Estranho Melancólico

Tenho saudade de mim mesmo,

Saudade sob aparência de remorso,

de tanto que não fui, a sós, a esmo,

e de minha alta ausência em meu redor.

Tenho horror, tenho pena de mim mesmo

e tenho muitos outros sentimentos

violentos. Mas se esquivam no inventário,

e meu amor é triste como é vário,

e sendo vário é um só. Tenho carinho

por toda perda minha na corrente

que de mortos a vivos me carreia

e a mortos restitui o que era deles

mas em mim se guardava. A estrela d’alva

penetra longamente seu espinho

(e cinco espinhos são) na minha mão.

Carlos Drummond de Andrade.

Fonte:Literatura Comentada. Livro pessoal.

Marii Freire

Publicado por VEM comigo!

Bacharel em direito, cursando Pós-graduação em Direito Penal e Processo Penal.

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