Quanto mais ” cordeirinhos” formos na forma de ser e de pensar, mais fascinantes nos tornamos para um mundo que nos limita. A regra não muda, foi e é assim durante séculos. Muitos daqueles tiveram conhecimento, e de alguma forma, usaram parte deste, para fazer aqueles que não tinham “despertar” foram parar na fogueira, perderam sua vida na floresta, no campo e em muitas outras situações. As lutas são intermináveis. O fascínio pelo poder, é grande. E o básico, certamente, nós ” os cordeirinhos” sabemos. Porém, a atenção deve está sempre voltada ao perigo. É preciso compreender questões de diferentes tipos para não nos tornarmos tão alienados diante de tudo que nos ofertam, e desta forma, sair obedecendo tudo quanto é ordem. Se formos sempre na direção do que os outros dizem, sem questionar, sem saber o porquê de tomar aquela direção, sem lidar com a realidade, certamente, estamos dando permissão para as expectativas dos outros. Estas, na maioria das vezes, transformam -se em laços sufocantes. O conhecimento sempre é sinônimo de comunicação. É ele quem abre as portas necessárias para aquilo que sempre estamos negociando: liberdade e segurança. Um bom caminho a ser seguido, ele visa a nossa satisfação e a do outro. A medida que você conhece, tem domínio e não delega o seu direito à quem.
Ao tecer tua alma com fio de aço, tenha certeza de que tu mesmo, não irás desenrolar a trama da sua biografia com qualquer distração. Pois, se assim fizeres, a solidão será a sua melhor companhia. Cruel, ela te colocará diante de suas mazelas para mostrar-te que, a consciência é um paraíso.
” […] como o romance tem essa correspondência com a vida real, seus valores são, numa certa medida, os da vida real. Mas é óbvio que os valores das mulheres diferem, com frequência, dos que foram feitos pelo outro sexo; isso acontece, naturalmente. E, no entanto, são valores masculinos que prevalecem. Falando cruzamente, o futebol e o esporte são ” importantes “; o culto da moda e a compra de roupas são ” insignificantes”. E esses valores são inevitavelmente transferidos da vida para ficção. Esse é um livro importante, pressupõe o crítico, porque lida com a guerra. Esse é um livro insignificante, pois lida com os sentimentos das mulheres numa sala de visitas. “
Na atualidade, mulheres continuam morrendo todos os dias. E, ao contrário do que se imagina, a violência não começa com um tapa, com um empurrão, ou palavras que ofendem a honra dessa mulher. Não, a violência começa por expressões simples como: ” Não use essa roupa” ou “não use esse batom, não saia tarde da noite”. Resistir a não querer enxergar essa situação emblemática, é cooperar para esse quadro de violência contra a mulher .
O silencio mata
O silencio é o maior ato de permissão para as mais variadas formas de violência contra a mulher em nossa sociedade. A grande tragédia relacionada a família, baseia-se em características ainda atual. Estas, atreladas a regras rígidas como controle, o desejo do ato sexual, a dominação dessa mulher de diferentes formas, assim como a subordinação diante de fatores limitantes. Claro- que são resquícios do patriarcado, mas que se traduz todos os dias em nossa forma de atuar.
Muitos problemas relacionados a violência contra a mulher, começa pela falta de uma boa reflexão em a diversos questionamentos. Um bom exemplo é ” O que faz um homem pensar que tem o direito de tirar a vida da ex- esposa?” Ciúmes? Estamos nós, na época Medieval? Ou seria os muitos desdobramentos sociais que a mulher vem enfrentando até hoje? Ora, é recomendável essa análise. Afinal, é o masculino que “querendo ou não” diz como essa mulher tem que ser e, como deve se comportar em nossa sociedade. É indispensável olhar para muito daquilo que é limitante e, ao mesmo tempo, não avaliar o resultado que quase sempre termina em tragédia. Há uma resistência velada pelo silêncio que sustenta muita dos resultados trágicos que temos. O feminicídio é uma delas. Lembrando que ” a tragédia do feminicídio”, não é o produto final. Ela não se concretizar somente, com o assassinato de mulheres.” Não, ela começa pela violência que nasce de maneira sucinta em lugares e espaços que predeterminados pela cultura, evidência essa forma de controle e opressão sobre a mulher.
Talvez um dos elementos primordiais que deveriam ser visto, e não é, seja a real falta reflexão sobre a educação, bem como, a construção do feminino na nossa sociedade. Ainda se educa o menino para quando este se tornar homem, se relacionar publicamente, assim como no particular das mais variadas formas. Enquanto isso, a mulher recebe uma educação cheia de regras limitantes. É essa identificação sublinhar de aceitação, que apesar de complexa, gera muitas diferenças. E, na prática, são essas diferenças que nos faz refletir no adorno que damos à elas, sem levar em consideração a negligência ou talvez a imprudência desse olhar sobre nós mesmas. Eu como mulher, vejo que é desafiador manter-se sóbria sobre muito daquilo que fere os nossos direitos.
Ora, um homem pode dizer que a sua namorada ou esposa, não vai usar uma “roupa decotada, ou curta ” como é comum vermos a verbalização desse tipo de fala. Mas, ele não está dizendo por por ciúmes. Toda vez que um homem se expressa dessa maneira, ele simplesmente, procura exercer o seu contra sobre aquela mulher. ” Use uma roupa ou acessórios que chamem menos atenção”. Muitas pessoas podem pensar que isso possa refletir uma forma de gostar ou como foi citado no texto, é ” ciumes “. Ledo engano! Esis qui um fator limitante e opressor. Esse é o lado masculino que se potencializa na relação de forma clara. A mulher por sua vez, para ” agradar ” ou mesmo não criar ” atritos” com o seu parceiro, ela cede. Por conta desse fator limitante, na maioria das vezes, ela vai sendo ” podada ” para se sujeitar a uma imposição masculina. E, sabe o que mais impressiona? É que, “aqueles que estão desse lado” reforçam esse fator limitante. Às não só o próprio homem, mas muitas mulheres.
Os pilares da nossa sociedade em relação a construção do feminino, ainda lança o seu foco nos mesmos elementos de séculos atrás, ou seja, na repressão da mulher, não só em relação à crenças, mas em comportamentos limitantes. A verdade é que a mulher tem uma ” falta positivada” em muitos espaços e é contra isso que ela deve continuar lutando. Muitos dos nossos problemas se concretizam diante da potencialização do inadmissível. Um excelente exemplo do inadmissível neste caso, é a violência dentro e fora do lar. Esta é simplesmente intolerável.
Não é a vestimenta, não é o grito, a falta de respeito e consideração que mais nos preocupa. O que realmente causa inquietante e contribue para esse cenário de insegurança e resistência é o silêncio. O silêncio mata todos os dias.
Conformar-se com a violência ou qualquer forma de brutalidade é também cooper para o inadmissível, que é a morte de mulheres em nosso país. Depois de séculos de sofrimento e dor, é preciso crescermos. Crescermos em consciência e multiplicar os nossos direitos, de modo que, possamos caminhar confiantes.
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