A maturidade traz ganhos reais. A ansiedade diminui, a teatralidade também: já não vemos sentido em agradar a todos, a opinião alheia deixa de nós influenciar.
Essa liberdade de ser quem realmente somos me parece o benefício maior – os jovens não percebem, mas sua liberdade é muito restrita. São pressionados a fazer escolhas tidas como definitivas ( casamentos, filhos, profissão) e as dúvidas se amontoam. A sociedade exige eficiência na condução desse script.
Martha Madeiros. O meu melhor: 100 crônicas de sucesso + 4 inéditas. Planeta. São Paulo, 2019
Eu fico possessa com o exemplo negativo de pessoa que dizem: ” eu tem vergonha de ser brasileiro “. Com todo respeito, você deve melhorar essa frase para não aumentar o seu nível de sua vergonha. Reavalie o teor dela e diga: ” EU TENHO VERGONHA DOS GESTOS INESCRUPULOSOS DAS PESSOAS QUE ADMINISTRAM DE FORMA ERRADA ESSE PAÍS “. Pois, ao agir dessa forma, você não ofende a todos nós, só a si. Quer dizer que na sua casa, se o seu pai não for o melhor exemplo de homem, você vai dizer que tem vergonha da origem? Se a sua resposta for afirmativa, é falta de reflexão.
O país bem como o seu povo, sofre pela má gestão, pelo descaso, pelos atos de esperteza de uns e, a não observância de outros. Mas, se fosse um país, onde pudéssemos observar esses atos de forma contrária, você que nega o seu lugar de origem, iria se permitiria dizer : ‘ eu tenho orgulho de ser brasileiro ‘.
O tempo não é para festejar, nem para ser feliz, mas cabe a reflexão. Nós somos o reflexo daqueles que representam os nossos direitos. Portanto, essa relação estreita e umbilical deve ser avaliada por todos nós, antes de sair falando bobagem. ” Ah, eu falo mesmo!” É sinal que a sua ignorância, ainda tem muito o que te ensinar. O ruim é que nem sempre temos tempo para aprender.
Ontem eu li um texto interessante sobre a atuação desse governo, na verdade, o escrito tratava de uma crítica muito bem elaborada pela pessoa que fez, a quem prefiro não citar o nome, onde ela comparava a falta de reflexão do brasileiro a imagem de uma hiena rindo. Meu Deus, como é fácil interpretar isso, digo ” olhar para angústia que estamos vivendo ” e imaginar aquele animal “rindo” com naturalidade. Mas, eu pergunto a você, ” achas mesmo porque aquele gesto é riso?” Ou é uma característica natural dele?. É o que acontece com alguns de nós: na hora mais triste, estamos sorrindo e desdenhando da situação. A impressão que dá é a de que, essas pessoas não se envolvem com a dor alheia. Sabe? É a indiferença que predomina diariamente. Talvez, essa ” falta de percepção ” seja o ponto macro de tudo aquilo que nos acontece de ruim. A ignorância é uma característica medonha. Tem quem diga o seguinte: ah, mas nós vamos morrer mesmo… “. Ora, pelo visto, tem gente com pressa em antecipar esse fato, ou sobreviver, e mandar outros na sua frente dele para conhecer a morte de perto […]. O contrário disso é que, quem perdeu um ente querido por conta da omissão do governo diante de todo esses problemas que vivemos, é que essas pessoas gostariam de passar um dia com que partiu… Enquanto isso, a hiena continua distribuindo simpatia.
A vida é feita de incompreensões, de revolta dos desfavorecidos. Das revoltas, das intenções não realizadas. Dos direitos que outorgamos. Você já parou para imaginar, porque ninguém nunca ou quase nunca enxerga aquilo que somos ou que fazemos por elas?
É, a nossa história sempre foi construída em cima de pequenas fragmentações. Das promessas, de perguntas e resposts que temos e as que nunca teremos. Às vezes olho pra menina lá atrás e a vejo corcunda. Ela anda em passos lentos, vez ou outra, ‘olha mais pra trás ainda’, como se esperasse alguma coisa do passado. É inútil ter compaixão daquilo que não podemos trazer na bagagem. Essa ” fragilidade ” que por vezes sentimos é só uma forma da gente olhar pra vida e saber que em cada lugar ficou um pedacinho de nós. A verdade é que as nossas edições anteriores, são apenas reeditadas, e a gente morre lentamente nesse trajeto.
Algumas pessoas sabem disso, outros não. Mas, a vida faz com que recebemos uns trancos de frente, ou de um jeito atravessado. A nossa missão é saber interpretar isso, e nunca discutir com ela a respeito daquilo que não podemos enxergar com clareza . O ” não “, é apenas isso, uma resposta negada, e vou dizer uma coisa pra você: esteja certo que na vida, irás receber muitos deles.
A nossa dor existencial vem dessa incompreensão. Talvez, dos absurdos por não querer aceitar o que a vida quer nos retirar. Aí, na tentativa de não perder, a gente puxa naquele gesto brusco, como se isso fosse resolver. Bobagem, não se pode ter para si, o que a vida não dá. O que temos que fazer é nos tornar menos dramáticos.
Nessa ” inda e vida”, todo mundo passa por todo mundo. Os sentimentos às vezes se esbarra um no outro. Se nenhuma parte do corpo ficar roxa, não tiver dor, continue. Agora, se você flagrar reações contundentes, como a vontade de chorar por saber que nesse ato se esbarra resultou um arranhão dolorido, e que não cicatrizar com soluções simples, entenda uma coisa: você irá fazer uma coleção deles a vida toda. Todavia, não diminua o passo por causa disso. O certo é que de alguma forma, fortalecemos a nossa estrutura com eles.
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