“Que a gente não se perca de si mesmo”.

As vezes é necessário revisitar o passado e fazer uma espécie de organização pessoal para que tudo posso fluir naturalmente.

Abrir portas, janelas e deixar um pouco de luz natural, bem como, o vento levar nossas dores, mágoas e tudo o que não encontra espaço para ficar. É isso, precisamos construir novos caminhos.

Deixar de lado, tudo aquilo que faz com que fiquemos ali guardando ressentimentos. Claro, somos seres humanos, e não podemos viver dentro de uma redoma. Por isso, querendo ou não, vamos nos de deparar com momentos difíceis. Mas, o importante é deixar a porta aberta (…) , jogar fora palavras, dores, sentimos que não constroem. Não edifica absolutamente nada.

Ao visitar o passado, vamos ter que saber dialogar com pessoas que ( também), passaram por nós e tiveram um papel fundamental para que pudéssemos desfrutar de um equilíbrio , de uma amizade, uma relação amorosa. Pessoas que acabaram, muitas vezes, dando o apoio necessário no momento difícil, e nos fezeram prosseguir. Como o poeta diz ” precisamos andar de mãos dadas”. É verdade, mas as vezes essas mãos se separam e seguem segurando outras mãos. É o ciclo natural da vida, saibamos obedecer.

Eu acho gostoso aquelas pessoas que por muito fazer, tornam-se especiais em nossas vidas. Outras, ainda que coadjuvantes, souberam cativar o nosso ego. E sabe o que é interessante? Que o tempo vai cristalizando pontos considerados importantes dessas relações. Isso é sem dúvida, maravilhoso.

Bem, nem tudo podemos reclamar, mas agradecer. Agradecer por elas assumirem um compromisso de nutrir as nossas necessidades naquele momento que talvez, estivéssemos passando por alguma insegurança, fobia, timidez. Características normal de um ser humano. Minha sua, de todos. Quem nunca? Todos.

E o que essa minha reflexão tem a dizer é a respeito do ‘ olhar para dentro de si. É essa interiorização que tanto falar. A reflexão existencial, aquilo que corrige o que precisa ser colocado no lugar. A ” famosa cabeça no travesseiro “, quando as luzes se apagam, é lá que realmente nos construímos.

É essa sensibilidade de poder fazer as pazes com o passado, com pessoas que foram importantes e a “saudade ” delas que faz com que [ainda], fique uma brasa viva, e deixe um vazio dentro de nós.

” Saudade de quem amamos, e

Saudade de quem sentimento falta”, como disse o Gabito Nunes

Vamos nos visitar, aprender a ser heróis de nós mesmos, ao invés de carrascos. Toda construção, ela precisa ser tecida ali no mais fino fio de esperança. Saber ouvir isso, é importante, porque saindo da mente ela passa a ganhar forma, existência. Com isso, conseguimos transformá -las em atos, luta e superação. Superar constrói pontes que nos levam a alcançar novos objetivos.

Que saibamos respeitar e abraçar com generosidade as mais diversas formas que a vida nos apresenta.

Marii Freire Pereira.

A indiferença pode ser encarada como como uma espécie de morte?

Segundo Freud , a morte seria o mais grave de todos os infortúnios.

De todas as misérias, aquela que se revela nua, um convite ao precipício.

A morte tem sido um grande mistério, onde muito se tenta explicar, mas a verdade é que ninguém ‘ foi e voltou ‘, para descrever o seu processo. Embora, consiga receber inúmeras denominações, ela se apresenta para muitos, como uma espécie de ” Green Card”. Algo que nos leva a uma realidade que recepciona e acalenta ao mesmo tempo. Eis, uma explicação do suicídio, por exemplo. Quem opta por fazer essa travessia, faz com o intuito de chegar ao outro lado, sem peso na alma. Mas, vamos adiante, e quando essa morte não é física e sim, espiritual?

Quantos de nós já estamos mortos? Você parou para pensar? Quantos de nós, andamos corcundas, vazios de nós mesmos!? Intocável aos sentimento alheios?

Freud diz que o homem civilizado não carrega consigo características dos nossos antepassados. Lá, se matava por diversos motivos. Mas, a verdade é que todos nós devemos a natureza da morte, quer queira, quer não. A morte era descrita como uma espécie de necessidade. Particularmente, creio que parte de como a morte era vista lá, ficou adormecido no inconsciente, e trouxemos isso pra cá, para a realidade que nos cerca.

Morremos, mas essa ‘ ponte entre passado e presente, continua como via de acesso, onde muitos transitam de modo, a levar (desculpe- me a expressão), só os ossos. Um corpo sobrecarregado. Muitos andam que nem zumbis…

E dentro dessa reflexão podemos analisar só um lado da história, o que fala das tensões que afligem a estrutura física, mas corpo e alma. Isto sim ( também), devem ser conjugados juntos, porque a partir do mento em que a mente não consegue responder as de forma coerente todas as questões, a primeira manifestação dar-se no corpo. Sim, o corpo diz muito sobre com o estamos. Se deixarmos de nós alimentar direito, logo surge uma gastrite. Engordando, emagrecemos. O corpo manifesta aquilo que a mente tem dificuldade de saber se adaptar.

A psicóloga tenta explicar como tudo isso é manifestado na mente do indivíduo. Quando mente e corpo andam bem, tudo ficar harmônico.

Todavia, quando observamos o contrário, ocorre aí, uma espécie de desequilíbrio…

Quanto a alma ‘ apodrece’, o corpo responde imediatamente…

É o miserável que se arrasta e acena, mas o seu sofrimento não é visto. É isso leva o ser humano a uma espécie de loucura. A loucura que já levou muita gente a ser lançada fora , jogada ao mar do esquecimento ‘ poeticamente falando’.

De todos os infortúnios- aquele que não se encontrou respostas…até hoje.

Imagem: Amigos de Freud.

Texto: Marii Freire Pereira.

Desejado como a pureza de cada amanhecer

Assim é o seu amor,

Desejável ,

Doce,

Suave como o odor de fêmea prestes a amar.

Candura que que se transforma em astúcia na ausência do ser amado. Brinca, pula, e cria a imagem do prazer …

Se gritasse

Se tocasse

Você viria a galope…

Não

Não quero vulgaridade…

Quero o doce

O doce ingênuo que a pureza dos seus olhos me revelam

O meu coração é uma criança andando descalço sem confessar as suas maldades.

Marii Freire

Encerrar ciclos:

Recolher – se no silêncio de nós mesmos: -“No rascunho de nossas emoções…”

Talvez um dos momentos mais difíceis de nossas vidas seja aquele em que precisamos sacudir o que repousa dentro de nós, para começar a se amar.

Para recordar aquilo que somos, e que por algum motivo parece ter se afastado, dilacerado, transformando em silêncio e choro, um mundo que antes, era cheio de vida. A cabeça inclina,os braços ficam caídos, a alma arrasta-se pelo chão. É que nem folha chega, em que o vento leva aonde quer.

Há uma agitação constante em meio à um olhar áspero que temos sobre nós . Simplesmente a fragilidade chega e nos tornamos reclusos, ladeado de sentimentos…vago, inquieto o tempo todo…

Nem sempre é fácil diante de uma situação como essa, abandonar a si mesmo. Abandonar tudo aquilo que em certo momento nos trouxe vida, mas que completou o seu ciclo, e teve a sua devida importância, porém…acabou!

O dia seguinte é um convite. É isso mesmo, ele chega para todos. Quando você baixa o olhar é sinal que está procurando alguma referência para ter a frente o caminho a seguir. São novas coordenadas que você terá de mostrar habilidade necessária para devagarinho…caminhar. Claro, agora com um olhar no horizonte, cabeça erguida, passando a mão nas feridas, mas indo. Vá, se preciso até disfarce , a forma de pisar, já que os pés não conseguem ter apoio suficiente para aguentar o peso do corpo . Porém, o importante é o que lhe espera lá fora.

Gente, nada é mais miserável no ser humano do que bloquear as próprias emoções. Fingir que não dói. Eu conheço muita gente que vive uma vida de amarguras porque não conseguiu viver em harmonia consigo mesmo. Pessoas que escolheram a dor para lapidar. É horrível, pois são pessoas negativas, que só te coloca para baixo, que fere com palavras. Isso muito ruim, porque é uma forma dolorida para elas mesmas. São situações que nasceram na vida de pessoas que não souberam, ou mesmo quiseram romper com o velho, para conseguir recepcionar o Novo.

É preciso reconhecer-se na miséria de si. Ser capaz de dizer: ” eu não quero isso pra mim “. Eu consigo ser mais.

Pessoas que não sabem perdoar, machuca, é são capazes de destrói qualquer relação. Seja amizade, relacionamento. São em geral, tomadas pelo orgulho. E orgulho aprisiona, fecha os olhos para a realidade. É igual a um pântano, só tem água podre (…)

Se você chegar a essa situação, saia. É melhor averiguar a realidade e romper tudo com tudo aquilo que gera sofrimento.

Queira reconstruir…[re]comece. As vezes um passo atrás, significa dois a frente.

Tenha coragem!…

Boa sorte!!

Marii Freire Pereira.

Estranho Melancólico

Tenho saudade de mim mesmo,

Saudade sob aparência de remorso,

de tanto que não fui, a sós, a esmo,

e de minha alta ausência em meu redor.

Tenho horror, tenho pena de mim mesmo

e tenho muitos outros sentimentos

violentos. Mas se esquivam no inventário,

e meu amor é triste como é vário,

e sendo vário é um só. Tenho carinho

por toda perda minha na corrente

que de mortos a vivos me carreia

e a mortos restitui o que era deles

mas em mim se guardava. A estrela d’alva

penetra longamente seu espinho

(e cinco espinhos são) na minha mão.

Carlos Drummond de Andrade.

Fonte:Literatura Comentada. Livro pessoal.

Marii Freire