” Por que foi que cegamos, Não sei, talvez um dia se chegue a conhecer a razão, Queres que eu te diga o que penso, Diz, penso que não chegamos, penso que estamos cegos, Cegos que veem, Cegos que, vendo, não veem”.
Que a gente nunca ande desarmado de bons sentimentos. E quando não for possível ir por um lado, que saibamos remar de outro.
A vida sempre tem emergência pela busca. Busca da felicidade, da razão, da emoção…e tudo aquilo que é essencial.
Que o conhecimento seja o nosso primeiro e último grande aliado. Sejamos um Amyr Klink da vida. ” Doido” para uns, gigante para outros. O importante é seguir em frente com ventos favoráveis ou não.
” Nem sempre uma mulher pode negociar”. Muitas ainda se deparam com essa realidade conflitante que é a violência. O medo e silêncio nos sequestra de quem somos.
A violência não têm hora marcada. Ela não tem cor de preferência, nem escolhe classe social. Ela simplesmente se apadrinha no medo.
Curiosamente, eu acho importante discutir esse assunto. Hoje, acredito que a mulher já começa a discutir a sua própria história de uma maneira consciente. Mas é precoce dizer que ela pode ser autora da sua vida, de sua história sem interpretar corretamente, os séculos de opressão e negação de direitos de todas as espécies. Não possível consertar um erro gigante como esse. É possível melhorar dentro de nossas garantias. Todavia, sem esquecer do passado. Este, é sempre uma referência negativa para todas nós.
É sábido que a mulher não era unicamente preciosa pelo papel que desenvolvia na família, ela tinha outra outra importância que talvez, as que dizem que a mulher pode ser autora de sua história hoje, não estejam levando em consideração que é o fato, de não pensar. A sociedade tinha interesse, claro. Mas, não temos como por nos olhos uma venda para não enxergar toda uma história de negação de direitos. Veja, não era curioso que biologicamente, as mulheres eram inferiores aos homens? Augusto Comte, dizia que “a inclinação das mulheres de seu tempo para questões públicas era fruto da educação que recebiam”. O que inclusive, poderia ser mudado [ se quisessem]. Sim, muita coisa vem sendo ” mudado”. Não é um progresso que nos levou diretamente ao topo . Mas, nos projeta a lugares de destaques na sociedade hoje. Coisas que por direito, já deveríamos ter avançado bastante.
“Nós, ainda não somos autoras de nossas histórias “
Embora, muito se tenha avançado, hoje estamos em fase de discussão acerca daquilo que nos potencializa como mulher nessa jornada. Ora, em relação a violência por exemplo, nós mulheres, estamos discutindo esse assunto de forma ainda tímida. Como ainda tímida? A mulher pós- moderna, tem diariamente conseguido se expressar. A mulher fala, não têm mais aquela imagem apagada. Não, ela sabe dizer o que dói, o que machuca e de um jeito diferente do passado. A mulher que sofre violência, ela já consegue ir a uma delegacia e denunciar o seu agressor. É um progresso? Sem dúvida. Mas, as muitas dificuldades não param por aqui, existem muitas outras. Existe por exemplo, a falta de Leis que nos ofereça maior proteção. Em números de violência e assassinatos, a mulher é quem de fato, tem ocupado esses números negativos. Neste caso, não têm porque se vangloriar. Esse movimento em torno de conter a violência é algo muito bom, mas precisa melhorar.
A questão ligada aos avanços e retrocessos aos direito feminos, vai muito além de uma expectativa. Lá atrás, você vê que dentre muitos direitos que nos foram tirados, o voto era um deles. E hoje, eu te pergunto: ” quais são os que continuam sendo negados”. Essa é para você pensar. A condição por igualdade de direitos- é uma luta diária. Eu não consigo fechar os olhos para os nossos ganhos. Mas, também não acredito que sejamos capazes de finalizar todo um processo como esse, e escrever a nossa própria história. Eu vejo todo esse conjunto sendo construído, organizado dia após dia. A mulher [ ainda], luta para desempenhar boas funções. Mas, também não só isso, os próprios ideais… por querer se aperfeiçoar, ser capaz de exercer algo que tire o título daquilo que ela foi no passado que no caso, era “boa mãe”, boa …dona do lar. Então, como se diz ” ainda tem muito chão pela frente. Eu ainda não estou convencida de que algumas questões do passado, de fato, nos deixaram, pelo contrário, muitas nos acompanham. Entenda, eu não estou dizendo para você continuar se sentindo vítima. A questão é saber se posicionar dentro de uma sociedade que dita aonde é o papel dessa mulher.
Eu, Marii Freire creio que o crescimento que muitas contemplam, ainda deva demorar um pouco. Da missão de educar os filhos e zelar por lar, conseguimos desempenhar essa tarefa com sucesso. Todavia, a nossa missão é conseguir ir além. Para sermos autoras de nossa história, é preciso viver uma situação, onde podemos competir igualmente, do contrário, é utópico.
Todas podemos sonhar. Ninguém precisa se sentir vítima, porém, essa marca nunca poderemos apagar. É com base nela que devemos procurar o nosso norte.
Nós não precisamos nos sentir vítimas, nem pensar que chegamos ao topo. Acredito que a mulher hoje, ela pode dizer que é mais confiante. Todavia, essa confiança, volta-se a conquista pelo novo. A pretensão é sobre o novo. Não nos esqueçamos de situações mínimas vivida por todas nós. Olhemos para a forma de atuar do governo, as nossas reivindicações, as discussões que precisam ser validadas entre os avanços e retrocessos. Pense por exemplo, como seria uma sociedade, onde a mulher pudesse ser mais ativa.
” Toda a poesia – e a canção é uma poesia ajudada – reflete o que a alma não tem. Por isso a canção dos povostristes é alegre e a canção dos povos alegres é triste.”
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