza?

Darei aos outros a ilusão de calma?

Serei sempre louco? sempre mentiroso?

Acreditarei em mito? Zombarei do mundo?

Há muito suspeitei o velho em mim.

Ainda criança, já me atormentava.

Hoje estou só. Nenhum menino salta

de minha vida, para restaurá-la.

Mas se eu pudesse re começar o dia!

Usar de novo minha adoração,

meu grito, minha fome…Vejo tudo

impossível e nítido, no espaço

Lá onde não chegou minha ironia,

entre ídolos de rosto carregado,

ficaste, explicação de minha vida,

como os objetos perdidos na rua…”

Carlos Drummond de Andrade, Versos à boca da noite. A Rosa do Povo, 1945

VEM comigo!

Marii Freire Pereira

Santarém, Pá 7 de abril de 2020

Publicado por VEM comigo!

Bacharel em direito, cursando Pós-graduação em Direito Penal e Processo Penal.

2 comentários em “Carlos Drummond de Andrade

    1. Ananda, a verdade é que, a nossa idade emocional e diferente da idade cronológica, por é válida a sua observação. Há pessoas que tornam-se velhas muito cedo. A palavra não é ” velha” , é que essas pessoas parecem carregar uma carga de responsabilidade tão grande, que andam curvadas. Enquanto que, pessoas com idade avançada, parece adolescentes.

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