Um aspecto a se considerar numa mulher que tem riqueza intelectual é o conhecimento. O conhecimento, atrelado confiança é a linha que transcende o renascimento da figura feminina numa sociedade masculina; onde antes, a mulher era considerada um ser fragil. Agora, se deixa ser notada perante um novo perfil: amulher livre e empoderada. E a chave para isso é simples: os gritos da própria consciência. O mundo define essa mulher de muitas maneiras, mas ela sabe que, por ser uma pessoa que tem consciência e é consciente de seu papel, num mundo marcado pela disputa de poder; a atualização do feminino, a faz senhora de si, não pela idealização, mas pela ciência que ajuda contrastar não só esse, entre muitos males.
“A liberdade parece apavorante, não quando se abre as celas. Mas, quando entendemos que nada fazemos de errado. Afinal, somos livres. O que macula o homem é o pecado.”
Em todas as fases, florescemos. Não existe essa coisa da gente só mostrar beleza nos momentos em que a vida se revela favorável. Não, às vezes é em ambientes inóspitos que a beleza também se deixa ser vista. Sabe, é como se isso fosse uma resposta da vida nos dizendo exatamente que, a beleza independe, de qualquer coisa que nos aconteça; independe da dor, porque você pode sorrir, independe da terra árida, porque pode mostrar resiliência. Da mesma forma que, mesmo nos desertos por onde, geralmente, costumamos transitar podem haver maneiras do improvável acontecer. Ora, é comum, passarmos pela prensa e só então, após sermos esmagados, mostrar a nossa essência. Você compreende o que estou dizendo? Algumas formas de beleza, só são possíveis de serem vistas dessa forma. Não é a fase, não é o ambiente, mas o que existe dentro de nós.
Histórias de coragem são apaixonantes. Elas nos dão a energia necessária para lutarmos e “buscarmos” vou dizer assim ” vencer” as muitas formas de injustiças que temos que lidar a vida toda. O mundo tem inúmeros exemplos dessas histórias. O genocídio, a miséria, as guerras. Enfim, muitos exemplos de sofrimentos que nos afligem. Acredito que a dor é a pior forma que o ser humano tem de aprender. Eu trabalho o tema violência Contra a Mulher e vejo dilemas profundos em relação a esse cenário; coisas que pedem muita resiliência mesmo. Evidente que, cada caso tem a sua particularidade. Todavia, ao longo da história, percebo o quanto as mulheres sempre foram muito fortes. Isso de certa forma, acaba gerando uma carga de coragem fortíssima em mim, porque tento ser voz no meio de tanto silêncio ainda.
” Muitas mulheres calam por medo, por se sentirem sozinhas enfrentando essa batalha. “
Acho que o meu senso de justiça me traria para dentro dessa realidade de qualquer maneira. Sou uma mulher que sempre viu muita injustiça de perto, inclusive já escrevi outros textos falando sobre isso. Estou aqui porque sou mulher, sobrevivi tantas adversidades, e me orgulho disso. Portanto, a minha maior preocupação é fazer um bom trabalho e inspirar outras mulheres a serem resilientes.
Sinto que ainda há um número insuficiente de mulheres que conseguem denunciar. A maioria sofre calada por se sentirem sozinhas. Muitas se perdoam pelas experiências dolorosas que vivem, os traumas, as cicatrizes, a sensação de nunca terem sido amadas ou outras formas de sofrimento que estão expostas. A violência tem muitas faces. Por isso, acho que falar sobre as muitas questões é um jeito de encorajá- las. Veja, não estou estou falando de perdão, mas de justiça. Viver sofrendo por que? Temos uma lei que protege os direitos da mulher. Se a gente ficar com o mesmo pensamento do passado, não faremos diferença hoje, digo ” no momento presente “. É preciso lembrar que muitas crianças ficam órfãs de mãe. E quanto ao pai? Como é que se pode falar neste caso, de um ” bom pai?” Já que este ceifou a vida da mãe? É uma realidade cruel. O perdão é importante para àqueles que sobrevivem a essa barbárie, ele é necessário no sentido de trazer alento às vítimas ( filhos, a mãe da vítima, entre outros membros da família). Ele é bom para que essas pessoas consigam viver em paz com elas mesmas. Mas não podemos esquecer da justiça. Esta, não guarda ressentimentos, mas se faz igual para os homens.
Enquanto essa realidade não muda, muitas mulheres vão continuar morrendo. É isso que desejamos? Não. O país tem números expressivos em relação a violência. Muitas mulheres são estupradas e mortas por seus companheiros ou ex- companheiros. E esse detalhe, continua sendo algo viciante para esses homens, porque muitos não temem a Justiça de nosso país. Então, ela precisa ser mais severa para se fazer respeitada. O que não falta são processos que provam o número absurdo do que estou falando. Detalhe: fora os casos que essas vítimas não relatam as autoridades policiais. Os números que não se tem conhecimento ou seja, não viram estatísticas, são muitos maiores. Todavia, precisamos lembrar que esse trabalho também começa por nós ( sociedade). Eu, você podemos ser pessoas importantes nesse processo. Denuncie, faça a sua parte.
Correr atrás das borboletas pode ser algo estressante. Além disso, essa pode se tornar uma tarefa que foge do seu controle. O ideal é que elas chegam até você, sem obrigação de ficar. Continue sorrindo, expressando a generosidade da alma, bondade, compaixão que, naturalmente, elas irão encontrar nesse néctar, motivos para ficar. Às vezes, a essência é encontrada nas pontas dos dedos, – lugar preferencialmente de seu repouso. Entenda que, serenidade exige esforço menor, porque você não as terá conforme bel- prazer. Por isso, a habilidade emocional quando bem trabalhada, é algo que faz com, você as tenha de forma confortável, ao invés de ser bruto (a) , de querer ter o domínio sobre o que por natureza, nasceu para ser livre.
Dar um choque de realidade naquela mulher que tá ali ” patinando, patinando” diante do sofrimento, da ” culpa” e porque não dizer da ” autocomiseração também, porque quando há culpa, o sentimento de pena de si mesma, em geral, um vem atrelado ao outro, diante dessa coisa que parece asfixiar a vida dessa mulher. Então, essa ” chacoalhada” faz- se necessário, porque é um jeito de fazê- la apelar para razão. O que não pode é ela ” adoecer” como vemos tantas mulheres ficarem tristonhas, emagrecer ou ficarem depressivas. Quando a mulher que passa por essa situação, digo ” a mulher que é vítima ” de relacionamento abusivo por exemplo, ela começa pensar, organizar as ideias, sentimentos e emoções, naturalmente, sai dessa armadilha em que foi colocada. As armadilhas que refiro-me, trata da ” culpa”, da manipulação que ela sofre. Há muitos parceiros que que jogam toda responsabilidade do que não deu certo na relação na mulher. E ela faz o quê? Compra essa ideia com sucesso. E passa vestir essa fantasia, de modo a acreditar piamente que, ela deveria ter feito melhor para poder ter a estrutura emocional necessária para sustentar a relação, o casamento. Enfim, a bagunça que se tornou a sua vida. A minha fala hoje, se volta à desconstrução dessa culpa implantada na mente da vítima. Não há culpa, há responsabilidade, há fuga de comportamentos que ajudaram extrapolar a situação. Ao passo que a mulher compreende essa questão, ela desenvolve a consciência crítica, escolhendo de forma assertiva, tudo aquilo que precisa administrar com cautela para ser justa consigo. Uma vez determinada, e com um pouco mais de confiança, ela tem habilidades que ajudam a compreender- se como um ser que já não se acomoda, não recua perante a vida, mas segue adiante e, modifica a própria história.
A minha luta contra a violência começou ainda na faculdade, não foi fora dela. A área do direito que sempre prendeu a minha atenção foi o Direito Penal. Claro, o Direito de Família também é apaixonante. E quando faço essa leitura sobre violência, sei que esses casos tragicos, sempre começam por ele e terminam no direito penal. A violência doméstica é uma realidade cruel. O que faco é pequeno perto do trabalho de muita gente, porém, importante porque tudo aquilo que serve para elevar o nível de uma discussão ( como é o caso da violência contra a mulher) é algo que inspira e enriquece esse tema; que inclusive, tem se tornado, fonte de inúmeras discussões, seja por profissionais da área ou mesmo pessoas que desejam conhecer mais sobre ele. O que posso afirmar com relação à violência é que ela cresce diariamente. Hoje, o que posso fazer é estudar, escrever e continuar me dedicando ao que acabei me proponho lá atrás, que é fazer um trabalho de conscientização. Mas não é um trabalho que fala só de violência. Eu sempre procuro deixar claro que, insistir ficar dentro de relacionamentos doentios pode trazer consequências negativas, como a morte. Sim, o feminicídio é uma realidade comprometedora e que requeratenção de todos. Eu, você, …todos nós podemos agir no sentido de procurar diluir os efeitos do problema que não é só da mulher, mas de todos. Então, é importante que estejamos atentos e façamos a nossa parte, denunciando as situações concretas que se presencia.
O sentido da vida, não dar-se indispensávelmente pelo pão de cada dia. Ela confere outros sentidos que encontra- se a margem de nossas necessidades, coisas como, alegria, os pequenos momentos de paz, as coisas que a gente despreza e as que nos promete ” os comerciais de margarina “. Evidente, a própria vida, traz um enigma existencial. O que a maioria de nós procura é a felicidade, mesmo que, nunca nos deparemos com ela. Mas o que nos salva diante dessa reta, são os momentos de lucidez em meio a tantas fantasias distorcidas. Acredito que o que faz com que tudo tenha consistência nessa ” viagem ” é aproveitar a paisagem.
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