” Não podemos negar a miséria social, nem nos esquivar em relação as nossas responsabilidades quanto ao problema. Precisamos sim, atuar de forma decisiva para tentar atenuar os efeitos de tantos casos de abusos e violência que tanta gente sofre em nosso país.”
” Vítimas de relacionamento abusivo e violência doméstica, são pessoas que emergem de seus próprios traumas, mágoas e desilusões. Então quando você fala de ” empoderamento “, além de reforçar a ideia de ” autonomia ” também ajuda essas vítimas a serem livres e viverem o que quiserem, mas não se submetendo a um papel de inferioridade.
O perdão é uma espécie de retrocesso consciente que o ser humano faz. É uma renuncia interior que eu e você fazemos em prol do bem-estar do outro. Não é algo prazeroso; pelo contrário, é um sacrifício que exige muito de cada um de nós. É preciso ficarmos isolados psicologicamente do resto do mundo para aceitar esse diálogo interno, negociar conosco, e assim ter condições psíquicas inclusive, de atravessar nossos desertos.
“É preciso coragem para atravessar os caminhos que ajudam acelerar os nossos quilômetros internos em terras muitas vezes não caminhadas.”
O maior exemplo de perdão vem Jesus que através da recepção do Sagrado deu o perdão aos seus devedores. Claro que não foi a contragosto como se faz na maioria das vezes. Ele é um gênio que conseguiu frutificar a sua palavra por meio de tantos exemplos. Mas nós, pobres mortais, dá o necessário que manda a própria consciência. Todavia, não pense que isso é fácil. É imprescindível buscar o isolamento para lidar com a própria tirania interior que por vezes, nascem das manifestações humanas de maneira brusca.
” O perdão é divino, não do homem “
Como perdoar se a lei divina é diferente da dos homens? Persiga o que é justo. Ouse refletir sobre o quanto seria bom receber o perdão daqueles para quem você deve. Ora, o perdão é uma forma de tirar o peso sobre os ombros do que nos incomoda. Não é fácil, mas é um desafio. É contraditório, mas também uma sentença de paz.
É na nossa leitura solitária que nós conseguimos conversar com o estranho, de modo que damos o dedinho para espetar no espinho, e mesmo sabendo que vai doer e sangrar aquela experiência vivida de forma tão brusca e solitária que, vemos que a dor vem para transformar aquele gesto humano numa espécie de crescimento que espiritualmente, nos deixará confortável, e ao mesmo tempo, oferecer ao outro, que o mínimo necessário para que ele consiga seguir seu próprio caminho.
Ser Mulher é uma das coisas mais difíceis na sociedade, onde você não é respeitada pelo que pensa. Você é sim, ” vista” pelos dois centímetros que separa o cérebro da barra da saia” . Desculpe-me a ironia, mas o corpo feminino continua sendo ” coisificado”. Quer um exemplo escancarado do que estou afirmando? Você pode ser ” phoda” no que faz, ter o melhor diploma desse país, falar quantas línguas quiser. Mas historicamente falando, a mulher, ocupa espaços mínimos da sociedade. E sabe o que estou dizendo isso? Porque a mulher continua fazendo jus a um lugar de desprestígio nos carnes sociais. As que mais aparecem, são aquelas que ajustaram a ” bainha da saia” . A mulher só é “vista” – entenda, vista não é a mesma coisa que “reconhecida” se colocar um anteprojeto de saia mostrando as amígdalas. Não julgo nenhuma destas, até porque grande parte delas, foram condicionada a permanecer em lugares simbólicos de nossa sociedade. E, quanto ao restante, cabe o desafio de pensar nos desafios atuais. A mulher moderna precisa lidar com questões do feminino via política. Pra ela conseguir ter a palavra numa sociedade onde o masculino possui esse poder é, sem dúvida uma ousadia. Assim como é uma ” ousadia” também acordar e ser uma autora de sua marca numa sociedade marcada pela dominação patriarcal. Ora, imagine!..com a força do capitalismo, atrelado a modelos arcaicos de outrora, que evidência o fetichismo da mercadoria, o corpo da mulher continua sendo coisificado. Reafirmando o aspecto da dominação masculina, e fazendo essa mulher ser ” vista pelo tamanho da roupa” , não pelo que ilustra o seu cérebro. Crítica eu? Não, ajudando você pensar nos desafios que sugerem a contemporaneidade. A verdade é que a mulher não quer ser vista como um objeto de consumo masculino. Ela é um ser que pensa, tem sentimentos, valores inegociáveis. Relação de subordinação, não é o fetiche feminino. O que se deseja é ressaltar o social para que, dentre outros coisas, se possa “renascer” no real sentido da nossa própria construção.
Marii Freire. Ser Mulher
Imagem ( crédito: Marii Freire)/ via Instagram/ Facebook
E às vezes para você obtê-la, é preciso um cuidado especial, pois o processo é longo. Na maioria das vezes, começa sempre por uma conversa genuína, até chegar a essência que se acredita ter o ser humano. Não raro, são as perdas. Sim, acontecem com naturalidade perante algumas situações. Mas, não desistimos, pois que sentido teria a vida, sem esse grande feito do homem? Conseguir finalmente, extrair essa pérola é uma das nossas grandes experiências nessa vida. Ora, eu e você, gostamos de criar vínculos afetivos, é ou não é? É esse detalhe que torna vida interessante. Então, quando você consegue tocar no mundo outro, de forma que ele/ ela também se permite ser tocado ( a), é nesse instante que você compreende o quanto isso é precioso, porque é o momento em que uma pessoa se conecta verdadeiramente com a outra. Difícil imaginar como se tocar pérola? Até você conseguir chegar nela, é como eu disse ” O processo tem que ser especial, minucioso…” porque o valor daquilo que procuramos não é encontrado nas nas camadas superficiais do ser humano que muitas vezes, está composta por paixões, ambição, poder. Não, ” a pérola ” reside no interior. É esse detalhe que atrai os olhares das pessoas, é ele que provoca o fascínio de afastar o supérfluo, e desejar o que é puro na nossa imensa vastidão de desejos.
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