“A violência contra a mulher é um problema antigo e que faz parte de um sistema socio-histórico que sempre teve suas raiz profundas na intolerância, ódio e discriminação.”
Marii Freire. Violência
FREIRE, Marii. Mulher do ostracismo à luta pelos direitos nos dias atuais. 1ª ed. Maringá: Viseu, 2022
Um naufrago é alguém que pertence às marés. Sem orientação e ajuda, este é lançado em todas as direções, entre as simples circunstâncias. Sem um norte, sem ter em que se agarrar e segurar firme, sem ter uma possa que lhe preste socorro no momento certo, ele é só um “joguete” da natureza, oscilando de um lado para outro, em meio às águas ” indo e vindo” sem direção. Porém, se em um determinado momento, diante de tudo que que está acontecendo, alguém que vá passando naquele local, perceba aquela movimentação, ou seja, veja aquele ser cansado e desorientado, e interfira naquela realidade, certamente, esse naufrago, terá uma oportunidade de sair daquela situação. Se ha uma razão com significado maior que se deva aprender na vida ( e ela nos ensina o tempo todo) é que não devemos nos deixar morrer – seja lá, em que circunstâncias for. Acredite, entre os piores momentos da vida de um ser humano, se ele tiver a possibilidade de ser resgatado, essa pessoa tem uma segunda, terceira e quarta chance de viver novamente. Eu diria até que de vislumbrar a vida e os sonhos com esperança, porque o universo muitas vezes nos resgata desses naufrágios. Em suma, às vezes o que o ser humano precisa na vida é ser visto, é ter uma mão estendida dizendo ” segura firme”, porque de nada adianta, alguém te ver ” agonizado” de cansaço e deixar você morrer. Mas se, em meio a esse esforço, você se manter firme às circunstâncias, ainda que sem orientação e, continuar lutando, certamente a vida já está assegurada. E a mão estendia, é um acréscimo. Aceite. Neste caso, é a vida ordenando ” vai viver”, terra firme. E digo mais, dentro desse pouco já conquistado, acabas de desfrutar de um futuro que tens a obrigação de fazê-lo ter um final feliz.
” Tenho duas armas para lutar contra o desespero, a tristeza e até a morte; o riso a cavalo e galope do sonho. É com isso que enfrento essa dura e fascinante tarefa de viver.”
O tempero da vida, não são os problemas. Estes, são feridas que nascem no inconsciente ou na derme – levando as pessoas muitas vezes, a lutarem, não para entrar num conflito, mas para sair deles. A verdade é que, não romantizar os problemas é uma forma de aprendizado importante para a humanidade. Ninguém acha bonito a desigualdade, as dificuldades em relação a ascensão social, nem brincadeiras pejorativas Quem acha bonito esse tipo de coisa, na verdade, não ajuda a pacificar absolutamente nada, mas a multiplicar vaias, dor e sofrimento na vida de quem é visto como ” diferente “. Ora, não é à toa que obsessões por doenças ou higiene em excesso, sejam transmitidas de pais para filhos. Quantas doenças culturalmente são transmitidas de geração em geração? – “Vamos banir esse grupo de pessoas, não são iguais a nós!” E os que sofrem, suportam a sobrecarga? Muita pessoas se suicidam ou são mortas por conta daquilo que não se tolera. Algumas doenças das quais ” criamos” são multiplicadas, de modo que se perde o controle sobre isso. O ódio, é um exemplo do que, tudo o que ele encontra pela frente, destrói. Portanto, os problemas não temperam a vida. O que estimula o ser humano a sonhar e ser bom para o outro, não é isso. É sobretudo, compreender que precisamos abraçar essas diferenças. As reações e relações de desigualdades, sempre irão continuar existindo, e causando tumultos. E não é isso que faz a vida ser um grande espetáculo, mas toda volta dada ao contrário. […] O que faz a vida valer a pena, é o ganho que resulta na alegria de sermos igualmente perfeitos em nossas diferenças.
” A mulher se deixa seduzir pelo discurso masculino. Afinal, muito do que ela ouve, corresponde a verdade ligada ao seu mundo interno, ou seja, o que foi instruída a acreditar. E o teor genuíno de toda palavra correspondente ao jogo de sedução, traz consigo, uma espécie de alento a essa mulher, perante ao término de sua procura. Porém, o amor não é àquilo que se diz a uma pessoa, mas também o que garante a verdade do que se faz de concreto em nome deste. O mor, antes de tudo, é atitude.”
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